| Resumo: | A hiperprolactinémia, fisiológica na gravidez e no aleitamento, tem várias causas, tais como: fármacos, prolactinomas, neoplasias ou condições que comprimam a haste hipofisária, hipotiroidismo primário, insuficiência adrenocortical primária, condições que reduzem a clearence de prolactina ou ser idiopática. A hiperprolactinémia pode induzir hipogonadismo que se traduz por amenorreia, galactorreia, infertilidade e, se de causa tumoral, manifestações que resultam do seu efeito de massa. Pode ainda levar à redução da densidade mineral óssea, ao desenvolvimento de osteoporose e, consequentemente, de fraturas. O mecanismo que leva a esta diminuição não é claro - pode ocorrer pelo hipogonadismo, uma vez que o défice de estrogénios parece levar a um aumento da formação e atividade dos osteoclastos, aumento da reabsorção óssea, a uma alteração das hormonas que regulam o balanço ósseo e a uma libertação alterada de citocinas e fator de crescimento. Por outro lado, foram identificados recetores de prolactina em células osteoblastos like e em osteoblastos de ratinhos, pelo que a prolactina poderá ter um efeito direto no osso. Quando é detetada uma hiperprolactinémia deve ser feita uma anamnese precisa, incluindo a história farmacológica, exame físico completo e exames complementares de diagnóstico, como RMN-CE e densitometria óssea, caso sejam necessários. O tratamento tem como objetivos a ausência de sintomas, alcançada pela normalização dos níveis de prolactina e, caso haja efeito de massa, a redução do tamanho do tumor. Muitas vezes a cessação do fármaco ou a resolução da patologia que causa o aumento da prolactina é suficiente. Os agonistas de dopamina são os fármacos de primeira linha e têm também um efeito protetor no osso. Neste trabalho de final de mestrado foi feita uma revisão sobre hiperprolactinémia, em particular sobre o seu efeito no tecido ósseo. Foi descrito um caso clínico de um doente de sexo feminino, 42 anos, que apresenta uma hiperprolactinémia devido a um microprolactinoma. Foi medicada com agonistas dopaminérgicos, mas desenvolveu osteoporose grave com fratura osteoporótica associada. |