Publicação
ALÉM DA DOR: ESTRATÉGIAS INTEGRADAS DE SAÚDE OCUPACIONAL
| Resumo: | RESUMO Introdução: A cefaleia é uma perturbação neurológica comum e incapacitante, afetando cerca de 52% da população mundial anualmente, com maior prevalência em mulheres. Apesar da sua ubiquidade, o seu impacto na saúde pública é frequentemente subestimado, especialmente no contexto laboral. O trabalho por turnos emerge como um potencial fator de risco ocupacional, associado a uma maior prevalência de cefaleias inespecíficas e enxaquecas, bem como a um risco aumentado de enxaqueca crónica e maior incapacidade. O caso apresentado pretende destacar a importância de considerar os fatores ocupacionais na gestão das cefaleias, sugerindo que a mitigação dos desencadeantes laborais pode ser um complemento valioso à terapêutica farmacológica no tratamento desta condição. Caso clínico: Apresenta-se o caso de uma enfermeira de 27 anos com história de cefaleias desde os 16 anos, inicialmente bem controlada com ibuprofeno. Há um ano, verificou-se um agravamento significativo do quadro, com aumento da frequência e intensidade das crises, acompanhadas de sintomatologia neurovegetativa que afetavam o seu desempenho laboral. O acompanhamento em neurologia confirmou o agravamento, tendo os exames de imagem descartado alterações estruturais cerebrais que justificassem a condição. Apesar de múltiplas estratégias de terapêutica farmacológica, não obteve resposta clínica completamente satisfatória, pelo que solicitou apoio à medicina do trabalho para controlo dos desencadeantes laborais. Daqui resultou a atribuição de um horário de trabalho regular, com redução do trabalho noturno e horas suplementares. Três meses após a implementação destas medidas, observava-se uma redução na frequência das crises e diminuição do uso de medicação, assim como redução do absentismo laboral. Discussão/Conclusão: O caso clínico apresentado ilustra a importância de uma abordagem multidisciplinar na gestão dos casos de cefaleia com desencadeantes laborais. Estratégias como maior suporte social, controlo sobre tarefas laborais e espaços de trabalho adequados podem aumentar a produtividade dos trabalhadores afetados. No caso apresentado, a adaptação do horário de trabalho resultou numa redução da frequência e intensidade das crises, facto reforçado pela diminuição objetivada do absentismo laboral. Conclui-se que, além da terapêutica farmacológica, as modificações no estilo de vida e no ambiente de trabalho são essenciais para o controlo eficaz das cefaleias. Por fim, recomenda-se a realização de estudos mais amplos sobre intervenções ocupacionais e o desenvolvimento de protocolos específicos para a gestão desta condição nos locais de trabalho. |
|---|---|
| Autores principais: | Meneses,J |
| Outros Autores: | Sousa,B; Teixeira,V; Oliveira,A |
| Assunto: | Cefaleia Medicina do Trabalho Risco laboral Prevenção Saúde Ocupacional |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | relatório |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Fundação para a Ciência e Tecnologia |
| Idioma: | português |
| Origem: | SciELO Portugal |
| Resumo: | RESUMO Introdução: A cefaleia é uma perturbação neurológica comum e incapacitante, afetando cerca de 52% da população mundial anualmente, com maior prevalência em mulheres. Apesar da sua ubiquidade, o seu impacto na saúde pública é frequentemente subestimado, especialmente no contexto laboral. O trabalho por turnos emerge como um potencial fator de risco ocupacional, associado a uma maior prevalência de cefaleias inespecíficas e enxaquecas, bem como a um risco aumentado de enxaqueca crónica e maior incapacidade. O caso apresentado pretende destacar a importância de considerar os fatores ocupacionais na gestão das cefaleias, sugerindo que a mitigação dos desencadeantes laborais pode ser um complemento valioso à terapêutica farmacológica no tratamento desta condição. Caso clínico: Apresenta-se o caso de uma enfermeira de 27 anos com história de cefaleias desde os 16 anos, inicialmente bem controlada com ibuprofeno. Há um ano, verificou-se um agravamento significativo do quadro, com aumento da frequência e intensidade das crises, acompanhadas de sintomatologia neurovegetativa que afetavam o seu desempenho laboral. O acompanhamento em neurologia confirmou o agravamento, tendo os exames de imagem descartado alterações estruturais cerebrais que justificassem a condição. Apesar de múltiplas estratégias de terapêutica farmacológica, não obteve resposta clínica completamente satisfatória, pelo que solicitou apoio à medicina do trabalho para controlo dos desencadeantes laborais. Daqui resultou a atribuição de um horário de trabalho regular, com redução do trabalho noturno e horas suplementares. Três meses após a implementação destas medidas, observava-se uma redução na frequência das crises e diminuição do uso de medicação, assim como redução do absentismo laboral. Discussão/Conclusão: O caso clínico apresentado ilustra a importância de uma abordagem multidisciplinar na gestão dos casos de cefaleia com desencadeantes laborais. Estratégias como maior suporte social, controlo sobre tarefas laborais e espaços de trabalho adequados podem aumentar a produtividade dos trabalhadores afetados. No caso apresentado, a adaptação do horário de trabalho resultou numa redução da frequência e intensidade das crises, facto reforçado pela diminuição objetivada do absentismo laboral. Conclui-se que, além da terapêutica farmacológica, as modificações no estilo de vida e no ambiente de trabalho são essenciais para o controlo eficaz das cefaleias. Por fim, recomenda-se a realização de estudos mais amplos sobre intervenções ocupacionais e o desenvolvimento de protocolos específicos para a gestão desta condição nos locais de trabalho. |
|---|