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Perceções sobre a influência do género na aprendizagem das ciências e no prosseguimento de carreiras científicas : um estudo de métodos mistos

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Resumo:Apesar das evidências mostrarem que as raparigas começam a ser mais bem sucedidas academicamente do que os rapazes, o olhar sobre as salas de aula mostra que rapazes e raparigas continuam a ser socializados de formas que condicionam a equidade dos géneros. Continua também a ser evidente uma polarização masculina/feminina nas escolhas das carreiras profissionais em determinadas áreas, pois, não obstante haver uma maioria de estudantes universitárias, com maior rendimento académico, eles continuam a ter carreiras mais técnicas e elas carreiras mais ligadas às áreas sociais e de prestação de cuidados, decididas logo à entrada do ensino secundário. A evolução registada nas últimas décadas em relação ao número de mulheres em carreiras científicas desacredita uma teoria biológica de capacidades inatas para este desempenho. A explicação das diferentes opções nas carreiras profissionais em função do género será mais emocional e sociológica, constituindo os estereótipos de género barreiras, muitas vezes invisíveis, difíceis de ultrapassar. A investigação descrita pretendeu construir conhecimento sobre os estereótipos que docentes e estudantes possuem acerca da influência do género na aprendizagem das ciências e sobre o eventual impacto que estes podem ter, para ambos os géneros, no processo de ensino, no processo de aprendizagem, e na opção por carreiras científicas. Com uma metodologia de métodos mistos, inicialmente procedeu-se à recolha de dados por questionário, junto de estudantes de 9º ano (523) e docentes de ciências (77), e posteriormente foram realizadas entrevistadas a três profissionais que optaram por carreiras pouco usuais para o seu género. Da investigação emergiram várias conclusões das quais se destacam as seguintes: - as diferenças que se encontram entre o modo como rapazes e raparigas aprendem são menores do que as semelhanças registadas; - também não se registam grandes diferenças, entre professoras e professores, no modo como ensinam; - é pouco frequente encontrar estereótipos de género relativos ao desempenho e competências nas ciências em alunos, alunas e docentes do ensino básico e secundário; - as escolhas profissionais estão condicionadas por estereótipos de género que se encontram presentes quer em estudantes, quer em docentes; - as/os docentes e o apoio da família são fundamentais na opção por uma profissão pouco usual para o género; - as características individuais são mais importantes para se ser bem-sucedido profissionalmente do que o género de pertença. Afigura-se fundamental olhar para as práticas docentes que, continuando distantes das práticas defendidas pela pesquisa em didática das ciências, poderão estar a interferir de forma negativa na aprendizagem, prejudicando quer rapazes quer raparigas. Será ainda fundamental que a classe docente tome consciência dos estereótipos de género, tantas vezes esquecidos, para que consigam criar um ambiente de sala de aula mais equitativo, capaz de anular os estereótipos sociais que retiram, quer a rapazes, quer a raparigas, a liberdade de escolha das suas futuras carreiras profissionais.
Autores principais:Oliveira, Margarida
Assunto:Teses de doutoramento - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Apesar das evidências mostrarem que as raparigas começam a ser mais bem sucedidas academicamente do que os rapazes, o olhar sobre as salas de aula mostra que rapazes e raparigas continuam a ser socializados de formas que condicionam a equidade dos géneros. Continua também a ser evidente uma polarização masculina/feminina nas escolhas das carreiras profissionais em determinadas áreas, pois, não obstante haver uma maioria de estudantes universitárias, com maior rendimento académico, eles continuam a ter carreiras mais técnicas e elas carreiras mais ligadas às áreas sociais e de prestação de cuidados, decididas logo à entrada do ensino secundário. A evolução registada nas últimas décadas em relação ao número de mulheres em carreiras científicas desacredita uma teoria biológica de capacidades inatas para este desempenho. A explicação das diferentes opções nas carreiras profissionais em função do género será mais emocional e sociológica, constituindo os estereótipos de género barreiras, muitas vezes invisíveis, difíceis de ultrapassar. A investigação descrita pretendeu construir conhecimento sobre os estereótipos que docentes e estudantes possuem acerca da influência do género na aprendizagem das ciências e sobre o eventual impacto que estes podem ter, para ambos os géneros, no processo de ensino, no processo de aprendizagem, e na opção por carreiras científicas. Com uma metodologia de métodos mistos, inicialmente procedeu-se à recolha de dados por questionário, junto de estudantes de 9º ano (523) e docentes de ciências (77), e posteriormente foram realizadas entrevistadas a três profissionais que optaram por carreiras pouco usuais para o seu género. Da investigação emergiram várias conclusões das quais se destacam as seguintes: - as diferenças que se encontram entre o modo como rapazes e raparigas aprendem são menores do que as semelhanças registadas; - também não se registam grandes diferenças, entre professoras e professores, no modo como ensinam; - é pouco frequente encontrar estereótipos de género relativos ao desempenho e competências nas ciências em alunos, alunas e docentes do ensino básico e secundário; - as escolhas profissionais estão condicionadas por estereótipos de género que se encontram presentes quer em estudantes, quer em docentes; - as/os docentes e o apoio da família são fundamentais na opção por uma profissão pouco usual para o género; - as características individuais são mais importantes para se ser bem-sucedido profissionalmente do que o género de pertença. Afigura-se fundamental olhar para as práticas docentes que, continuando distantes das práticas defendidas pela pesquisa em didática das ciências, poderão estar a interferir de forma negativa na aprendizagem, prejudicando quer rapazes quer raparigas. Será ainda fundamental que a classe docente tome consciência dos estereótipos de género, tantas vezes esquecidos, para que consigam criar um ambiente de sala de aula mais equitativo, capaz de anular os estereótipos sociais que retiram, quer a rapazes, quer a raparigas, a liberdade de escolha das suas futuras carreiras profissionais.