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Aplicação de extratos de plantas da Guiné Bissau em Caenorhabditis elegans, bactérias e células animais

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As plantas medicinais continuam ser um recurso médico para as populações rurais dos países de baixo e médio rendimento, principalmente nas diferentes regiões da Guiné-Bissau. Algumas das plantas mais utilizadas na medicina tradicional guineense são: Moringa oleifera, Crescentia cujete, Azadirachta indica e Brachylaena transvaalensis. Para realização deste estudo foram utilizados os extratos de sementes e de folhas da M. oleifera, extrato de folhas de C. cujete, ramo e folhas de A. indica e folhas de B. transvaalensis, que teve como objetivo avaliar atividades anti-helmínticas, antibacteriana, anticancerígena, assim como, a sua citotoxicidade em células animais normais. Neste estudo foram obtidos 10 extratos utilizando metanol como solvente e para testar a sua atividade foram utilizados como modelo o nemátode de vida livre Caenorhabditis elegans, cinco estirpes bacterianas, nomeadamente Bacillus cereus, Enterococcus faecalis, Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa, bem como as células cancerígenas (HeLa, Sarcoma 180 e CMT93) e células normais (3T3 e Vero). Os resultados mostram que o extrato nº1 (extrato de Semente da M. oleifera) é capaz de inibir e impedir a eclosão dos ovos nas concentrações de 1000 a 125 μg/ml, no periodo de 24 horas. Os restantes nove extratos não se observou inibição dos vermes e nem impediram a eclosão dos ovos numa concentração máxima (1000 μg/ml). Por outro lado, os extratos nº1 (semente de M. oleifera), nº5 (folha de M. oleifera), nº9 (folha de C. cujete) e nº10 (folha de B. transvaalensis) foram extraídos com metanol, atuaram sobre a estirpe Bacillus cereus formando um halo de inibição de 36mm, 23mm, 27mm e 32mm respetivamente. Para estirpe Staphylococcus aureus o extrato de semente (nº1) apresentou o halo com 21mm de diâmetro em meio sólido na placa de Petri. As estirpes Escherichia coli, Enterococcus faecalis e Pseudomonas aeruginosa foram resistentes a todos extratos utilizados no ensaio. O extrato de semente e folha de M. oleifera apresentaram em teste em placas de 96 poços a Concentração Minima Inibitória (CMI) de 292 μg/ml e 4687μg/ml respetivamente, para estirpe B. cereus. Quanto aos extratos de semente (nº1) e folha (nº6) da M. oleifera apresentaram IC50 de 11,74 μg/ml e 18,38 μg/ml em Células 3T3, respetivamente. O extrato de folha de M. oleifera (nº2) apresentou IC50 10,50μg/ml para células Sarcoma180 e 13,73μg/ml para células HeLa, enquanto que para o Extrato de folha de M. oleifera (nº4) o IC50 foi 11,06 μg/ml em células HeLa e 22,12 μg/ml nas células Sarcoma180 e o extrato nº8 (folhas de A. indica) apresentou IC50 13,77 μg/ml nas células Vero. A concentração inicial dos extratos nas células foi de 500 μg/ml. Conclui-se que o extrato de semente de M. oleifera apresentou efeito contra C. elegans, B. cereus, S. aureus e célula 3T3. Extratos de folhas de M. oleifera, C. cujete, B. transvaalensis e ramo de A. indica foram tóxicos para células HeLa, Sarcoma 180 e Vero. Estes extratos poderão ser candidatos nos estudos humanos e no futuro como novo fármaco anti-helmíntico, antibacteriano e anticancerígeno.
Autores principais:CÁ, Nico Paulino
Assunto:Parasitologia médica Plantas medicinais Extratos C. elegans Bactérias Células animais Guiné Bissau
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:As plantas medicinais continuam ser um recurso médico para as populações rurais dos países de baixo e médio rendimento, principalmente nas diferentes regiões da Guiné-Bissau. Algumas das plantas mais utilizadas na medicina tradicional guineense são: Moringa oleifera, Crescentia cujete, Azadirachta indica e Brachylaena transvaalensis. Para realização deste estudo foram utilizados os extratos de sementes e de folhas da M. oleifera, extrato de folhas de C. cujete, ramo e folhas de A. indica e folhas de B. transvaalensis, que teve como objetivo avaliar atividades anti-helmínticas, antibacteriana, anticancerígena, assim como, a sua citotoxicidade em células animais normais. Neste estudo foram obtidos 10 extratos utilizando metanol como solvente e para testar a sua atividade foram utilizados como modelo o nemátode de vida livre Caenorhabditis elegans, cinco estirpes bacterianas, nomeadamente Bacillus cereus, Enterococcus faecalis, Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa, bem como as células cancerígenas (HeLa, Sarcoma 180 e CMT93) e células normais (3T3 e Vero). Os resultados mostram que o extrato nº1 (extrato de Semente da M. oleifera) é capaz de inibir e impedir a eclosão dos ovos nas concentrações de 1000 a 125 μg/ml, no periodo de 24 horas. Os restantes nove extratos não se observou inibição dos vermes e nem impediram a eclosão dos ovos numa concentração máxima (1000 μg/ml). Por outro lado, os extratos nº1 (semente de M. oleifera), nº5 (folha de M. oleifera), nº9 (folha de C. cujete) e nº10 (folha de B. transvaalensis) foram extraídos com metanol, atuaram sobre a estirpe Bacillus cereus formando um halo de inibição de 36mm, 23mm, 27mm e 32mm respetivamente. Para estirpe Staphylococcus aureus o extrato de semente (nº1) apresentou o halo com 21mm de diâmetro em meio sólido na placa de Petri. As estirpes Escherichia coli, Enterococcus faecalis e Pseudomonas aeruginosa foram resistentes a todos extratos utilizados no ensaio. O extrato de semente e folha de M. oleifera apresentaram em teste em placas de 96 poços a Concentração Minima Inibitória (CMI) de 292 μg/ml e 4687μg/ml respetivamente, para estirpe B. cereus. Quanto aos extratos de semente (nº1) e folha (nº6) da M. oleifera apresentaram IC50 de 11,74 μg/ml e 18,38 μg/ml em Células 3T3, respetivamente. O extrato de folha de M. oleifera (nº2) apresentou IC50 10,50μg/ml para células Sarcoma180 e 13,73μg/ml para células HeLa, enquanto que para o Extrato de folha de M. oleifera (nº4) o IC50 foi 11,06 μg/ml em células HeLa e 22,12 μg/ml nas células Sarcoma180 e o extrato nº8 (folhas de A. indica) apresentou IC50 13,77 μg/ml nas células Vero. A concentração inicial dos extratos nas células foi de 500 μg/ml. Conclui-se que o extrato de semente de M. oleifera apresentou efeito contra C. elegans, B. cereus, S. aureus e célula 3T3. Extratos de folhas de M. oleifera, C. cujete, B. transvaalensis e ramo de A. indica foram tóxicos para células HeLa, Sarcoma 180 e Vero. Estes extratos poderão ser candidatos nos estudos humanos e no futuro como novo fármaco anti-helmíntico, antibacteriano e anticancerígeno.