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Tratamento do cancro da mama metastático em doentes com recetores hormonais positivos e HER negativo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: O tratamento inicial do cancro da mama metastático (CMM) com recetores hormonais positivos (RH+) e recetores tipo 2 negativos do fator de crescimento epidérmico (HER2-), inclui a utilização dos inibidores das cinases dependentes das ciclinas 4 e 6 (iCDK4/6) [palbociclib (PC), abemaciclib (AC) e ribociclib (RC)], que demonstraram segurança e eficácia nos respetivos ensaios clínicos, quando associados à hormonoterapia (HT). A aprovação regulamentar de novas terapêuticas foca-se no risco-benefício, baseado em critérios de eficácia e segurança. Evidencia-se um interesse crescente na utilização de dados de vida real, como parte do processo de desenvolvimento de medicamentos, utilizados para complementar os resultados obtidos nos ensaios clínicos. Este estudo pretende caracterizar os padrões de utilização dos iCDK4/6 + inibidores da aromatase (IA) nesses doentes, analisando os eventos adversos ocorridos. Métodos: Estudo descritivo, observacional, retrospetivo e unicêntrico que incluiu doentes com CMM com RH+ e HER2-, submetidos à terapêutica com iCDK4/6 + IA, seguidos no Serviço de Oncologia do Hospital São Francisco Xavier (HSFX), entre 2017 e 2022. Resultados: Consideraram-se três grupos de doentes: (1) IA e PC; (2) IA e AC; (3) IA e RC. O primeiro grupo continha 10 doentes do sexo feminino. Destes, 70% descontinuaram o tratamento. Os eventos adversos (EA) mais frequentes foram a anemia (70%) e astenia (60%). No segundo grupo, composto por 11 doentes, apenas um do sexo masculino, sete doentes (63,6%) descontinuaram o tratamento. Os EA maioritários foram a diarreia (100%) e aumento da creatinina/anemia (63,6%). No último grupo, constituído por 3 doentes do sexo feminino, apenas um descontinuou o tratamento. Como EA mais frequentes destacam-se a ostealgia, infeção, neutropenia e astenia (66,7%). A população em estudo apresentou-se mais heterogénea, ocorreu uma caracterização pormenorizada da amostra, tendo o perfil de segurança sido favorável. Conclusão: A avaliação da utilização de iCDK4/6 + IA, permitiu caracterizar a amostra de doentes tratados, o perfil de EA, a duração da terapêutica e o motivo de descontinuação em contexto de vida real. O aumento do número de doentes incluídos e do tempo de seguimento permitirá a comparação com os resultados obtidos em ambiente de ensaio clínico.
Autores principais:Avelar, João António Santos
Assunto:Cancro da mama metastático Inibidores da aromatase Inibidores das cinases dependentes das ciclinas 4 e 6 Mundo real Segurança Mestrado integrado - 2022
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: O tratamento inicial do cancro da mama metastático (CMM) com recetores hormonais positivos (RH+) e recetores tipo 2 negativos do fator de crescimento epidérmico (HER2-), inclui a utilização dos inibidores das cinases dependentes das ciclinas 4 e 6 (iCDK4/6) [palbociclib (PC), abemaciclib (AC) e ribociclib (RC)], que demonstraram segurança e eficácia nos respetivos ensaios clínicos, quando associados à hormonoterapia (HT). A aprovação regulamentar de novas terapêuticas foca-se no risco-benefício, baseado em critérios de eficácia e segurança. Evidencia-se um interesse crescente na utilização de dados de vida real, como parte do processo de desenvolvimento de medicamentos, utilizados para complementar os resultados obtidos nos ensaios clínicos. Este estudo pretende caracterizar os padrões de utilização dos iCDK4/6 + inibidores da aromatase (IA) nesses doentes, analisando os eventos adversos ocorridos. Métodos: Estudo descritivo, observacional, retrospetivo e unicêntrico que incluiu doentes com CMM com RH+ e HER2-, submetidos à terapêutica com iCDK4/6 + IA, seguidos no Serviço de Oncologia do Hospital São Francisco Xavier (HSFX), entre 2017 e 2022. Resultados: Consideraram-se três grupos de doentes: (1) IA e PC; (2) IA e AC; (3) IA e RC. O primeiro grupo continha 10 doentes do sexo feminino. Destes, 70% descontinuaram o tratamento. Os eventos adversos (EA) mais frequentes foram a anemia (70%) e astenia (60%). No segundo grupo, composto por 11 doentes, apenas um do sexo masculino, sete doentes (63,6%) descontinuaram o tratamento. Os EA maioritários foram a diarreia (100%) e aumento da creatinina/anemia (63,6%). No último grupo, constituído por 3 doentes do sexo feminino, apenas um descontinuou o tratamento. Como EA mais frequentes destacam-se a ostealgia, infeção, neutropenia e astenia (66,7%). A população em estudo apresentou-se mais heterogénea, ocorreu uma caracterização pormenorizada da amostra, tendo o perfil de segurança sido favorável. Conclusão: A avaliação da utilização de iCDK4/6 + IA, permitiu caracterizar a amostra de doentes tratados, o perfil de EA, a duração da terapêutica e o motivo de descontinuação em contexto de vida real. O aumento do número de doentes incluídos e do tempo de seguimento permitirá a comparação com os resultados obtidos em ambiente de ensaio clínico.