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As TIC como formação transdisciplinar : potencialidades e dificuldades de implementação no contexto do ensino básico em portugal

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Resumo:A esta tese presidiu o propósito de interrogar as potencialidades e os limites da implementação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como área de formação transdisciplinar, no contexto do ensino básico em Portugal. Para este exercício de reflexão crítica, foi desenvolvido um percurso de investigação que visou a compreensão da configuração dos processos de recontextualização da filosofia curricular imbuída na Proposta Curricular de Integração Transversal das TIC (PCIT-TIC), produzida no âmbito do Projeto Metas de Aprendizagem. A base teórico-conceptual da investigação firmou-se no contexto mais geral da problemática respeitante à integração curricular, solicitando o contributo do conhecimento sistematizado em diversas disciplinas para ampliar um olhar curricularmente centrado sobre o fenómeno em estudo. Inspirada na conceção de currículo como um cruzamento de práticas sociais diversas, a questão norteadora do percurso realizado passou por saber como se reflete a filosofia da PCIT-TIC no pensamento, nas expetativas e nas práticas curriculares dos agentes que participam na configuração do currículo. A metodologia para abordar este fenómeno assentou em pressupostos onto-epistemológicos do paradigma interpretativo e mobilizou, como estratégias de recolha e análise de dados, a triangulação múltipla e a teoria fundamentada nos dados. O esquema de operacionalização da investigação abrangeu a realização de três estudos autónomos, delimitados a três âmbitos do sistema curricular, e envolveu um total de 57 sujeitos-informantes privilegiados: 11 especialistas das diversas áreas curriculares (subsistema curricular de participação social e controle); 11 professores-investigadores (subsistema curricular técnico-pedagógico); 14 professores e 21 alunos (subsistema curricular prático-pedagógico). O corpus do material empírico constituído para a concretização dos estudos integrou uma grande diversidade de textos, incluindo produções curriculares e relatórios elaborados pelos sujeitos, protocolos de entrevistas, questionários, protocolos de observação de aulas, memorandos e documentos institucionais. A opção para analisar e tratar os dados recaiu em procedimentos que combinaram diferentes técnicas, destacando-se o recurso a análises interpretativas de conteúdo em articulação com o tratamento estatístico dos dados. O trabalho realizado permitiu sustentar, empírica e teoricamente, a ideia de que os processos de recontextualização analisados traduzem uma rutura com a filosofia da PCIT-TIC, que é coincidente com o problema da permanência da conceção de “currículo enquanto disciplina”, dificultando a criação de uma identidade de TIC como formação transdisciplinar. As potencialidades e os limites desta identidade, pensável e exequível, emergem como um fenómeno em construção pela via da resistência, quer dizer, pelos sujeitos que tiverem a força para reagir contra a “autoridade da disciplina”, sem que isso signifique de modo nenhum abrir a porta a um pensamento-ação que afasta toda a racionalidade e controle disciplinares.
Autores principais:Cruz, Elisabete
Assunto:Teses de doutoramento - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A esta tese presidiu o propósito de interrogar as potencialidades e os limites da implementação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como área de formação transdisciplinar, no contexto do ensino básico em Portugal. Para este exercício de reflexão crítica, foi desenvolvido um percurso de investigação que visou a compreensão da configuração dos processos de recontextualização da filosofia curricular imbuída na Proposta Curricular de Integração Transversal das TIC (PCIT-TIC), produzida no âmbito do Projeto Metas de Aprendizagem. A base teórico-conceptual da investigação firmou-se no contexto mais geral da problemática respeitante à integração curricular, solicitando o contributo do conhecimento sistematizado em diversas disciplinas para ampliar um olhar curricularmente centrado sobre o fenómeno em estudo. Inspirada na conceção de currículo como um cruzamento de práticas sociais diversas, a questão norteadora do percurso realizado passou por saber como se reflete a filosofia da PCIT-TIC no pensamento, nas expetativas e nas práticas curriculares dos agentes que participam na configuração do currículo. A metodologia para abordar este fenómeno assentou em pressupostos onto-epistemológicos do paradigma interpretativo e mobilizou, como estratégias de recolha e análise de dados, a triangulação múltipla e a teoria fundamentada nos dados. O esquema de operacionalização da investigação abrangeu a realização de três estudos autónomos, delimitados a três âmbitos do sistema curricular, e envolveu um total de 57 sujeitos-informantes privilegiados: 11 especialistas das diversas áreas curriculares (subsistema curricular de participação social e controle); 11 professores-investigadores (subsistema curricular técnico-pedagógico); 14 professores e 21 alunos (subsistema curricular prático-pedagógico). O corpus do material empírico constituído para a concretização dos estudos integrou uma grande diversidade de textos, incluindo produções curriculares e relatórios elaborados pelos sujeitos, protocolos de entrevistas, questionários, protocolos de observação de aulas, memorandos e documentos institucionais. A opção para analisar e tratar os dados recaiu em procedimentos que combinaram diferentes técnicas, destacando-se o recurso a análises interpretativas de conteúdo em articulação com o tratamento estatístico dos dados. O trabalho realizado permitiu sustentar, empírica e teoricamente, a ideia de que os processos de recontextualização analisados traduzem uma rutura com a filosofia da PCIT-TIC, que é coincidente com o problema da permanência da conceção de “currículo enquanto disciplina”, dificultando a criação de uma identidade de TIC como formação transdisciplinar. As potencialidades e os limites desta identidade, pensável e exequível, emergem como um fenómeno em construção pela via da resistência, quer dizer, pelos sujeitos que tiverem a força para reagir contra a “autoridade da disciplina”, sem que isso signifique de modo nenhum abrir a porta a um pensamento-ação que afasta toda a racionalidade e controle disciplinares.