| Resumo: | A transferência da imunidade passiva é essencial na espécie bovina, pelo que é importante avaliar se ela ocorreu, e, se necessário, introduzir alterações ao maneio do colostro na exploração. O objetivo deste estudo foi avaliar o maneio do colostro e identificar fatores de risco para a falha da transferência de imunidade passiva (FTIP). Foi definida como FTIP os animais que tinham um valor de proteínas totais séricas inferiores a 5,5 g/dl. Foram avaliadas 16 explorações na Ilha Terceira e 13 na região de Entre Douro e Minho. Dessas explorações, foram avaliados um total de 346 vitelos. Na Ilha Terceira 24,2% dos animais avaliados apresentavam FTIP. Por sua vez, na região Entre Douro e Minho 45,7% dos animais avaliados tinham essa falha. Constatou-se que a qualidade do colostro aumenta com o número de lactações. No entanto não foram encontradas evidências estatísticas de que se possa aferir a sua qualidade apenas pelo número de lactações do animal. Concluiu-se que, em sistema de pastoreio, o vitelo ficar com a progenitora e com a manada após o parto representa um fator de risco para a ocorrência de FTIP, com um OR 4,45 (IC 95%), comparativamente àqueles animais que ficaram apenas com a mãe. Constatou-se também que deixar o vitelo com a mãe quando esta é primípara tem um OR 4,14 e 2,99 (IC 95%) para a ocorrência de FTIP comparativamente a progenitoras de 2 e de 3 ou mais lactações. Na Ilha Terceira foi identificado que intervalos de 6 a 12 horas e de mais de 12 horas entre o parto e a toma do colostro apresentam um OR para ocorrência de FTIP de 9,7 e 12,4 (IC 95%), quando comparados com administrações entre as 0 e 4 horas. Identificou-se que quando a progenitora/dadora do colostro é primípara existe um OR para ocorrência de FTIP de 33,04 e 31,76 (IC 99%), quando comparada com progenitoras/dadoras na lactação 2 e lactação 3 ou superior. Em Entre Douro e Minho não foi possível identificar qualquer fator de risco. Na análise das duas regiões identificou-se a administração de colostro através de balde como um fator de risco para a FTIP, com um OR 49 (IC 99,9%), quando comparada com a administração através de biberão. Foi identificado que administrar menos que 2 litros de colostro tem um OR 31,8 (IC 95%), comparativamente a administrações de 4 ou mais litros para a ocorrência de FTIP. Verificou-se ainda que não existe a necessidade de centrifugar o sangue dos vitelos antes de medir as proteínas totais séricas, pois existe uma alta correlação entre os resultados antes e após a centrifugação. |