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Influência da temperatura e da poluição atmosféricas no sono e nos distúrbios respiratórios do sono

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: As alterações climáticas influenciam muitos sistemas físicos e biológicos, incluindo os sistemas imunológico e respiratório, cujo papel é crucial para a saúde humana. O aumento das ondas de calor promove a elevação da incidência de alergias, asma e infecções respiratórias, estando associadas ao aumento da concentração de poluentes atmosféricos. O incremento das concentrações atmosféricas de poluente como o ozono (O3), dióxido de azoto (NO2) e material particulado (PM) promove a agressão das vias aéreas e consequente desenvolvimento de processos inflamatórios que vão estar envolvidos no aumento da morbilidade e mortalidade cardiorrespiratória. E são várias as doenças que têm apresentado um comportamento sazonal. No entanto, a evidência científica revela-se escassa quanto ao impacto da sazonalidade no sono e nas alterações respiratórias decorrentes do mesmo, nomeadamente a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). Objectivos: Comparar o sono e os distúrbios respiratórios durante o sono (DRS), nomeadamente o Índice de Apneia/Hipopneia (IAH) e o Índice de Distúrbios Respiratórios do Sono (IDR) entre um grupo de indivíduos com AOS e um grupo de indivíduos saudáveis durante o Verão e o Inverno. Métodos: Foi analisada uma amostra de 30 indivíduos referenciados ao laboratório por suspeita de AOS. Os indivíduos, com idade entre os 30 e os 60 anos, todos sexo masculino, foram divididos em 2 grupos, grupo AOS (n=15) com IAH≥15/H e <30/H e grupo de controlo (n=15) constituído por indivíduos com IAH<5, e submetidos a 2 polissonografias completas (uma realizada no Inverno e outra no Verão) com controlo de temperatura ambiente do quarto (medida através de termómetro digital às 3 horas e às 6 horas), temperatura atmosférica às 14horas (valores fornecidos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera) e concentrações dos poluentes atmosféricos O3, NO2 e PM10 às 14 horas (valores cedidos pela Agência Portuguesa do Ambiente). Considerouse um nível de significância de 95%, p<0,05. Resultados: No grupo com AOS as diferenças sazonais foram mais acentuadas relativamente ao grupo de indivíduos saudáveis. Assim, no grupo com AOS, com a passagem do Inverno para o Verão, verificaram-se alterações significativas na arquitectura do sono (aumento das latências de sono N1 e N2, dos microdespertares e diminuição da percentagem de sono N3 e REM) e nos DRS (aumento do IAH, IDR, ODI e T90). Discussão e Conclusão: Verificou-se que as diferenças sazonais da temperatura e/ou dos valores da poluição atmosférica influenciam o sono e os DRS, levando ao agravamento da AOS durante os períodos de temperaturas mais elevadas. No entanto, estes resultados devem ser confirmados com estudos com um número de participantes superior.
Autores principais:Pereira, Cláudia Filipa Dias, 1987-
Assunto:Polissonografia Temperatura Poluição atmosférica Distúrbios respiratórios do sono Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: As alterações climáticas influenciam muitos sistemas físicos e biológicos, incluindo os sistemas imunológico e respiratório, cujo papel é crucial para a saúde humana. O aumento das ondas de calor promove a elevação da incidência de alergias, asma e infecções respiratórias, estando associadas ao aumento da concentração de poluentes atmosféricos. O incremento das concentrações atmosféricas de poluente como o ozono (O3), dióxido de azoto (NO2) e material particulado (PM) promove a agressão das vias aéreas e consequente desenvolvimento de processos inflamatórios que vão estar envolvidos no aumento da morbilidade e mortalidade cardiorrespiratória. E são várias as doenças que têm apresentado um comportamento sazonal. No entanto, a evidência científica revela-se escassa quanto ao impacto da sazonalidade no sono e nas alterações respiratórias decorrentes do mesmo, nomeadamente a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). Objectivos: Comparar o sono e os distúrbios respiratórios durante o sono (DRS), nomeadamente o Índice de Apneia/Hipopneia (IAH) e o Índice de Distúrbios Respiratórios do Sono (IDR) entre um grupo de indivíduos com AOS e um grupo de indivíduos saudáveis durante o Verão e o Inverno. Métodos: Foi analisada uma amostra de 30 indivíduos referenciados ao laboratório por suspeita de AOS. Os indivíduos, com idade entre os 30 e os 60 anos, todos sexo masculino, foram divididos em 2 grupos, grupo AOS (n=15) com IAH≥15/H e <30/H e grupo de controlo (n=15) constituído por indivíduos com IAH<5, e submetidos a 2 polissonografias completas (uma realizada no Inverno e outra no Verão) com controlo de temperatura ambiente do quarto (medida através de termómetro digital às 3 horas e às 6 horas), temperatura atmosférica às 14horas (valores fornecidos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera) e concentrações dos poluentes atmosféricos O3, NO2 e PM10 às 14 horas (valores cedidos pela Agência Portuguesa do Ambiente). Considerouse um nível de significância de 95%, p<0,05. Resultados: No grupo com AOS as diferenças sazonais foram mais acentuadas relativamente ao grupo de indivíduos saudáveis. Assim, no grupo com AOS, com a passagem do Inverno para o Verão, verificaram-se alterações significativas na arquitectura do sono (aumento das latências de sono N1 e N2, dos microdespertares e diminuição da percentagem de sono N3 e REM) e nos DRS (aumento do IAH, IDR, ODI e T90). Discussão e Conclusão: Verificou-se que as diferenças sazonais da temperatura e/ou dos valores da poluição atmosférica influenciam o sono e os DRS, levando ao agravamento da AOS durante os períodos de temperaturas mais elevadas. No entanto, estes resultados devem ser confirmados com estudos com um número de participantes superior.