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Resumo:Os anos do projecto Orpheu e da sua concepção estético-literária foram de grande actividade criativa para Fernando Pessoa. Se os poemas produzidos nesta altura – “Opiário”, “Ode Triunfal”, “Ode Marítima”, “Chuva Oblíqua”, “Gládio”, “Além-deus” – são dos mais marcantes da sua obra, pouco se sabe ainda da escrita ficcional. Este artigo procura analisar a forma como o cenário conceptual da poesia de Orpheu se reflecte nas ficções da mesma época, focando a sua análise em quatro delas: “A Estrada do Esquecimento”, “A Trincheira”, “Uma Carta da Argentina” e “A Perda do Hiate Nada”. Com um carácter estático, próximo do conceito de “Teatro Estático” que preside à concepção de “O Marinheiro”, estes contos ficcionam a transposição dos sentidos, a despersonalização, o diluir da personalidade individual no colectivo e os intervalos entre realidades, questões não só órficas, mas centrais na obra de Fernando Pessoa. The years close to the Orpheu project and its aesthetic and literary concept were a very creative time for Fernando Pessoa. If the poems written then – “Opiário”, “Ode Triunfal”, “Ode Marítima”, “Chuva Oblíqua”, “Gládio”, “Além-deus” – are among the most important in all his work, we do not know enough about his fictional writings. It is the objective of this article to make an analysis of the way the conceptual scenery of Orpheu’s poetry reflects itself in the fictions of same epoch, by focusing the analysis on four of them: “A Estrada do Esquecimento”, “A Trincheira”, “Uma Carta da Argentina” and “A Perda do Hiate Nada”. With a static character connected with the concept “Teatro Estático” that marked the play “O Marinheiro”, these tales fictionalize the transposition of the senses, depersonalization, the dilution of the individual’s personality into the collective and the interval between realities, all questions that belong not only to the Orpheu times, but to the work of Fernando Pessoa in general.
Autores principais:Freitas, Ana Maria de Almeida Pires
Assunto:Orpheu Ficções Sensações Paisagens interiores Intervalo Despersonalização Fictions Sensations Interior landscapes Interval Depersonalization
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Os anos do projecto Orpheu e da sua concepção estético-literária foram de grande actividade criativa para Fernando Pessoa. Se os poemas produzidos nesta altura – “Opiário”, “Ode Triunfal”, “Ode Marítima”, “Chuva Oblíqua”, “Gládio”, “Além-deus” – são dos mais marcantes da sua obra, pouco se sabe ainda da escrita ficcional. Este artigo procura analisar a forma como o cenário conceptual da poesia de Orpheu se reflecte nas ficções da mesma época, focando a sua análise em quatro delas: “A Estrada do Esquecimento”, “A Trincheira”, “Uma Carta da Argentina” e “A Perda do Hiate Nada”. Com um carácter estático, próximo do conceito de “Teatro Estático” que preside à concepção de “O Marinheiro”, estes contos ficcionam a transposição dos sentidos, a despersonalização, o diluir da personalidade individual no colectivo e os intervalos entre realidades, questões não só órficas, mas centrais na obra de Fernando Pessoa. The years close to the Orpheu project and its aesthetic and literary concept were a very creative time for Fernando Pessoa. If the poems written then – “Opiário”, “Ode Triunfal”, “Ode Marítima”, “Chuva Oblíqua”, “Gládio”, “Além-deus” – are among the most important in all his work, we do not know enough about his fictional writings. It is the objective of this article to make an analysis of the way the conceptual scenery of Orpheu’s poetry reflects itself in the fictions of same epoch, by focusing the analysis on four of them: “A Estrada do Esquecimento”, “A Trincheira”, “Uma Carta da Argentina” and “A Perda do Hiate Nada”. With a static character connected with the concept “Teatro Estático” that marked the play “O Marinheiro”, these tales fictionalize the transposition of the senses, depersonalization, the dilution of the individual’s personality into the collective and the interval between realities, all questions that belong not only to the Orpheu times, but to the work of Fernando Pessoa in general.