Publicação
Os Portugueses no Sudeste Asiático (séculos XVI-XVII) - Revisitações historiográficas ou a persistência do “império informal”
| Resumo: | Resumo O presente artigo visa analisar criticamente a persistência da influência portuguesa em Timor e Solor após o colapso do Estado da Índia no Sudeste Asiático, no século XVII. Desafiando a narrativa tradicional de um declínio terminal após a perda de Malaca (1641), este estudo propõe o conceito de um "império por delegação", ou “império informal”. Argumenta-se que a soberania portuguesa na região foi, de facto, delegada a uma potência local e crioulizada, os Topasses ("Portugueses Negros"), que operavam com base nos seus próprios interesses. Por meio de uma análise que integra o conceito de "império informal" de Leonard Y. Andaya com as perspetivas indigenistas de Hans Hägerdal, o artigo demonstra que a força destes agentes híbridos emanava da sua capacidade de manipular múltiplas fontes de legitimidade - a europeia e a local. A análise conclui que a influência dos Topasses foi não só o mecanismo de sobrevivência de Portugal na região, mas também a matriz que forjou a identidade cultural e política única de Timor-Leste, oferecendo uma visão mais descentralizada e matizada da natureza adaptativa do império português. Revisitaremos ainda o meritório trabalho de António Manuel Hespanha (2019), Os Filhos da Terra, como revisitação sintética da historiografia portuguesa sobre as identidades mestiças no império português, em especial no longínquo Sudeste Asiático. |
|---|---|
| Autores principais: | Teixeira,Vitor |
| Assunto: | Império Português Topasses Timor História Luso-Asiática Império Informal Crioulização Andaya Hespanha. |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Fundação para a Ciência e Tecnologia |
| Idioma: | português |
| Origem: | SciELO Portugal |
| Resumo: | Resumo O presente artigo visa analisar criticamente a persistência da influência portuguesa em Timor e Solor após o colapso do Estado da Índia no Sudeste Asiático, no século XVII. Desafiando a narrativa tradicional de um declínio terminal após a perda de Malaca (1641), este estudo propõe o conceito de um "império por delegação", ou “império informal”. Argumenta-se que a soberania portuguesa na região foi, de facto, delegada a uma potência local e crioulizada, os Topasses ("Portugueses Negros"), que operavam com base nos seus próprios interesses. Por meio de uma análise que integra o conceito de "império informal" de Leonard Y. Andaya com as perspetivas indigenistas de Hans Hägerdal, o artigo demonstra que a força destes agentes híbridos emanava da sua capacidade de manipular múltiplas fontes de legitimidade - a europeia e a local. A análise conclui que a influência dos Topasses foi não só o mecanismo de sobrevivência de Portugal na região, mas também a matriz que forjou a identidade cultural e política única de Timor-Leste, oferecendo uma visão mais descentralizada e matizada da natureza adaptativa do império português. Revisitaremos ainda o meritório trabalho de António Manuel Hespanha (2019), Os Filhos da Terra, como revisitação sintética da historiografia portuguesa sobre as identidades mestiças no império português, em especial no longínquo Sudeste Asiático. |
|---|