Publicação

Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A interpretação de frases, e em particular a interpretação de frases condicionais, pode ser modulada quer pelo significado das mesmas, pelos referentes, ou pelos conhecimentos gerais. O presente estudo examina o efeito pragmático dos conhecimentos no raciocínio a partir de pares de premissas condicionais. De acordo com a teoria dos modelos, inferências com a mesma forma, mas com conteúdos diferentes, deverão gerar um padrão de inferências diferente. Consideremos as seguintes premissas: Se a Maria não está em Paris, então ela está em França. Se a Maria está em França, então ele é estudante. A primeira premissa explora a inclusão espacial (Paris é em França), pelo que numa possibilidade Maria não está em Paris mas está em França, e noutra possibilidade Maria está em Paris e portanto está também em França. Assim, é impossível a Maria não estar em França, pelo que os indivíduos tenderão a inferir a partir da segunda premissa que ela é estudante. Em contraste, se considerarmos as seguintes premissas, que tem a mesma forma que as do exemplo anterior, mas um conteúdo diferente: Se o João não está em Roma, então ele está em França. Se o João está em França, então ele é estudante. A primeira premissa explora a exclusão espacial (Roma não é em França), pelo que numa possibilidade João não está em Roma e está em França, e noutra possibilidade ele está em Roma e não está em França. Assim, os indivíduos não têm nenhuma base para a inferência categórica de que ele é estudante, e deverão tender para a conclusão condicional de que Se o João não está em Roma então ele é estudante. Os problemas de inclusão geram menos possibilidades do que os problemas de exclusão, pelo que a teoria dos modelos prediz que os problemas de inclusão deverão ser mais fáceis do que os problemas de exclusão. O artigo relata duas experiências que corroboram as previsões da teoria dos modelos. Na Experiência 1, os participantes dão mais conclusões categóricas nas premissas de inclusão, mas apenas algumas conclusões condicionais nas premissas de exclusão. De facto, com as premissas de exclusão, obtém-se muitas conclusões outras. Para evitar isso fizemos uma segunda experiência, onde os participantes escolhem a conclusão a partir de quatro que são fornecidas: conclusão categórica; conclusão condicional; ambas; nenhuma (ao contrário da Experiência 1, onde os participantes escreviam a conclusão). A Experiência 2 replica a superioridade de conclusões categóricas com as premissas de inclusão, e encontra a superioridade de conclusões condicionais com as premissas de exclusão.
Autores principais:Quelhas,Ana Cristina
Outros Autores:Johnson-Laird,P. N.
Assunto:Raciocínio condicional conhecimentos modelos mentais
Ano:2004
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
_version_ 1868441637308334080
author Quelhas,Ana Cristina
author2 Johnson-Laird,P. N.
author2_role author
author_facet Quelhas,Ana Cristina
Johnson-Laird,P. N.
author_role author
country_str PT
creators_json_txt [{\"Person.name\":\"Quelhas,Ana Cristina\"},{\"Person.name\":\"Johnson-Laird,P. N.\"}]
datacite.creators.creator.creatorName.fl_str_mv Quelhas,Ana Cristina
Johnson-Laird,P. N.
datacite.rights.fl_str_mv http://purl.org/coar/access_right/c_abf2
datacite.subjects.subject.fl_str_mv Raciocínio condicional
conhecimentos
modelos mentais
datacite.titles.title.fl_str_mv Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
dc.creator.none.fl_str_mv Quelhas,Ana Cristina
Johnson-Laird,P. N.
dc.format.none.fl_str_mv text/html
dc.identifier.none.fl_str_mv http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312004000200001
dc.language.none.fl_str_mv por
dc.publisher.none.fl_str_mv ISPA-Instituto Universitário
dc.rights.none.fl_str_mv http://purl.org/coar/access_right/c_abf2
dc.source.none.fl_str_mv Análise Psicológica v.22 n.2 2004
dc.subject.none.fl_str_mv Raciocínio condicional
conhecimentos
modelos mentais
dc.title.fl_str_mv Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
dc.type.none.fl_str_mv http://purl.org/coar/resource_type/c_6501
description A interpretação de frases, e em particular a interpretação de frases condicionais, pode ser modulada quer pelo significado das mesmas, pelos referentes, ou pelos conhecimentos gerais. O presente estudo examina o efeito pragmático dos conhecimentos no raciocínio a partir de pares de premissas condicionais. De acordo com a teoria dos modelos, inferências com a mesma forma, mas com conteúdos diferentes, deverão gerar um padrão de inferências diferente. Consideremos as seguintes premissas: Se a Maria não está em Paris, então ela está em França. Se a Maria está em França, então ele é estudante. A primeira premissa explora a inclusão espacial (Paris é em França), pelo que numa possibilidade Maria não está em Paris mas está em França, e noutra possibilidade Maria está em Paris e portanto está também em França. Assim, é impossível a Maria não estar em França, pelo que os indivíduos tenderão a inferir a partir da segunda premissa que ela é estudante. Em contraste, se considerarmos as seguintes premissas, que tem a mesma forma que as do exemplo anterior, mas um conteúdo diferente: Se o João não está em Roma, então ele está em França. Se o João está em França, então ele é estudante. A primeira premissa explora a exclusão espacial (Roma não é em França), pelo que numa possibilidade João não está em Roma e está em França, e noutra possibilidade ele está em Roma e não está em França. Assim, os indivíduos não têm nenhuma base para a inferência categórica de que ele é estudante, e deverão tender para a conclusão condicional de que Se o João não está em Roma então ele é estudante. Os problemas de inclusão geram menos possibilidades do que os problemas de exclusão, pelo que a teoria dos modelos prediz que os problemas de inclusão deverão ser mais fáceis do que os problemas de exclusão. O artigo relata duas experiências que corroboram as previsões da teoria dos modelos. Na Experiência 1, os participantes dão mais conclusões categóricas nas premissas de inclusão, mas apenas algumas conclusões condicionais nas premissas de exclusão. De facto, com as premissas de exclusão, obtém-se muitas conclusões outras. Para evitar isso fizemos uma segunda experiência, onde os participantes escolhem a conclusão a partir de quatro que são fornecidas: conclusão categórica; conclusão condicional; ambas; nenhuma (ao contrário da Experiência 1, onde os participantes escreviam a conclusão). A Experiência 2 replica a superioridade de conclusões categóricas com as premissas de inclusão, e encontra a superioridade de conclusões condicionais com as premissas de exclusão.
dirty 0
eu_rights_str_mv openAccess
format article
id scielopt_c015e2d2730e673048cfa5beffbd1639
identifier.url.fl_str_mv http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312004000200001
instacron_str SciELO
institution Fundação para a Ciência e Tecnologia
instname_str Fundação para a Ciência e Tecnologia
language por
network_acronym_str scielopt
network_name_str SciELO Portugal
oai_identifier_str oai:scielo:S0870-82312004000200001
organization_str_mv urn:organizationAcronym:scielo
person_str_mv Quelhas,Ana Cristina
Johnson-Laird,P. N.
publishDate 2004
publisher.none.fl_str_mv ISPA-Instituto Universitário
reponame_str SciELO Portugal
repository_id_str urn:repositoryAcronym:scielopt
service_str_mv urn:repositoryAcronym:scielopt
spelling Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicionalQuelhas,Ana CristinaJohnson-Laird,P. N.Raciocínio condicionalconhecimentosmodelos mentaisopen accesshttp://purl.org/coar/access_right/c_abf2http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312004000200001URLhttp://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312004000200001URLHasVersion2004-06-01A interpretação de frases, e em particular a interpretação de frases condicionais, pode ser modulada quer pelo significado das mesmas, pelos referentes, ou pelos conhecimentos gerais. O presente estudo examina o efeito pragmático dos conhecimentos no raciocínio a partir de pares de premissas condicionais. De acordo com a teoria dos modelos, inferências com a mesma forma, mas com conteúdos diferentes, deverão gerar um padrão de inferências diferente. Consideremos as seguintes premissas: Se a Maria não está em Paris, então ela está em França. Se a Maria está em França, então ele é estudante. A primeira premissa explora a inclusão espacial (Paris é em França), pelo que numa possibilidade Maria não está em Paris mas está em França, e noutra possibilidade Maria está em Paris e portanto está também em França. Assim, é impossível a Maria não estar em França, pelo que os indivíduos tenderão a inferir a partir da segunda premissa que ela é estudante. Em contraste, se considerarmos as seguintes premissas, que tem a mesma forma que as do exemplo anterior, mas um conteúdo diferente: Se o João não está em Roma, então ele está em França. Se o João está em França, então ele é estudante. A primeira premissa explora a exclusão espacial (Roma não é em França), pelo que numa possibilidade João não está em Roma e está em França, e noutra possibilidade ele está em Roma e não está em França. Assim, os indivíduos não têm nenhuma base para a inferência categórica de que ele é estudante, e deverão tender para a conclusão condicional de que Se o João não está em Roma então ele é estudante. Os problemas de inclusão geram menos possibilidades do que os problemas de exclusão, pelo que a teoria dos modelos prediz que os problemas de inclusão deverão ser mais fáceis do que os problemas de exclusão. O artigo relata duas experiências que corroboram as previsões da teoria dos modelos. Na Experiência 1, os participantes dão mais conclusões categóricas nas premissas de inclusão, mas apenas algumas conclusões condicionais nas premissas de exclusão. De facto, com as premissas de exclusão, obtém-se muitas conclusões outras. Para evitar isso fizemos uma segunda experiência, onde os participantes escolhem a conclusão a partir de quatro que são fornecidas: conclusão categórica; conclusão condicional; ambas; nenhuma (ao contrário da Experiência 1, onde os participantes escreviam a conclusão). A Experiência 2 replica a superioridade de conclusões categóricas com as premissas de inclusão, e encontra a superioridade de conclusões condicionais com as premissas de exclusão.ISPA-Instituto UniversitárioAnálise Psicológica v.22 n.2 2004text/htmlporjournal articlehttp://purl.org/coar/resource_type/c_6501literature
spellingShingle Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
Quelhas,Ana Cristina
Raciocínio condicional
conhecimentos
modelos mentais
status SINGLETON
subject.fl_str_mv Raciocínio condicional
conhecimentos
modelos mentais
title Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
title_full Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
title_fullStr Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
title_full_unstemmed Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
title_short Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
title_sort Conhecimentos, modelos, e raciocínio condicional
topic Raciocínio condicional
conhecimentos
modelos mentais
topic_facet Raciocínio condicional
conhecimentos
modelos mentais
url http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312004000200001
visible 1