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Mimetismo colonial e reprodução animal: carneiros caracul no Sudoeste angolano

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este texto explora a relação entre reprodução de colonos portugueses e reprodução de carneiros caracul no Sul de Angola. Segue-se a pista dos caraculos, desde o Sudoeste Africano sob ocupação alemã até ao deserto de Moçâmedes, usando-se o conceito de mimese para dar conta de práticas coloniais do Terceiro Império. O Posto Experimental do Caracul (PEC), fundado em 1948, serve como local de prova de tais práticas, combinando num mesmo espaço experiências de inseminação artificial de carneiros com outras mais inesperadas de sociabilidade colonial, como a organização de um “bairro indígena”, a reproduzir por toda a região, que imitava uma onganda de kuvales, bem como uma casa-modelo de colono. A apropriação por Gilberto Freyre do caracul como corporização do luso-tropicalismo contribui para fazer deste carneiro um objeto de investigação privilegiado para pensar a natureza do colonialismo português.
Autores principais:Saraiva,Tiago
Assunto:caracul Sudoeste de Angola Gilberto Freyre mimetismo kuvale colonos
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:Este texto explora a relação entre reprodução de colonos portugueses e reprodução de carneiros caracul no Sul de Angola. Segue-se a pista dos caraculos, desde o Sudoeste Africano sob ocupação alemã até ao deserto de Moçâmedes, usando-se o conceito de mimese para dar conta de práticas coloniais do Terceiro Império. O Posto Experimental do Caracul (PEC), fundado em 1948, serve como local de prova de tais práticas, combinando num mesmo espaço experiências de inseminação artificial de carneiros com outras mais inesperadas de sociabilidade colonial, como a organização de um “bairro indígena”, a reproduzir por toda a região, que imitava uma onganda de kuvales, bem como uma casa-modelo de colono. A apropriação por Gilberto Freyre do caracul como corporização do luso-tropicalismo contribui para fazer deste carneiro um objeto de investigação privilegiado para pensar a natureza do colonialismo português.