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Conhecimentos e práticas alimentares nos primeiros dois anos de vida : São Domingos, Guiné-Bissau

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Resumo:RESUMO - Introdução: Os primeiros 1.000 dias de vida são decisivos para o crescimento, desenvolvimento e saúde da criança. Neste período a alimentação e a nutrição são fatores determinantes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses, idade em que devem ser incluídos na dieta da criança alimentos complementares. Objetivos: Caraterizar os conhecimentos e as práticas das mães sobre a alimentação da criança até aos 2 anos; relacionar os conhecimentos das mães com as práticas alimentares da criança e verificar se os fatores sociodemográficos (idade da mãe, nº de filhos, escolaridade e local de parto) estão relacionados com os conhecimentos maternos. Métodos: Foram inquiridas 145 mães de crianças entre os 0 e os 23 meses utentes do Centro Materno Infantil de São Domingos (CMISD). Foi aplicado um questionário para recolha dos dados sociodemográficos das mães e crianças, estado nutricional das crianças, conhecimentos maternos e práticas de alimentação infantil. Resultados: As mães apresentam conhecimentos suficientes sobre alimentação da criança nos primeiros 6 meses (62,2% (± 14,7)) e dos 6 aos 23 meses (52,8% (± 16,4)). 88,7% das crianças menores de 6 meses são alimentadas em exclusivo com leite materno, seguindo as recomendações da OMS. Entre os 6 e os 23 meses, 25,3% das crianças têm uma dieta mínima aceitável. Mais conhecimentos maternos sobre alimentação infantil aumentam a probabilidade da criança ser exclusivamente amamentada (OR=1,10; 95% IC:1,03-1,19; p=0,006) e de ter uma dieta mínima aceitável (OR=1,04; 95% IC:1,00-1,08; p=0,04). Mães com nível de escolaridade secundário têm maiores conhecimentos sobre alimentação infantil que mães sem nenhum nível de escolaridade (F=5,08; p=0,04) mas a idade da mãe, o nº de filhos e o local de parto não estão relacionados com os conhecimentos sobre alimentação infantil. Conclusão: Maiores níveis de conhecimento têm um papel positivo nas práticas alimentares nos primeiros 2 anos de vida, sendo maior a influência do conhecimento nas práticas de aleitamento materno do que de alimentação complementar.
Autores principais:Dias, Inês Duarte Pereira
Assunto:aleitamento materno alimentação complementar conhecimentos práticas Guiné-Bissau breastfeeding complementary feeding knowledge practices Guinea-Bissau
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - Introdução: Os primeiros 1.000 dias de vida são decisivos para o crescimento, desenvolvimento e saúde da criança. Neste período a alimentação e a nutrição são fatores determinantes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses, idade em que devem ser incluídos na dieta da criança alimentos complementares. Objetivos: Caraterizar os conhecimentos e as práticas das mães sobre a alimentação da criança até aos 2 anos; relacionar os conhecimentos das mães com as práticas alimentares da criança e verificar se os fatores sociodemográficos (idade da mãe, nº de filhos, escolaridade e local de parto) estão relacionados com os conhecimentos maternos. Métodos: Foram inquiridas 145 mães de crianças entre os 0 e os 23 meses utentes do Centro Materno Infantil de São Domingos (CMISD). Foi aplicado um questionário para recolha dos dados sociodemográficos das mães e crianças, estado nutricional das crianças, conhecimentos maternos e práticas de alimentação infantil. Resultados: As mães apresentam conhecimentos suficientes sobre alimentação da criança nos primeiros 6 meses (62,2% (± 14,7)) e dos 6 aos 23 meses (52,8% (± 16,4)). 88,7% das crianças menores de 6 meses são alimentadas em exclusivo com leite materno, seguindo as recomendações da OMS. Entre os 6 e os 23 meses, 25,3% das crianças têm uma dieta mínima aceitável. Mais conhecimentos maternos sobre alimentação infantil aumentam a probabilidade da criança ser exclusivamente amamentada (OR=1,10; 95% IC:1,03-1,19; p=0,006) e de ter uma dieta mínima aceitável (OR=1,04; 95% IC:1,00-1,08; p=0,04). Mães com nível de escolaridade secundário têm maiores conhecimentos sobre alimentação infantil que mães sem nenhum nível de escolaridade (F=5,08; p=0,04) mas a idade da mãe, o nº de filhos e o local de parto não estão relacionados com os conhecimentos sobre alimentação infantil. Conclusão: Maiores níveis de conhecimento têm um papel positivo nas práticas alimentares nos primeiros 2 anos de vida, sendo maior a influência do conhecimento nas práticas de aleitamento materno do que de alimentação complementar.