| Resumo: | Ao tratar os cães de uma forma empírica, existe a possibilidade de dois cenários indesejáveis acontecerem: os cães que apresentam um alto risco de infeção zoonótica não são corretamente controlados e os cães que apresentam um risco zoonótico praticamente nulo, estão a fazer tratamentos anti-helmínticos desnecessários. Este estudo foi direcionado para determinar a prevalência de parasitas gastrointestinais e pulmonares em cães com proprietário na cidade de Vila Franca de Xira, avaliar a presença de fatores que possam estar ligados a um maior risco de transmissão de doenças parasitárias zoonóticas e que protocolos de prevenção, nomeadamente para endoparasitas, são utilizados nos cães examinados. Através do método de flutuação (Willis), de Baermann e esfregaço fecal (coloração de Ziehl-Neelsen modificada) foram analisadas 80 amostras para pesquisa de endoparasitas gastrointestinais e pulmonares. Foram também preenchidos presencialmente 80 inquéritos pelos respetivos proprietários. A prevalência global de parasitas gastrointestinais e pulmonares foi de 5,0%. Foram observadas amostras positivas a Ancylostoma sp. (1/80); Angiostrongylus vasorum (1/80); Cystoisospora spp. (2/80); Toxocara canis (1/80) e Trichuris vulpis (1/80). Dois animais infetados apresentavam infeções parasitárias mistas, ambos por nemátodes. Relativamente a comportamentos de potencial risco zoonótico, 27,5% (22/80) dos cães exibia algum tipo de picacismo, 17,5% (14/80) ingeria fezes; 83,3% (65/80) lambia a cara do proprietário e 42,3% (33/78) dormia com ele. Dos 80 cães examinados, apenas 3,8% (3/80) dos cães não eram desparasitados internamente, ainda que apenas 51,4% (37/72) seguissem o protocolo de controlo de parasitoses internas, aconselhado pelo médico-veterinário de quatro desparasitações anuais, considerado como o limiar mínimo de eficácia na prevenção de endoparasitoses zoonóticas pela ESCCAP. Atendendo a que muitas pessoas ainda não têm a informação e conhecimento necessários sobre os métodos mais eficazes de controlo de doenças parasitárias, sendo este desconhecimento mais relevante nas zoonóticas, é necessário criar medidas para tornar esta informação mais disponível e acessível ao grande público, quer aumentando a intervenção do Médico Veterinário durante a consulta, quer referenciando mais plataformas com conhecimento idóneo e gratuita, como as da ESCCAP. |