Publicação
Crescimento diário de juvenis de sardinha, Sardina pilchardus (Walbaum, 1792): relação com actividade reprodutiva e condições ambientais
| Resumo: | A sardinha, Sardina pilchardus (Walbaum, 1792), é uma espécie do grupo de pequenos pelágicos com ampla distribuição geográfica no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo. Em Portugal, é um dos recursos pesqueiros mais importantes representando 40% do peso total do pescado desembarcado anualmente no continente. É capturada sobretudo na pescaria do cerco, e, para efeitos de gestão pesqueira, a sardinha distribuída nas águas atlânticas de Portugal e Espanha é considerada um stock único, designado stock Atlântico-Ibérico, cujo estado de exploração é avaliado anualmente pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar, CIEM/ ICES (e.g. ICES). Apesar do grande avanço realizado nas últimas décadas sobre o conhecimento de diversos aspectos biológicos e de dinâmica populacional do stock Atlântico-Ibérico de S. pilchardus, os processos de recrutamento continuam a ser pouco conhecidos. Um melhor conhecimento sobre os factores que afectam a sobrevivência da sardinha nas fases de pré-recrutamento é uma etapa essencial para entender a dinâmica populacional deste recurso e gerir a pescaria do cerco. O presente trabalho apresenta os resultados da análise do crescimento diário de juvenis de S.pilchardus da Costa Ocidental Norte Portuguesa, obtida pela contagem de anéis diários. O primeiro objectivo do estudo foi relacionar a idade dos juvenis, capturados entre Maio de 2004 e Janeiro de 2005, com características morfométricas dos indivíduos (peso e comprimento total) e dos otólitos (peso e diâmetro) e estimar a sua data de eclosão a partir da melhor relação obtida. Os resultados indicaram que 80% dos exemplares eclodiram entre Janeiro-Março, com idades compreendidas entre os 103 e os 275 dias. Verificou-se que o diâmetro e o peso dos otólitos têm uma melhor relação com a idade, explicando 81% e 87% da variabilidade total respectivamente. A relação linear entre o logaritmo da idade e o diâmetro dos otólitos (r2= 0,86) pode ser usada para predizer a idade dos juvenis com um erro de 5%. Estimou-se uma taxa de crescimento 0,06 cm dia-1. O segundo objectivo deste estudo foi verificar se os juvenis de sardinha, capturados em Outubro de 2008 e Abril de 2009 pertencem à mesma época de desova, e relacionar as datas de eclosão com os factores ambientais, nomeadamente a temperatura superficial do mar e a concentração de clorofila, a actividade reprodutiva, e a condição das fêmeas desovantes. Desta forma, procura-se o estabelecimento de uma “janela” ambiental em que a probabilidade de sobrevivência dos juvenis é maior. A distribuição das datas de eclosão mostrou que as sardinhas da primeira campanha eclodiram entre Outubro de 2007 e Maio de 2008, com dois picos em Janeiro e Março do mesmo ano, correspondentes às duas modas das distribuições de comprimentos. Esta distribuição não foi coincidente com os valores de actividade reprodutiva. A distribuição das datas de eclosão de Abril de 2009 apresenta um pico nos meses de Junho- Julho, correspondendo a uma moda na distribuição de comprimentos. Este pico encontra-se fora da principal época de desova, mas coincide com uma elevada condição das fêmeas, um período de temperaturas elevadas e a uma maior concentração de clorofila. As taxas de crescimento para esta campanha foram três vezes superiores, indicando que o aumento da temperatura superficial do mar durante os meses de Verão favorece o crescimento das fases larval e juvenil. Apesar das dificuldades inerentes à leitura de incrementos diários e à validação dos mesmos com as idades em juvenis, a coerência existente entre as relações comprimento dos indivíduos com a Idade, as datas de eclosão e taxas de crescimento encontradas no presente trabalho, com os dados de outros autores, conferem algum suporte aos resultados. |
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| Autores principais: | Silva, Andreia Vanessa Alves da, 1983 |
| Assunto: | Ictiologia Reprodução Sardina Pilchardus Teses de mestrado - 2011 |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A sardinha, Sardina pilchardus (Walbaum, 1792), é uma espécie do grupo de pequenos pelágicos com ampla distribuição geográfica no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo. Em Portugal, é um dos recursos pesqueiros mais importantes representando 40% do peso total do pescado desembarcado anualmente no continente. É capturada sobretudo na pescaria do cerco, e, para efeitos de gestão pesqueira, a sardinha distribuída nas águas atlânticas de Portugal e Espanha é considerada um stock único, designado stock Atlântico-Ibérico, cujo estado de exploração é avaliado anualmente pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar, CIEM/ ICES (e.g. ICES). Apesar do grande avanço realizado nas últimas décadas sobre o conhecimento de diversos aspectos biológicos e de dinâmica populacional do stock Atlântico-Ibérico de S. pilchardus, os processos de recrutamento continuam a ser pouco conhecidos. Um melhor conhecimento sobre os factores que afectam a sobrevivência da sardinha nas fases de pré-recrutamento é uma etapa essencial para entender a dinâmica populacional deste recurso e gerir a pescaria do cerco. O presente trabalho apresenta os resultados da análise do crescimento diário de juvenis de S.pilchardus da Costa Ocidental Norte Portuguesa, obtida pela contagem de anéis diários. O primeiro objectivo do estudo foi relacionar a idade dos juvenis, capturados entre Maio de 2004 e Janeiro de 2005, com características morfométricas dos indivíduos (peso e comprimento total) e dos otólitos (peso e diâmetro) e estimar a sua data de eclosão a partir da melhor relação obtida. Os resultados indicaram que 80% dos exemplares eclodiram entre Janeiro-Março, com idades compreendidas entre os 103 e os 275 dias. Verificou-se que o diâmetro e o peso dos otólitos têm uma melhor relação com a idade, explicando 81% e 87% da variabilidade total respectivamente. A relação linear entre o logaritmo da idade e o diâmetro dos otólitos (r2= 0,86) pode ser usada para predizer a idade dos juvenis com um erro de 5%. Estimou-se uma taxa de crescimento 0,06 cm dia-1. O segundo objectivo deste estudo foi verificar se os juvenis de sardinha, capturados em Outubro de 2008 e Abril de 2009 pertencem à mesma época de desova, e relacionar as datas de eclosão com os factores ambientais, nomeadamente a temperatura superficial do mar e a concentração de clorofila, a actividade reprodutiva, e a condição das fêmeas desovantes. Desta forma, procura-se o estabelecimento de uma “janela” ambiental em que a probabilidade de sobrevivência dos juvenis é maior. A distribuição das datas de eclosão mostrou que as sardinhas da primeira campanha eclodiram entre Outubro de 2007 e Maio de 2008, com dois picos em Janeiro e Março do mesmo ano, correspondentes às duas modas das distribuições de comprimentos. Esta distribuição não foi coincidente com os valores de actividade reprodutiva. A distribuição das datas de eclosão de Abril de 2009 apresenta um pico nos meses de Junho- Julho, correspondendo a uma moda na distribuição de comprimentos. Este pico encontra-se fora da principal época de desova, mas coincide com uma elevada condição das fêmeas, um período de temperaturas elevadas e a uma maior concentração de clorofila. As taxas de crescimento para esta campanha foram três vezes superiores, indicando que o aumento da temperatura superficial do mar durante os meses de Verão favorece o crescimento das fases larval e juvenil. Apesar das dificuldades inerentes à leitura de incrementos diários e à validação dos mesmos com as idades em juvenis, a coerência existente entre as relações comprimento dos indivíduos com a Idade, as datas de eclosão e taxas de crescimento encontradas no presente trabalho, com os dados de outros autores, conferem algum suporte aos resultados. |
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