Publicação
A iconografia da natureza e da paisagem na pintura portuguesa dos séculos XV e XVI : imagens e significados
| Resumo: | A presente tese de doutoramento, intitulada A Iconografia da Natureza e da Paisagem na Pintura Portuguesa dos Séculos XV e XVI. Imagens e Significados, tem como principal objetivo a interpretação dos significados intrínsecos do naturalismo na pintura portuguesa dos séculos XV e XVI – Gótico Final, Renascimento e Maneirismo – a partir de uma seriação significativa de obras de iluminura, de fresco e de pintura retabular que possibilitam a interpretação da simbólica da flora, da fauna e das paisagens nelas representadas. A investigação reúne três áreas científicas distintas: História da Arte (Iconografia, Icononímica e Iconologia), História Natural (Botânica e Zoologia), e Arquitetura Paisagista (Paisagem). Avançamos com uma proposta de definição e de classificação em cinco tipologias de paisagem: paisagem de símbolos, paisagem fantástica, paisagem ideal, paisagem dos factos e paisagem real. Sendo que um número significativo das paisagens representadas têm um caráter deliberadamente simbólico. Estas tipologias permitem uma nova perspetiva sobre o papel da paisagem, tal como foi vista pelos pintores portugueses dos séculos XV-XVI, nomeadamente António de Holanda, Álvaro Pires, António Fernandes, Jorge Afonso, Vasco Fernandes, Gregório Lopes, Cristóvão de Figueiredo, Garcia Fernandes, Francisco Henriques, Mestre da Lourinhã, Lourenço de Salzedo, Tomás Luís, Francisco de Campos, Fernão Gomes, entre outros. No corpus do Elenco Icononímico, constituído por trezentas e cinquenta obras, foram identificadas trezentas e quatro espécies de plantas e de animais (168 de flora e 136 de fauna). Foram examinadas, recorrendo a uma base de dados relacional, obras de referência no campo da iluminura: Leitura Nova, Forais Manuelinos, Livro de Horas dito de D. Manuel, Livros de Horas, o Breviário da Condessa de Bertiandos; no campo da pintura mural: Casas Pintadas (Évora), Paço dos Condes de Basto (Évora), Paço Ducal de Vila Viçosa, Mosteiro de São Bento de Cástris (Évora); e no campo da pintura religiosa retabular: os antigos retábulos da capela-mor da Sé de Viseu, da capela-mor da Igreja de São Francisco de Évora, da capela-mor da Igreja do Convento de Jesus (Setúbal), da Sé de Évora, do altar-mor do Mosteiro da Santíssima Trindade (Lisboa), entre outros. Consideramos que a identificação dos paradigmas estéticos da paisagem e a interpretação simbólica das espécies de flora e de fauna representadas na pintura do período em estudo possibilitam um novo olhar sobre a relação do Homem com a Natureza. Verificamos, também, que a maioria das espécies de flora e de fauna têm caráter simbólico, e não meramente decorativo. A crescente importância da paisagem, das plantas e dos animais na pintura renascentista marca uma nova era no conhecimento, podendo a arte espelhar esse crescente interesse no mundo natural. |
|---|---|
| Autores principais: | Azambuja, Sónia |
| Assunto: | Pintura - Portugal - séc.15-16 Natureza - Na arte Paisagem - Na arte Teses de doutoramento - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A presente tese de doutoramento, intitulada A Iconografia da Natureza e da Paisagem na Pintura Portuguesa dos Séculos XV e XVI. Imagens e Significados, tem como principal objetivo a interpretação dos significados intrínsecos do naturalismo na pintura portuguesa dos séculos XV e XVI – Gótico Final, Renascimento e Maneirismo – a partir de uma seriação significativa de obras de iluminura, de fresco e de pintura retabular que possibilitam a interpretação da simbólica da flora, da fauna e das paisagens nelas representadas. A investigação reúne três áreas científicas distintas: História da Arte (Iconografia, Icononímica e Iconologia), História Natural (Botânica e Zoologia), e Arquitetura Paisagista (Paisagem). Avançamos com uma proposta de definição e de classificação em cinco tipologias de paisagem: paisagem de símbolos, paisagem fantástica, paisagem ideal, paisagem dos factos e paisagem real. Sendo que um número significativo das paisagens representadas têm um caráter deliberadamente simbólico. Estas tipologias permitem uma nova perspetiva sobre o papel da paisagem, tal como foi vista pelos pintores portugueses dos séculos XV-XVI, nomeadamente António de Holanda, Álvaro Pires, António Fernandes, Jorge Afonso, Vasco Fernandes, Gregório Lopes, Cristóvão de Figueiredo, Garcia Fernandes, Francisco Henriques, Mestre da Lourinhã, Lourenço de Salzedo, Tomás Luís, Francisco de Campos, Fernão Gomes, entre outros. No corpus do Elenco Icononímico, constituído por trezentas e cinquenta obras, foram identificadas trezentas e quatro espécies de plantas e de animais (168 de flora e 136 de fauna). Foram examinadas, recorrendo a uma base de dados relacional, obras de referência no campo da iluminura: Leitura Nova, Forais Manuelinos, Livro de Horas dito de D. Manuel, Livros de Horas, o Breviário da Condessa de Bertiandos; no campo da pintura mural: Casas Pintadas (Évora), Paço dos Condes de Basto (Évora), Paço Ducal de Vila Viçosa, Mosteiro de São Bento de Cástris (Évora); e no campo da pintura religiosa retabular: os antigos retábulos da capela-mor da Sé de Viseu, da capela-mor da Igreja de São Francisco de Évora, da capela-mor da Igreja do Convento de Jesus (Setúbal), da Sé de Évora, do altar-mor do Mosteiro da Santíssima Trindade (Lisboa), entre outros. Consideramos que a identificação dos paradigmas estéticos da paisagem e a interpretação simbólica das espécies de flora e de fauna representadas na pintura do período em estudo possibilitam um novo olhar sobre a relação do Homem com a Natureza. Verificamos, também, que a maioria das espécies de flora e de fauna têm caráter simbólico, e não meramente decorativo. A crescente importância da paisagem, das plantas e dos animais na pintura renascentista marca uma nova era no conhecimento, podendo a arte espelhar esse crescente interesse no mundo natural. |
|---|