Publicação
Hepatite C em pessoas com hemofilia: follow-up de longa data de uma coorte unicêntrica portuguesa
| Resumo: | Resumo: Introdução: A população de doentes com hemofilia (DCH) representa uma população com alta prevalência de infeção pelo vírus da hepatite C (VHC), atendendo à utilização passada de derivados sanguíneos contaminados. Apesar de os objetivos terapêuticos nesta população serem semelhantes aos da população geral, estudos de vida real com follow-up de longa data são ainda escassos. O nosso objetivo consistiu em avaliar os outcomes infeção VHC, bem como, os resultados da terapêutica antivírica nos DCH. Métodos: Foi avaliada retrospetivamente uma coorte unicêntrica de DCH com positividade para anti-VHC. Os outcomes registados foram a ocorrência de clearance espontâneo, resposta virológica sustentada (RVS), desenvolvimento de doença hepática terminal e mortalidade. Resultados: De 131 DCH, 73 (55.7%) apresentavam positividade para o anticorpo VHC. Durante um follow-up médio de 22 anos, 46 doentes (63.9%) desenvolveram hepatite crónica C, 16 (34.8%) dos quais com desenvolvimento de cirrose. Trinta e quatro DCH foram tratados, a maioria (n = 32) exposta previamente a regimes baseados no interferão (IFN) com RVS de 40.6%. Antivíricos de ação direta foram utilizados em 14 doentes experimentados a IFN e 2 naïves com uma taxa de RVS geral de 100%. Morte foi observada em 17 doentes (23.3%), apenas 4 relacionadas à doença hepática. Destes nenhum tinha atingido RVS. Conclusões: Descrevemos os outcomes de uma coorte portuguesa de DCH e VHC após duas décadas de follow-up, mostrando uma mortalidade inferior à previamente descrita. As taxas de RVS mostradas foram comparáveis com as da população geral salientando a importância do tratamento precoce. |
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| Autores principais: | Guedes,Tiago Pereira |
| Outros Autores: | Garrido,Mónica; Magalhães,Ricardo Kuttner; Moreira,Teresa; Rocha,Marta; Maia,Luís; Ferreira,José Manuel; Morais,Sara; Pedroto,Isabel |
| Assunto: | Hepatite C crónica Antivíricos de ação direta Doença hepática terminal Hemofilia A Hemofilia B |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Fundação para a Ciência e Tecnologia |
| Idioma: | português |
| Origem: | SciELO Portugal |
| Resumo: | Resumo: Introdução: A população de doentes com hemofilia (DCH) representa uma população com alta prevalência de infeção pelo vírus da hepatite C (VHC), atendendo à utilização passada de derivados sanguíneos contaminados. Apesar de os objetivos terapêuticos nesta população serem semelhantes aos da população geral, estudos de vida real com follow-up de longa data são ainda escassos. O nosso objetivo consistiu em avaliar os outcomes infeção VHC, bem como, os resultados da terapêutica antivírica nos DCH. Métodos: Foi avaliada retrospetivamente uma coorte unicêntrica de DCH com positividade para anti-VHC. Os outcomes registados foram a ocorrência de clearance espontâneo, resposta virológica sustentada (RVS), desenvolvimento de doença hepática terminal e mortalidade. Resultados: De 131 DCH, 73 (55.7%) apresentavam positividade para o anticorpo VHC. Durante um follow-up médio de 22 anos, 46 doentes (63.9%) desenvolveram hepatite crónica C, 16 (34.8%) dos quais com desenvolvimento de cirrose. Trinta e quatro DCH foram tratados, a maioria (n = 32) exposta previamente a regimes baseados no interferão (IFN) com RVS de 40.6%. Antivíricos de ação direta foram utilizados em 14 doentes experimentados a IFN e 2 naïves com uma taxa de RVS geral de 100%. Morte foi observada em 17 doentes (23.3%), apenas 4 relacionadas à doença hepática. Destes nenhum tinha atingido RVS. Conclusões: Descrevemos os outcomes de uma coorte portuguesa de DCH e VHC após duas décadas de follow-up, mostrando uma mortalidade inferior à previamente descrita. As taxas de RVS mostradas foram comparáveis com as da população geral salientando a importância do tratamento precoce. |
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