Publicação
Gestão da saúde pelo médico de família num utente com fibrose retroperitoneal idiopática: relato de caso
| Resumo: | Resumo Introdução: A fibrose retroperitoneal idiopática ou doença de Ormond é uma condição rara no contexto da medicina geral e familiar (MGF) e que desafia o médico de família (MF) para a exploração e gestão das alterações que esta patologia e o seu tratamento provocam no seguimento das comorbilidades em indivíduos com multipatologia. Descrição do caso: Utente do sexo feminino de 79 anos, viúva, pertencente a classe social média alta e autónoma. Em consulta de vigilância de risco cardiovascular refere cansaço, distensão e desconforto abdominal, sobretudo localizado ao hipogastro, e dor retroesternal com 15 dias de evolução. Ao exame objetivo dirigido salienta-se apenas dor à palpação do hipogastro e empastamento discreto na transição entre o flanco esquerdo e fossa ilíaca esquerda. Trazia análises que permitiram identificar anemia normocítica normocrómica e elevação nos parâmetros inflamatórios. Considerando o quadro clínico descrito e resultados analíticos foram solicitados exames complementares que evidenciaram dilatação pielocalicial bilateral e fibrose retroperitoneal. A utente foi orientada para consulta de urologia, tendo sido decidida colocação de cateter duplo J bilateral e início de corticoterapia. A terapêutica descompensou as patologias pré-existentes da utente, especificamente a diabetes mellitus, com necessidade de introdução e gestão de insulinoterapia. O novo diagnóstico e a descompensação das patologias prévias foram motivo de instabilidade na utente, que centrou no MF o necessário apoio e acompanhamento. No seguimento e após atingimento de remissão foram retirados os cateteres, com posterior recidiva e necessidade da sua recolocação e reinício de corticoterapia. Comentário: Destaca-se a partilha da gestão emocional e terapêutica do diagnóstico de fibrose retroperitoneal idiopática, com descontrolo de patologias pré-existentes e da prevenção dos efeitos secundários da terapêutica instituída. O papel de proximidade e disponibilidade do MF nesse acompanhamento e na vigilância de sinais e marcadores de recidiva de fibrose retroperitoneal idiopática constituiu um fator ansiolítico para a utente. A comunicação eficaz entre os diferentes cuidados de saúde no sistema de saúde mostra-se ainda deficitária e limita a gestão da doença, como exemplificado pela ausência de informação sobre o despiste de afeção de outros órgãos numa doença com possível atingimento mais sistémico. O presente caso, pela complexidade da sua gestão, vem sobrelevar o papel do MF nas suas diversas competências, conforme definidas pela associação mundial. |
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| Autores principais: | Roque,André Gomes |
| Outros Autores: | Bonifácio,Eliana |
| Assunto: | Fibrose retroperitoneal Médico de família Gestão da doença, comorbilidade Relato de caso |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | relatório |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Fundação para a Ciência e Tecnologia |
| Idioma: | português |
| Origem: | SciELO Portugal |
| Resumo: | Resumo Introdução: A fibrose retroperitoneal idiopática ou doença de Ormond é uma condição rara no contexto da medicina geral e familiar (MGF) e que desafia o médico de família (MF) para a exploração e gestão das alterações que esta patologia e o seu tratamento provocam no seguimento das comorbilidades em indivíduos com multipatologia. Descrição do caso: Utente do sexo feminino de 79 anos, viúva, pertencente a classe social média alta e autónoma. Em consulta de vigilância de risco cardiovascular refere cansaço, distensão e desconforto abdominal, sobretudo localizado ao hipogastro, e dor retroesternal com 15 dias de evolução. Ao exame objetivo dirigido salienta-se apenas dor à palpação do hipogastro e empastamento discreto na transição entre o flanco esquerdo e fossa ilíaca esquerda. Trazia análises que permitiram identificar anemia normocítica normocrómica e elevação nos parâmetros inflamatórios. Considerando o quadro clínico descrito e resultados analíticos foram solicitados exames complementares que evidenciaram dilatação pielocalicial bilateral e fibrose retroperitoneal. A utente foi orientada para consulta de urologia, tendo sido decidida colocação de cateter duplo J bilateral e início de corticoterapia. A terapêutica descompensou as patologias pré-existentes da utente, especificamente a diabetes mellitus, com necessidade de introdução e gestão de insulinoterapia. O novo diagnóstico e a descompensação das patologias prévias foram motivo de instabilidade na utente, que centrou no MF o necessário apoio e acompanhamento. No seguimento e após atingimento de remissão foram retirados os cateteres, com posterior recidiva e necessidade da sua recolocação e reinício de corticoterapia. Comentário: Destaca-se a partilha da gestão emocional e terapêutica do diagnóstico de fibrose retroperitoneal idiopática, com descontrolo de patologias pré-existentes e da prevenção dos efeitos secundários da terapêutica instituída. O papel de proximidade e disponibilidade do MF nesse acompanhamento e na vigilância de sinais e marcadores de recidiva de fibrose retroperitoneal idiopática constituiu um fator ansiolítico para a utente. A comunicação eficaz entre os diferentes cuidados de saúde no sistema de saúde mostra-se ainda deficitária e limita a gestão da doença, como exemplificado pela ausência de informação sobre o despiste de afeção de outros órgãos numa doença com possível atingimento mais sistémico. O presente caso, pela complexidade da sua gestão, vem sobrelevar o papel do MF nas suas diversas competências, conforme definidas pela associação mundial. |
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