Publicação
Imunidade e especiação: o papel do gene TEP1 na divergência entre formas moleculares do vector de malária Anopheles gambiae (Diptera: Culicidae).
| Resumo: | Anopheles gambiae s.s., principal vector de malária em África, atravessa um processo de especiação incipiente representado por duas formas moleculares, designadas por M e S. Os mecanismos que conduziram a este processo continuam por esclarecer, mas verificou-se que a forma M está associada a biótopos larvares permanentes, com maior pressão de predadores e agentes patogénicos, e a forma S a criadouros temporários, onde essa pressão é menor. Recentemente, foi sugerida a importância do gene TEP1, envolvido na resposta imunitária do mosquito a agentes patogénicos, neste processo de especiação. Em locais onde M e S ocorrem em simpatria, observaram-se elevadas frequências de um alelo associado à resistência à infecção por Plasmodium sp na forma M e a sua ausência na forma S. Para testar a possibilidade da frequência elevada deste alelo na forma M ser uma consequência de pressão selectiva na fase larvar, foram analisados os padrões de variação do gene TEP1 entre formas moleculares em diferentes criadouros larvares. Em 2010, foram feitas colheitas entomológicas de larvas em criadouros permanentes e temporários e de adultos em Antula, Guiné-Bissau, um dos raros locais onde se observaram elevadas frequências de hibridização entre M e S. Foi feita a identificação molecular das espécies e formas moleculares do complexo An. gambiae através dos marcadores IGS e SINE200X1.6. O gene TEP1 foi genotipado por PCRRFLP e um fragmento de 450pb do domínio TED deste gene foi sequenciado. Surpreendentemente, a espécie Anopheles arabiensis foi identificada pela primeira vez na região de Antula. Este achado pode ser resultado de uma introdução recente deste vector nesta região. Problemas técnicos na identificação molecular das larvas do criadouro permanente impediram a análise dos padrões de variação do gene TEP1 entre diferentes tipos de criadouros larvares. Observou-se uma elevada frequência do alelo susceptível S1 do gene TEP1 e baixas frequências dos alelos resistentes R1 e R2. Apesar da elevada taxa de hibridação entre formas, o alelo R1 ocorreu associado exclusivamente à forma M que, consequentemente, apresentou uma maior diversidade genética, possivelmente devido a um processo de selecção balanceada. A forma S apresentou uma diversidade genética inferior, possivelmente como consequência de um processo de selecção positiva. |
|---|---|
| Autores principais: | GORDICHO, Vasco Miguel Ferreira |
| Assunto: | Parasitologia médica Anopheles gambiae Formas moleculares Criadouros larvares Especiação incipiente Gene TEP1 |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
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