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Vegetarianismo e comportamento alimentar : comportamentos alimentares disfuncionais e hábitos alimentares em dietas vegetarianas

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Resumo:As escolhas alimentares exercem uma influência significativa na génese, manutenção e agravamento do quadro clínico do paciente. Quando corretamente planeadas, as dietas apoiadas no vegetarianismo são nutricionalmente equilibradas. Contudo, dada a legitimidade da restrição alimentar que lhe é característica, a comunidade científica levanta a hipótese de esta mascarar comportamentos alimentares disfuncionais. Dado ao crescente interesse nesta prática e à escassez da sua investigação empírica em Portugal, este estudo visa identificar o perfil dietético e analisar o comportamento alimentar de mulheres vegetarianas portuguesas. O instrumento de avaliação utilizado foi um questionário de autopreenchimento online, através do software de investigação SurveyMonkey, como meio de permitir uma maior adesão de participantes, dividido em três grupos, de acordo com os objetivos de estudo, com o grupo I referente a dados socioeconómicos, o grupo II à frequência alimentar e o grupo III constituído pela escala traduzida e validada para a população portuguesa Eating Disorder Examination Questionnaire (EDE-Q) versão 5.2. Como critérios de inclusão consideraram-se: ser mulher, entre 18 a 65 anos, seguir uma dieta vegetariana, estar registado no Centro Vegetariano de Portugal ou pertencer a pelo menos um dos seguintes grupos de Facebook – Vegetarianos de Portugal ou Vegan de Portugal, e ter concluído o questionário corretamente. O questionário foi enviado a um total de 10113 participantes e contou com um total de 539 mulheres vegetarianas portuguesas, com uma média de idades de 31,3 anos (Dp=8,6 anos). Predominavam as mulheres que seguiam a dieta ovo-lacto-vegetariana (43,3%), dieta vegan (33,0%) e a pesco-vegetariana (12,0%). Relativamente à frequência alimentar, de forma geral, as proporções de consumo diárias encontram-se na sua maioria dentro das recomendações gerais. As patologias mais frequentes relatadas foram a Doença da Tiroide (6,6%) e a Depressão (1,9%), e as menos frequentes a Doença Cardiovascular (0,6%) e a Doença Renal (0,4%) De acordo com os critérios de sinalização do EDE-Q, foram identificados no nosso estudo 12 casos (2,5%) com uma Escala Global> 4, das quais oito são Vegan (5%). Relativamente às subescalas, foram identificados 44 casos (9,2%) na subescala da Preocupação com a Forma, 29 casos (6,2%) na subescala Preocupação com o peso e 13 casos (2,7%) na subescala da Restrição Alimentar. Destaca-se que 25,4% das mulheres refere pelo menos um episódio de ingestão alimentar compulsiva e perda de controlo por semana, 10,5% pelo menos um episódio de IAC regular e 2,2% apresenta IMC inferior a 17,5. De acordo com os critérios definidos para indicação de possíveis Perturbações Alimentares (PA), foram identificados 4 casos de Bulimia nervosa (BN), um caso de Anorexia Nervosa (AN) e 50 casos de Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva (PIAC). A identificação destes traços comportamentais pode ser útil e preditiva na despistagem para a possível presença de Perturbações Alimentares (PA).
Autores principais:Rola, Catarina, 1988-
Assunto:Vegetarianismo Mulheres Comportamento alimentar Perturbações alimentares Teses de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
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