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Ecologia alimentar de duas aves pelágicas das Ilhas Selvagens

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Estudar a ecologia alimentar de predadores marinhos de topo, como as aves pelágicas, é importante para compreender o seu nicho trófico. Neste trabalho, investigou-se a ecologia alimentar de dois Procellariformes nificantes na Selvagem Grande, Atlântico Norte. Na cagarra Calonectris diomedea, a utilização de GPS-loggers combinada com a análise de conteúdos estomacais permitiu associar as presas capturadas em viagens de alimentação individuais com os locais marinhos explorados. Registou-se uma dieta composta principalmente por peixes, sendo os cefalópodes também uma presa importante. Nos peixes, foram detectados 3 taxa que ainda não tinham sido descritos na dieta desta espécie. As presas foram capturadas essencialmente em três domínios marinhos: as águas pelágicas em redor da colónia, o agregado de montes submarinos a norte das Ilhas Canárias e a costa africana. Registaram-se diferenças entre as espécies capturadas nestes locais, sendo que, junto à colónia, as principais presas foram Naucrates ductor e cefalópodes e nos montes submarinos observou-se uma predominância de Scomber sp./colias e a presença de Trachurus sp. Na costa africana, houve uma maior diversidade de presas, essencialmente costeiras, destacandose, em número, Sardina pilchardus e, em frequência, Scomber sp./colias e cefalópodes. Ficou comprovado que os locais de alimentação influenciam directamente a composição da dieta das cagarras. A dieta de alma-negra Bulweria bulwerii foi estudada através da análise de regurgitos. As suas presas incluíam principalmente peixes, cefalópodes e alguns crustáceos. Nos peixes, encontraram-se 4 taxas ainda não descritos na dieta desta espécie. A família mais importante foi Myctophidae, seguida de Sternoptychidae. A presença de espécies mesopelágicas corrobora estudos anteriores que sugerem que as almas-negras são predadores nocturnos alimentando-se de presas de grandes profundidades que migram para a superfície à noite. Apesar de partilharem zonas de alimentação, existe pouca sobreposição entre as presas principais de cagarra e de alma-negra, excluindo um cenário de competição inter-específica por alimento.
Autores principais:Carvalho, Ana Teresa Loureiro Baptista da Cunha, 1981-
Assunto:Aves marinhas Cagarra Alimentação Dieta Ilhas Selvagens Teses de mestrado - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Estudar a ecologia alimentar de predadores marinhos de topo, como as aves pelágicas, é importante para compreender o seu nicho trófico. Neste trabalho, investigou-se a ecologia alimentar de dois Procellariformes nificantes na Selvagem Grande, Atlântico Norte. Na cagarra Calonectris diomedea, a utilização de GPS-loggers combinada com a análise de conteúdos estomacais permitiu associar as presas capturadas em viagens de alimentação individuais com os locais marinhos explorados. Registou-se uma dieta composta principalmente por peixes, sendo os cefalópodes também uma presa importante. Nos peixes, foram detectados 3 taxa que ainda não tinham sido descritos na dieta desta espécie. As presas foram capturadas essencialmente em três domínios marinhos: as águas pelágicas em redor da colónia, o agregado de montes submarinos a norte das Ilhas Canárias e a costa africana. Registaram-se diferenças entre as espécies capturadas nestes locais, sendo que, junto à colónia, as principais presas foram Naucrates ductor e cefalópodes e nos montes submarinos observou-se uma predominância de Scomber sp./colias e a presença de Trachurus sp. Na costa africana, houve uma maior diversidade de presas, essencialmente costeiras, destacandose, em número, Sardina pilchardus e, em frequência, Scomber sp./colias e cefalópodes. Ficou comprovado que os locais de alimentação influenciam directamente a composição da dieta das cagarras. A dieta de alma-negra Bulweria bulwerii foi estudada através da análise de regurgitos. As suas presas incluíam principalmente peixes, cefalópodes e alguns crustáceos. Nos peixes, encontraram-se 4 taxas ainda não descritos na dieta desta espécie. A família mais importante foi Myctophidae, seguida de Sternoptychidae. A presença de espécies mesopelágicas corrobora estudos anteriores que sugerem que as almas-negras são predadores nocturnos alimentando-se de presas de grandes profundidades que migram para a superfície à noite. Apesar de partilharem zonas de alimentação, existe pouca sobreposição entre as presas principais de cagarra e de alma-negra, excluindo um cenário de competição inter-específica por alimento.