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A Ciência Política e a Crise da Democracia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Resumo O artigo explora as conexões entre a Ciência Política e a democracia diante da atual crise da democracia a nível global. Num momento em que se exige à Ciência Política que lidere a investigação sobre a referida crise, sobre as suas causas e consequências, o artigo desenvolve três argumentos principais e interrelacionados. Em primeiro lugar, defende que, na medida em que a democracia se revelou determinante para o nascimento, autonomização e evolução da Ciência Política nos países ocidentais, tal facto favoreceu o desenvolvimento de uma agenda de investigação claramente comprometida normativamente com a democracia e com a sua promoção. Em segundo lugar, argumenta que tal agenda de investigação desvalorizou largamente a possibilidade de ocorrer uma fragilização da democracia ou mesmo um recuo democrático nas democracias ocidentais. Em terceiro lugar, o artigo advoga que o avanço da crise da democracia em diversos países ocidentais, até recentemente classificados como democracias consolidadas, pode ameaçar o perfil que a Ciência Política enquanto disciplina desenvolveu ao longo de várias décadas no Ocidente. Este aspeto ajuda a compreender a dificuldade em conceber uma Ciência Política neutral e descomprometida normativamente face à democracia.
Autores principais:Fonseca,Pedro
Assunto:abordagem normativa Ciência Política crise da democracia democracia
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:Resumo O artigo explora as conexões entre a Ciência Política e a democracia diante da atual crise da democracia a nível global. Num momento em que se exige à Ciência Política que lidere a investigação sobre a referida crise, sobre as suas causas e consequências, o artigo desenvolve três argumentos principais e interrelacionados. Em primeiro lugar, defende que, na medida em que a democracia se revelou determinante para o nascimento, autonomização e evolução da Ciência Política nos países ocidentais, tal facto favoreceu o desenvolvimento de uma agenda de investigação claramente comprometida normativamente com a democracia e com a sua promoção. Em segundo lugar, argumenta que tal agenda de investigação desvalorizou largamente a possibilidade de ocorrer uma fragilização da democracia ou mesmo um recuo democrático nas democracias ocidentais. Em terceiro lugar, o artigo advoga que o avanço da crise da democracia em diversos países ocidentais, até recentemente classificados como democracias consolidadas, pode ameaçar o perfil que a Ciência Política enquanto disciplina desenvolveu ao longo de várias décadas no Ocidente. Este aspeto ajuda a compreender a dificuldade em conceber uma Ciência Política neutral e descomprometida normativamente face à democracia.