Publicação
Comandos numa encruzilhada
| Resumo: | A maior parte das unidades militares destacadas para os territórios de combate durante a guerra colonial portuguesa (1961-1974) tinha publicações internas. Descritas na literatura internacional como jornais de soldados (soldier newspapers) ou jornais de trincheira (trench journals) e em Portugal denominados imprensa das unidades, este tipo de publicações tinha como objetivo criar espírito de corpo, justificar a guerra e dar aos soldados alguma informação sobre o que estava a ocorrer na metrópole e no mundo. Em Angola, o Centro de Instrução de Comandos também teve a sua revista, com o nome Comandos, impressa, com apenas 12 edições. A última delas foi em maio de 1974, sendo uma das poucas publicações militares após a Revolução dos Cravos. Editada por e dirigida à elite dos soldados do exército português, a força mais disciplinada de defesa do país e do regime, uma leitura da última edição desta revista mostra a perplexidade ante os acontecimentos na metrópole. Por um lado, traz uma descrição factual de seis páginas dos acontecimentos da revolução em Lisboa. Por outro, dedica duas páginas à sua interpretação, com a cópia de uma entrevista que Marcello Caetano deu a um jornal brasileiro, a reprodução de uma entrevista do ex-presidente brasileiro Jânio Quadros a uma revista brasileira em que este atribui a guerra colonial à teimosia de Salazar, que não quis negociar com as forças guerrilheiras, e citações de uma entrevista do líder socialista Mário Soares à revista norte-americana Time. Além disso, em outras páginas da revista nota-se uma modificação do tom político. Se no número anterior da revista tinham sido publicados poemas que glorificavam o sacrifício dos soldados que davam a vida pela pátria, na última edição da revista Comandos aparece um poema mencionando direitos humanos e liberdade. |
|---|---|
| Autores principais: | Rattner, Jair |
| Assunto: | Comandos Guerra colonial Imprensa das unidades Revolução de 25 de abril |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A maior parte das unidades militares destacadas para os territórios de combate durante a guerra colonial portuguesa (1961-1974) tinha publicações internas. Descritas na literatura internacional como jornais de soldados (soldier newspapers) ou jornais de trincheira (trench journals) e em Portugal denominados imprensa das unidades, este tipo de publicações tinha como objetivo criar espírito de corpo, justificar a guerra e dar aos soldados alguma informação sobre o que estava a ocorrer na metrópole e no mundo. Em Angola, o Centro de Instrução de Comandos também teve a sua revista, com o nome Comandos, impressa, com apenas 12 edições. A última delas foi em maio de 1974, sendo uma das poucas publicações militares após a Revolução dos Cravos. Editada por e dirigida à elite dos soldados do exército português, a força mais disciplinada de defesa do país e do regime, uma leitura da última edição desta revista mostra a perplexidade ante os acontecimentos na metrópole. Por um lado, traz uma descrição factual de seis páginas dos acontecimentos da revolução em Lisboa. Por outro, dedica duas páginas à sua interpretação, com a cópia de uma entrevista que Marcello Caetano deu a um jornal brasileiro, a reprodução de uma entrevista do ex-presidente brasileiro Jânio Quadros a uma revista brasileira em que este atribui a guerra colonial à teimosia de Salazar, que não quis negociar com as forças guerrilheiras, e citações de uma entrevista do líder socialista Mário Soares à revista norte-americana Time. Além disso, em outras páginas da revista nota-se uma modificação do tom político. Se no número anterior da revista tinham sido publicados poemas que glorificavam o sacrifício dos soldados que davam a vida pela pátria, na última edição da revista Comandos aparece um poema mencionando direitos humanos e liberdade. |
|---|