Publicação
O campo de blocos da plataforma Guincho-Guia : origem, mobilização e cronologia
| Resumo: | A área de estudo considerada neste trabalho localiza-se na faixa litoral rochosa entre o Cabo Raso e a Boca do Inferno (oeste de Cascais), caracterizada por afloramentos extensos de calcários, incluindo calcários recifais. Entre a estrada marginal e o bordo da plataforma litoral, observam-se blocos calcários isolados ou organizados em conjuntos, distribuídos a diversas cotas e com diferentes orientações. Scheffers e Kelletat (2005) realizaram o levantamento de alguns blocos de rocha ali instalado e atribuíram tais depósitos ao tsunami de Lisboa, de 1755, ou tsunamis mais antigos. Os autores desconsideraram a possibilidade do transporte a partir de ondas de tempestades extremas, assim como as variações eustáticas do nível médio do mar (NMM) e a presença de terraços marinhos plistocénicos. Em campo, foram levantados 18 blocos que foram estudados de acordo com a sua localização, cota de instalação, distância ao mar, massa, volume e localização da área fonte, para discutir a natureza do agente de arranque, transporte e deposição, recorrendo a modelos de transporte de blocos por ondas de tempestade e tsunami segundo as aproximações de Nandasena et al. (2011) e Nott (2003). Na aplicação destas aproximações considerou-se a possibilidade de transporte por deslizamento, rolamento e salto, no contexto de NMM atual e NMM 4 m mais alto, a partir de ondas rebentadas (HR), ondas não rebentadas (HNR) e ondas de tsunami (HT). Para extração de perfis topográficos de deslocamento dos blocos, realizou-se levantamento estereofotogramétrico de três áreas da plataforma litoral, o que gerou três Modelos Digitais de Elevação (MDE). Não se encontrou correlação sigificativa entre a massa, a distância percorrida e a cota de instalação dos blocos; há blocos com massas semelhantes distribuídos a cotas a distâncias variadas, uma característica comum para o transporte por ondas de tempestade. Os resultados indicam que o transporte por HNR é uma opção irrealista em contexto de NMM actual. O cenário de NMM 4 m mais alto já possibilitaria deslizamento de parte destes blocos à passagem de HNR, desde que a área fonte do bloco estivesse submersa por coluna de água suficiente. Em contexto de nível do mar plistocénico correspondente ao estádio isotópico marinho MIS 5e, significativamente mais elevado do que os cenários aqui testados, as áreas fonte de quase todos os blocos estudados estariam submersas a profundidades suficientemente elevadas para permitir mobilização por HNR de tempestade . Os resultados de tansporte por HR indicam que as ondas mais altas geradas durante eventos de tempestade, têm potencial para mobilizar todos os blocos com sinais de transporte, por rolamento ou deslizamento, mesmo no contexto de nível do mar actual. A observação do deslocamento de um dos blocos estudados pelas ondas da tempestade de 28 de fevereiro de 2017 confirma esta possibilidade. Em síntese, a aplicação das aproximações de Nandasena e Nott indica que a mobilização de todos os blocos estudados pelo tsunami de 1755 não é impossível, mas também confirma a possibilidade de transporte destes blocos por ondas de tempestade. |
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| Autores principais: | Andrade, Thiago Pereira de |
| Assunto: | Velocidade de fluxo (u) Altura de onda rebentada (HR) Altura de onda não rebentada (HNR) Altura de onda de tsunami (HT) Nível médio do mar Teses de mestrado - 2023 |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A área de estudo considerada neste trabalho localiza-se na faixa litoral rochosa entre o Cabo Raso e a Boca do Inferno (oeste de Cascais), caracterizada por afloramentos extensos de calcários, incluindo calcários recifais. Entre a estrada marginal e o bordo da plataforma litoral, observam-se blocos calcários isolados ou organizados em conjuntos, distribuídos a diversas cotas e com diferentes orientações. Scheffers e Kelletat (2005) realizaram o levantamento de alguns blocos de rocha ali instalado e atribuíram tais depósitos ao tsunami de Lisboa, de 1755, ou tsunamis mais antigos. Os autores desconsideraram a possibilidade do transporte a partir de ondas de tempestades extremas, assim como as variações eustáticas do nível médio do mar (NMM) e a presença de terraços marinhos plistocénicos. Em campo, foram levantados 18 blocos que foram estudados de acordo com a sua localização, cota de instalação, distância ao mar, massa, volume e localização da área fonte, para discutir a natureza do agente de arranque, transporte e deposição, recorrendo a modelos de transporte de blocos por ondas de tempestade e tsunami segundo as aproximações de Nandasena et al. (2011) e Nott (2003). Na aplicação destas aproximações considerou-se a possibilidade de transporte por deslizamento, rolamento e salto, no contexto de NMM atual e NMM 4 m mais alto, a partir de ondas rebentadas (HR), ondas não rebentadas (HNR) e ondas de tsunami (HT). Para extração de perfis topográficos de deslocamento dos blocos, realizou-se levantamento estereofotogramétrico de três áreas da plataforma litoral, o que gerou três Modelos Digitais de Elevação (MDE). Não se encontrou correlação sigificativa entre a massa, a distância percorrida e a cota de instalação dos blocos; há blocos com massas semelhantes distribuídos a cotas a distâncias variadas, uma característica comum para o transporte por ondas de tempestade. Os resultados indicam que o transporte por HNR é uma opção irrealista em contexto de NMM actual. O cenário de NMM 4 m mais alto já possibilitaria deslizamento de parte destes blocos à passagem de HNR, desde que a área fonte do bloco estivesse submersa por coluna de água suficiente. Em contexto de nível do mar plistocénico correspondente ao estádio isotópico marinho MIS 5e, significativamente mais elevado do que os cenários aqui testados, as áreas fonte de quase todos os blocos estudados estariam submersas a profundidades suficientemente elevadas para permitir mobilização por HNR de tempestade . Os resultados de tansporte por HR indicam que as ondas mais altas geradas durante eventos de tempestade, têm potencial para mobilizar todos os blocos com sinais de transporte, por rolamento ou deslizamento, mesmo no contexto de nível do mar actual. A observação do deslocamento de um dos blocos estudados pelas ondas da tempestade de 28 de fevereiro de 2017 confirma esta possibilidade. Em síntese, a aplicação das aproximações de Nandasena e Nott indica que a mobilização de todos os blocos estudados pelo tsunami de 1755 não é impossível, mas também confirma a possibilidade de transporte destes blocos por ondas de tempestade. |
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