| Resumo: | O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é caraterizado por uma elevada diversidade genética que resulta principalmente das taxas de mutação e recombinação genética que origina novas de variantes genómicas ao longo do tempo. Este facto, juntamente com o aparecimento de mutações de resistência aos antirretrovirais tem causado diversos problemas ao nível do diagnóstico e tratamento da infeção. O presente estudo pretendeu conhecer a diversidade genética do VIH-1 num grupo de 42 mulheres de naturalidade Guineense e residentes em Portugal e comparar os resultados com os obtidos num estudo anteriormente desenvolvido em indivíduos nativos e residentes na Guiné-Bissau. Para caracterizar as amostras foram amplificadas por nested-PCR as regiões env, nef, PR e RT do VIH-1, posteriormente sequenciadas e realizada a análise filogenética das sequências com recurso a diferentes programas bioinformáticos. Foi realizada a análise das sequências aminoacídicas das quatro regiões genómicas, observando o grau de conservação e disrupção dos principais domínios estruturais e funcionais das proteínas, e ainda, a deteção das mutações de resistência associadas aos inibidores da PR e RT do VIH-1. No grupo estudado foi obtida uma prevalência da CRF02_AG de 82% e identificados 5% de casos de infeção pelo sub-subtipo A1 (subtipo puro). Duas sequências foram classificadas em subtipo A, no entanto, limitado apenas à região env do VIH-1. Em três sequências foram observadas, diferentes recombinações (CRF02_AG/A1; CRF02_AG/J/A; 09_cpx/A) sendo classificadas como potencialmente formas recombinantes únicas. Foi ainda observado, e termos gerais uma conservação dos domínios funcionais e estruturais das proteínas. Foi identificada elevada percentagem de polimorfismos naturais, associados a subtipos não-B. Foram detetadas mutações de resistência em 16% das sequências analisadas, associadas tanto aos inibidores da protease (V11I, T74P e N88T) como aos inibidores da transcriptase reversa (A98G, K103N e M184V). Neste estudo, observou-se uma diversidade genética do VIH-1 semelhante à encontrada no estudo realizado em amostras de nativos e residentes na Guiné-Bissau e bastante inferior à diversidade descrita em Portugal. No entanto, esta diversidade de contribui para um padrão molecular da infeção no nosso país, único entre os países Europeus. |