| Resumo: | O Diário de Miguel Torga constitui uma obra ímpar no contexto da literatura portuguesa. Publicado em dezasseis volumes ao longo de sessenta anos do século XX, a leitura das suas páginas permite o acesso a vários tópicos reflexivos caros ao autor. Destes, a paisagem assume especial interesse, mormente na originalidade das suas referências entrecruzadas com a escrita, a ruralidade, o corpo, o progresso técnico e Portugal. Não obstante estas considerações acerca da paisagem, o Diário não apresenta nenhuma definição clara e unívoca da mesma. Perante esta ausência pretendemos, em diálogo com outros autores, tentar surpreender o conceito de paisagem que o autor tinha presente para si mesmo. Por fim, queremos igualmente articular tais tematizações da paisagem com o próprio acto de escrita diarística e o concomitante processo heurístico de auto-gnose. Deverá tornar-se claro como o Diário prefigura uma proposta de apelo e valorização das virtudes concomitantes a um enraizamento telúrico. |