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Estudo da região controlo total do DNA mitocondrial numa população de imigrantes oriundos de Moçambique integrados na população de Lisboa

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Resumo:O número de imigrantes a residir em Portugal tem vindo a aumentar exponencialmente desde o final dos anos 70. Portugal passou a ser um destino desejado principalmente por indivíduos provenientes de países de língua oficial portuguesa. De acordo com dados estatísticos divulgados até ao final de 2015, a população portuguesa era constituída, aproximadamente, por 400 000 imigrantes, dos quais 3 000 eram oriundos de Moçambique. Destes 3 000, cerca de 1 700 residiam na Região Metropolitana de Lisboa. O estudo do DNAmt tem-se tornado uma ferramenta essencial nas mais diversas áreas do conhecimento. Desde a antropologia, à genética populacional e forense, tem sido considerado um marcador genético de eleição, devido às suas caraterísticas peculiares, como o elevado número de cópias por célula, a hereditariedade uniparental materna, a elevada taxa de mutação e a ausência de recombinação. Estas propriedades do DNAmt permitem reconstruir a origem e evolução das populações, bem como, investigar o seu passado demográfico e a dinâmica, de modo a traçar a história de uma determinada população e a estabelecer uma correlação com eventos da humanidade. Dada a sua relevância, o objetivo principal deste trabalho prende-se com a caraterização genética da população imigrante moçambicana que reside, atualmente, na Grande Lisboa, com a finalidade de averiguar a potencial diversidade genética que estes indivíduos vêm introduzir na população de Lisboa e, consequentemente, em Portugal. Para a realização do estudo, um total de 83 indivíduos imigrantes moçambicanos foram analisados. A região controlo do DNAmt foi amplificada e sequenciada na sua totalidade, utilizando dois pares de primers - L15971/H016 e L16555/H639. O conjunto de haplótipos obtidos foi submetido e aceite para integrar a base de dados internacional de DNAmt mais conceituada no âmbito das Ciências Forenses, a EMPOP, com o código de acesso EMP00681. Aproximadamente 82% dos haplótipos observados neste estudo revelaram ser únicos, reforçando a grande variabilidade genética das populações africanas. A maioria das sequências de DNAmt identificadas (81%) correspondem a haplogrupos caraterísticos e típicos de regiões subsarianas: o macrohaplogrupo L. A partir dos estudos filogenéticos comparativos verificou-se que a população de imigrantes moçambicanos se encontra geneticamente mais próxima da população de imigrantes angolanos a residir em Lisboa e geneticamente mais distante da população portuguesa.
Autores principais:Campos, Marta Maria Proença de
Assunto:DNAmt Região controlo Haplogrupos Genética populacional Imigrantes moçambicanos Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O número de imigrantes a residir em Portugal tem vindo a aumentar exponencialmente desde o final dos anos 70. Portugal passou a ser um destino desejado principalmente por indivíduos provenientes de países de língua oficial portuguesa. De acordo com dados estatísticos divulgados até ao final de 2015, a população portuguesa era constituída, aproximadamente, por 400 000 imigrantes, dos quais 3 000 eram oriundos de Moçambique. Destes 3 000, cerca de 1 700 residiam na Região Metropolitana de Lisboa. O estudo do DNAmt tem-se tornado uma ferramenta essencial nas mais diversas áreas do conhecimento. Desde a antropologia, à genética populacional e forense, tem sido considerado um marcador genético de eleição, devido às suas caraterísticas peculiares, como o elevado número de cópias por célula, a hereditariedade uniparental materna, a elevada taxa de mutação e a ausência de recombinação. Estas propriedades do DNAmt permitem reconstruir a origem e evolução das populações, bem como, investigar o seu passado demográfico e a dinâmica, de modo a traçar a história de uma determinada população e a estabelecer uma correlação com eventos da humanidade. Dada a sua relevância, o objetivo principal deste trabalho prende-se com a caraterização genética da população imigrante moçambicana que reside, atualmente, na Grande Lisboa, com a finalidade de averiguar a potencial diversidade genética que estes indivíduos vêm introduzir na população de Lisboa e, consequentemente, em Portugal. Para a realização do estudo, um total de 83 indivíduos imigrantes moçambicanos foram analisados. A região controlo do DNAmt foi amplificada e sequenciada na sua totalidade, utilizando dois pares de primers - L15971/H016 e L16555/H639. O conjunto de haplótipos obtidos foi submetido e aceite para integrar a base de dados internacional de DNAmt mais conceituada no âmbito das Ciências Forenses, a EMPOP, com o código de acesso EMP00681. Aproximadamente 82% dos haplótipos observados neste estudo revelaram ser únicos, reforçando a grande variabilidade genética das populações africanas. A maioria das sequências de DNAmt identificadas (81%) correspondem a haplogrupos caraterísticos e típicos de regiões subsarianas: o macrohaplogrupo L. A partir dos estudos filogenéticos comparativos verificou-se que a população de imigrantes moçambicanos se encontra geneticamente mais próxima da população de imigrantes angolanos a residir em Lisboa e geneticamente mais distante da população portuguesa.