Publicação

Morbilidade materna grave - casuística de 12 anos de um centro hospitalar terciário

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Resumo Introdução e Objetivo: A morbilidade materna grave (MMG) é considerada indicador de qualidade dos sistemas de saúde e da prática obstétrica, dado o risco que representa para morte materna, repercussões físicas e psicológicas para as mulheres, bem como pelo impacto negativo sobre a morbimortalidade perinatal e infantil. Este estudo tem como objetivos: analisar casos de MMG, averiguando causas, fatores de risco e complicações que motivaram internamento na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) durante a gravidez e/ou o puerpério. Desenho de estudo: Observacional, retrospetivo. População: Grávidas e puérperas com internamento na UCI. Metodologia: Análise dos processos clínicos das grávidas e puérperas internadas na UCI de um hospital terciário, provenientes e/ou ao cuidado do Serviço de Obstetrícia do respetivo hospital, de janeiro/2012 a dezembro/2023. Obtidos 104 casos, de 28.409 partos, nos quais foram analisados antecedentes maternos e obstétricos, vigilância e complicações durante a gravidez e pós-parto, idade gestacional aquando do internamento na UCI, motivos, intervenções e tempo de internamento na UCI e consequências futuras. Resultados: A maioria era nulípara; quase metade primigesta; mais de metade tinha pelo menos um fator de risco para MMG, incluindo cesariana em 81.2%. Os principais motivos de internamento na UCI foram complicações obstétricas peri-parto: pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome HELLP e hemorragia pós-parto. No internamento ocorreram: novas complicações em 22%; necessidade de reintervenção cirúrgica em 14%; histerectomia em 18.3%. Registou-se um óbito materno. Conclusão: A taxa de MMG foi semelhante à da literatura atual e foram corroboradas as principais causas de MMG. Este estudo permite reafirmar que é crucial: identificação precoce de fatores de risco para MMG; acompanhamento pré-natal individualizado; vigilância adequada no período peri-parto e pós-parto; programas de prevenção e atuação precoce perante complicações com risco de MMG; parto vaginal preferencial; equipa multidisciplinar.
Autores principais:Mourato,Ana Margarida
Outros Autores:Ribeiro,Vera; Silva,Ana Paula
Assunto:Morbilidade materna Complicações maternas Complicações pós-parto Unidade de Cuidados Intensivos
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:Resumo Introdução e Objetivo: A morbilidade materna grave (MMG) é considerada indicador de qualidade dos sistemas de saúde e da prática obstétrica, dado o risco que representa para morte materna, repercussões físicas e psicológicas para as mulheres, bem como pelo impacto negativo sobre a morbimortalidade perinatal e infantil. Este estudo tem como objetivos: analisar casos de MMG, averiguando causas, fatores de risco e complicações que motivaram internamento na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) durante a gravidez e/ou o puerpério. Desenho de estudo: Observacional, retrospetivo. População: Grávidas e puérperas com internamento na UCI. Metodologia: Análise dos processos clínicos das grávidas e puérperas internadas na UCI de um hospital terciário, provenientes e/ou ao cuidado do Serviço de Obstetrícia do respetivo hospital, de janeiro/2012 a dezembro/2023. Obtidos 104 casos, de 28.409 partos, nos quais foram analisados antecedentes maternos e obstétricos, vigilância e complicações durante a gravidez e pós-parto, idade gestacional aquando do internamento na UCI, motivos, intervenções e tempo de internamento na UCI e consequências futuras. Resultados: A maioria era nulípara; quase metade primigesta; mais de metade tinha pelo menos um fator de risco para MMG, incluindo cesariana em 81.2%. Os principais motivos de internamento na UCI foram complicações obstétricas peri-parto: pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome HELLP e hemorragia pós-parto. No internamento ocorreram: novas complicações em 22%; necessidade de reintervenção cirúrgica em 14%; histerectomia em 18.3%. Registou-se um óbito materno. Conclusão: A taxa de MMG foi semelhante à da literatura atual e foram corroboradas as principais causas de MMG. Este estudo permite reafirmar que é crucial: identificação precoce de fatores de risco para MMG; acompanhamento pré-natal individualizado; vigilância adequada no período peri-parto e pós-parto; programas de prevenção e atuação precoce perante complicações com risco de MMG; parto vaginal preferencial; equipa multidisciplinar.