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A Leishmaniose em indivíduos infectados com HIV: Influência da patogénese na clínica, imunologia, tratamento e prevenção

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Resumo:A Leishmaniose é uma designação comum para as doenças provocadas pelos protozoários do género Leishmania. A transmissão é feita pela picada de um flebótomo ou flebotomíneo infectado, em geral, por um ciclo zoonótico. O principal reservatório do protozoário, no ciclo zoonótico, é o cão. Países como o Brasil, a Etiópia e a Índia apresentam uma elevada prevalência de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e sendo países endémicos para a Leishmaniose visceral (LV) há um risco acrescido de ocorrência de co-infecções. Quer o HIV, quer a Leishmania spp. podem também ser transmitidos por via sanguínea, como por exemplo na partilha de agulhas contaminadas. Na co-infecção HIV-Leishmania a maioria dos casos apresenta a forma clínica de LV, a mais grave. L. donovani e L. infantum são os principais agentes etiológicos de LV. O diagnóstico de LV é mais difícil na co-infecção HIV-Leishmania e esta última apresenta menor probabilidade de cura, maior toxicidade medicamentosa, maior probabilidade de recorrências, e maiores números de óbitos. Mais de 40% dos co-infectados não apresentam níveis detectáveis de anticorpos específicos contra a Leishmania spp. Cerca de metade dos co-infectados desenvolvem critérios de síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) dentro de 2 meses após o diagnóstico de LV. Estes protozoários podem infectar células fagocitárias como os macrófagos e as células dendríticas. A infecção pela Leishmania spp. induz uma activação crónica do sistema imunitário e nos indivíduos infectados pelo HIV ocorre a activação do vírus latente, há um aumento da carga viral e evolução clinica para SIDA. Na co-infecção HIV-Leishmania, o HIV contribui para uma maior multiplicação intracelular do protozoário. A resposta imunitária mediada pelos linfócitos T auxiliares do tipo 2 (TH2) aumenta a susceptibilidade a infecções por agentes patogénicos intracelulares como vírus e a Leishmania spp., desactivando os macrófagos e prevenindo a produção das citocinas do tipo TH1. A resposta imunitária protectora à Leishmaniose é mediada pelos linfócitos T auxiliares do tipo 1 (TH1). Na LV há uma mistura das respostas TH1 e TH2 contudo a resposta TH2 tende a dominar quando ambas são activadas. O tratamento geralmente não consegue eliminar todos os parasitas e uma infecção subclínica (assintomática) persiste. Nos indivíduos co-infectados as recorrências da doença são frequentes.
Autores principais:Oliveira, José Luís Parreira de
Assunto:Leishmaniose HIV Patogénese Tratamento Co-infecção Mestrado Integrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Leishmaniose é uma designação comum para as doenças provocadas pelos protozoários do género Leishmania. A transmissão é feita pela picada de um flebótomo ou flebotomíneo infectado, em geral, por um ciclo zoonótico. O principal reservatório do protozoário, no ciclo zoonótico, é o cão. Países como o Brasil, a Etiópia e a Índia apresentam uma elevada prevalência de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e sendo países endémicos para a Leishmaniose visceral (LV) há um risco acrescido de ocorrência de co-infecções. Quer o HIV, quer a Leishmania spp. podem também ser transmitidos por via sanguínea, como por exemplo na partilha de agulhas contaminadas. Na co-infecção HIV-Leishmania a maioria dos casos apresenta a forma clínica de LV, a mais grave. L. donovani e L. infantum são os principais agentes etiológicos de LV. O diagnóstico de LV é mais difícil na co-infecção HIV-Leishmania e esta última apresenta menor probabilidade de cura, maior toxicidade medicamentosa, maior probabilidade de recorrências, e maiores números de óbitos. Mais de 40% dos co-infectados não apresentam níveis detectáveis de anticorpos específicos contra a Leishmania spp. Cerca de metade dos co-infectados desenvolvem critérios de síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) dentro de 2 meses após o diagnóstico de LV. Estes protozoários podem infectar células fagocitárias como os macrófagos e as células dendríticas. A infecção pela Leishmania spp. induz uma activação crónica do sistema imunitário e nos indivíduos infectados pelo HIV ocorre a activação do vírus latente, há um aumento da carga viral e evolução clinica para SIDA. Na co-infecção HIV-Leishmania, o HIV contribui para uma maior multiplicação intracelular do protozoário. A resposta imunitária mediada pelos linfócitos T auxiliares do tipo 2 (TH2) aumenta a susceptibilidade a infecções por agentes patogénicos intracelulares como vírus e a Leishmania spp., desactivando os macrófagos e prevenindo a produção das citocinas do tipo TH1. A resposta imunitária protectora à Leishmaniose é mediada pelos linfócitos T auxiliares do tipo 1 (TH1). Na LV há uma mistura das respostas TH1 e TH2 contudo a resposta TH2 tende a dominar quando ambas são activadas. O tratamento geralmente não consegue eliminar todos os parasitas e uma infecção subclínica (assintomática) persiste. Nos indivíduos co-infectados as recorrências da doença são frequentes.