Publicação
Intersubjectividade e abismo na discussão estética
| Resumo: | A altercação entre dois sujeitos que visam um objecto estético comum, tem sempre por perto a sombra projectada pelo homo aestheticus (ambulante, bulímico e disruptivo) que percorre os respectivos ânimos, instaurando a suspeita sob as conquistas da actividade comunicacional por ambos desenvolvida, devido à conjugação específica de orientações estéticas, interesses cognitivos e implicações éticas. É por este motivo que quando falamos da “gravidade” do consenso, obtido ou a obter numa interlocução estética, este estado intersubjectivo nunca é a última palavra do telos da comunicação e do lance judicativo partilhado. Se chegar o momento da transformação da comunicação - que produziu o consenso - em discussão e troca de argumentos para disputar a validade e adequação dos mesmos aos objectos estéticos visados, e discutir directa ou indirectamente a expressão da autenticidade dos estados interiores dos participantes, então a suspeita, nos seus movimentos implícitos e súbitas aparições, vai “destronar” o acordo obtido e provocar o surgimento de dificuldades de coordenação entre a vida espontânea da faculdade de julgar e a reflexão que é necessária à manutenção da promessa de não colocar em risco a emancipação estética do outro. A questão da assimetria e a exigência da reciprocidade entre dois sujeitos que se envolvem numa discussão estética; a simultaneidade da reivindicação de uma ética do discurso para a expressão das emoções estéticas pessoais, e a tendência para a préassimilação dos juízos do outro ao nosso juízo numa disputa que é ambivalente («dramatúrgica» e proposicional), são problemas tratados nesta tese em conexão com autores (Kant, Feuerbach, Husserl, Herbert Mead, Habermas) que nos deixaram legados decisivos sobre problemas tais como: o abismo interior e o abismo intersubjectivo; a sociabilidade insociável (ungesellige Geselligkeit); a alteridade; o mundo da vida (Lebenswelt) a intersubjectividade e o «Eu poroso»; os actos comunicacionais, entre outros. Esta dissertação pretende demonstrar que a forma particular de cada um filtrar o mundo da vida, a correlação deste com os actos comunicacionais que dão forma proposicional e «dramatúrgica» às reivindicações estéticas daquele que julga, e o conflito das interpretações dos símbolos estéticos, são um conjunto de condições que nos esforçamos continuamente por reunir de maneira co-funcional. |
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| Autores principais: | Pedro, José Manuel Guerra Quaresma, 1965- |
| Assunto: | Estética Filosofia da arte Teses de doutoramento - 2008 |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A altercação entre dois sujeitos que visam um objecto estético comum, tem sempre por perto a sombra projectada pelo homo aestheticus (ambulante, bulímico e disruptivo) que percorre os respectivos ânimos, instaurando a suspeita sob as conquistas da actividade comunicacional por ambos desenvolvida, devido à conjugação específica de orientações estéticas, interesses cognitivos e implicações éticas. É por este motivo que quando falamos da “gravidade” do consenso, obtido ou a obter numa interlocução estética, este estado intersubjectivo nunca é a última palavra do telos da comunicação e do lance judicativo partilhado. Se chegar o momento da transformação da comunicação - que produziu o consenso - em discussão e troca de argumentos para disputar a validade e adequação dos mesmos aos objectos estéticos visados, e discutir directa ou indirectamente a expressão da autenticidade dos estados interiores dos participantes, então a suspeita, nos seus movimentos implícitos e súbitas aparições, vai “destronar” o acordo obtido e provocar o surgimento de dificuldades de coordenação entre a vida espontânea da faculdade de julgar e a reflexão que é necessária à manutenção da promessa de não colocar em risco a emancipação estética do outro. A questão da assimetria e a exigência da reciprocidade entre dois sujeitos que se envolvem numa discussão estética; a simultaneidade da reivindicação de uma ética do discurso para a expressão das emoções estéticas pessoais, e a tendência para a préassimilação dos juízos do outro ao nosso juízo numa disputa que é ambivalente («dramatúrgica» e proposicional), são problemas tratados nesta tese em conexão com autores (Kant, Feuerbach, Husserl, Herbert Mead, Habermas) que nos deixaram legados decisivos sobre problemas tais como: o abismo interior e o abismo intersubjectivo; a sociabilidade insociável (ungesellige Geselligkeit); a alteridade; o mundo da vida (Lebenswelt) a intersubjectividade e o «Eu poroso»; os actos comunicacionais, entre outros. Esta dissertação pretende demonstrar que a forma particular de cada um filtrar o mundo da vida, a correlação deste com os actos comunicacionais que dão forma proposicional e «dramatúrgica» às reivindicações estéticas daquele que julga, e o conflito das interpretações dos símbolos estéticos, são um conjunto de condições que nos esforçamos continuamente por reunir de maneira co-funcional. |
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