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Perturbações na paisagem pastoril do sudoeste angolano: ansiedade política e geografia aplicada no colonialismo tardio

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este comentário concorre para a contextualização histórica da “Informação relativa à criação de gado e pastoreio nos distritos de Moçâmedes e Huíla”, produzida por Raquel Soeiro de Brito, adjunta da Missão de Geografia Física e Humana do Ultramar português, em 1968. Os problemas sociais e ecológicos que a pecuária empresarial gerou no sudoeste de Angola, revelados pela polícia política e pela Missão de Inquéritos Agrícolas (MIAA), preocuparam o governo da colónia. Perante uma eventual escalada da conflitualidade na região e o impacto que esta poderia ter no desenrolar da guerra, procurou mobilizar conhecimento científico capaz de orientar na decisão política. A relação entre o poder colonial tardio e a produção de conhecimento geográfico no terreno é posta em evidência. Por fim, fica patente que a geógrafa corroborou o ponto de vista da MIAA, nomeadamente sobre a racionalidade ecológica da transumância dos pastores africanos e as perturbações introduzidas pelos criadores europeus, e apontou para a necessidade de um aprofundamento dos estudos e da participação de geógrafos na discussão das soluções políticas.
Autores principais:Castelo, Cláudia
Assunto:Angola Colonialismo português Geografia humana Pastoreio
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este comentário concorre para a contextualização histórica da “Informação relativa à criação de gado e pastoreio nos distritos de Moçâmedes e Huíla”, produzida por Raquel Soeiro de Brito, adjunta da Missão de Geografia Física e Humana do Ultramar português, em 1968. Os problemas sociais e ecológicos que a pecuária empresarial gerou no sudoeste de Angola, revelados pela polícia política e pela Missão de Inquéritos Agrícolas (MIAA), preocuparam o governo da colónia. Perante uma eventual escalada da conflitualidade na região e o impacto que esta poderia ter no desenrolar da guerra, procurou mobilizar conhecimento científico capaz de orientar na decisão política. A relação entre o poder colonial tardio e a produção de conhecimento geográfico no terreno é posta em evidência. Por fim, fica patente que a geógrafa corroborou o ponto de vista da MIAA, nomeadamente sobre a racionalidade ecológica da transumância dos pastores africanos e as perturbações introduzidas pelos criadores europeus, e apontou para a necessidade de um aprofundamento dos estudos e da participação de geógrafos na discussão das soluções políticas.