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A importância da debilidade muscular nas fraturas da extremidade proximal do fémur

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Resumo:RESUMO: Introdução: As doenças do aparelho musculoesquelético, são um problema major de saúde pública que afetam os idosos nas suas atividades de vida diária (AVD) e na sua qualidade de vida. A osteoporose e as fraturas que lhe estão associadas são a patologia musculoesquelética com maior impacto a nível mundial. Entre as fraturas osteoporóticas, são as fraturas da extremidade proximal do fémur (FEPF) as que têm maior impacto clínico. O enorme número de fraturas osteoporóticas não pode ser atribuído em exclusivo à menor resistência óssea associada à osteoporose. A debilidade muscular e a sarcopenia poderão ter um papel fundamental. O objetivo deste trabalho é esclarecer a possível associação entre sarcopenia, osteoporose, FEPF e qual a influência do músculo na recuperação destes doentes. Material e métodos: Este estudo é constituído por duas fases. A primeira é um estudo tipo “case control study” em que os doentes com FEPF são alvo do estudo e os doentes usados como controlo têm osteoartrose da anca com indicação para artroplastia total da anca. Os doentes Incluídos no estudo foram submetidos a avaliação clínica, exames laboratoriais e “Dual Energy X ray Absorptiometry” (DEXA) da coluna lombar, colo do fémur e punho. A avaliação muscular foi realizada através da força muscular, massa muscular e função muscular. A análise da força muscular foi realizada através da medição da força de preensão, a análise da massa muscular foi efetuada através da bioimpedância elétrica. Na altura da cirurgia os doentes foram submetidos a biópsia óssea transilíaca e biópsia muscular do médio glúteo. As biópsias musculares foram processadas para microscopia ótica (MO) e microscopia eletrónica de transmissão (MET). As biópsias ósseas foram processadas para MO segundo técnica sem descalcificação. Na segunda fase do estudo, os doentes com FEPF foram acompanhados por um período de 12 meses para avaliar a sua recuperação, pelo que o podemos considerar um estudo “cohort”. Durante esta fase do estudo os doentes foram avaliados ao 1º, 3º, 6º e 12º mês após a cirurgia. Em cada uma destas observações foi realizado radiografia da anca operada e avaliação clínica. A avaliação das AVD foi efetuada através da escala de Katz e Barthel. A avaliação funcional foi realizada através da escala de mobilidade de Parker e Palmer, “Short Physical Performance Battery” (SPPB) e do teste “up and go”. Resultados: Na 1ª fase do estudo foram identificadas várias diferenças entre os dois grupos com significado estatístico entre as quais se salienta: número de quedas no último ano (p=0,005); risco de fratura a 10 anos -­- FRAX (p=0,001); risco de FEPF (p=0,001); T Score coluna lombar (p=0,0001); Z Score coluna lombar (p=0,0094); DMO trocantérico do fémur (p<0,00001); DMO colo do fémur (p<0,0001); DMO Total (p<0,0001); T Score trocantérico do fémur ((p<0,0001); T Score colo do fémur (p=0,0004); Z Score trocantérico do fémur (p<0,00001); Z Score colo fémur (p=0,0022); T Score punho (p=0,0061); Z Score punho (p=0,0292); força de preensão (p=0,001); sarcopenia definição do European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP) (p=0,015); albumina (p=0,0088); 25 Hidroxivitamina D (p=0,0269); transferrina (p=0,0031); N Telepéptidos do Colagénio tipo I – NTX (p=0,0032); RMNI (p=0,0004); biópsia muscular/MO /número de fibras COX negativas (p=0,0002); biópsia muscular/MO/agregados hipercromáticos (p=0,002); biópsia muscular/MET/número de mitocôndrias (p=0,008); biópsia muscular/MO /número de fibras tipo 1 (p=0,0476); biópsia muscular/MET/depósitos lipídicos (p=0,033); biópsia óssea/% volume osteoide (p=0,0326). Na 2ª fase do estudo os resultados com significado estatístico foram os seguintes: recuperação total (escala de Parker e Palmer)/ Força de preensão reduzida (p=0,0160); Recuperação total (escala de Barthel)/IMM reduzido (p=0,042); SPPB/ Força de preensão reduzida (p=0,0022). Discussão e Conclusões: Os doentes com FEPF têm mais quedas, maior risco de fratura, valores de DMO , T score e Z score mais baixos, mais sarcopénia, menor força de preensão, valores séricos de 25 hidroxivitamina D, albumina e transferrina mais baixos, um “Rayney-­-MacDonald Nutritional Índex” mais baixo, têm mais fibras musculares tipo 1, um maior número de fibras COX negativas, as fibras musculares têm menos mitocôndrias e mais depósitos lipídicos o que reflete uma disfunção mitocondrial mais intensa. Os resultados permitem concluir que existe uma associação entre FEPF, osteoporose e sarcopenia. A força de preensão parece ser o elemento mais preditivo de uma melhor recuperação funcional nos doentes com FEPF.
Autores principais:Felicíssimo, Paulo
Assunto:Musculoskeletal Diseases Muscle Weakness Femoral Fractures Idosos Doenças Musculoesqueléticas Fraqueza Muscular Fracturas Femorais Elderly
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
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