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Impacto da iluminação natural e artificial na disponibilidade de macro-invertebrados bentónicos para as aves limícolas

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Resumo:As áreas intertidais estuarinas estão entre as zonas húmidas costeiras mais importantes para muitas espécies de aves limícolas que as utilizam nas rotas como locais de invernada e paragem ao longo das suas rotas migratórias, e onde se alimentam de macro-invertebrados bentónicos durante o período de baixa-mar. Enquanto presas das aves limícolas, muitas das espécies de invertebrados vivem num equilíbrio constante entre a necessidade de desenvolver actividade à superfície do sedimento para se alimentarem e a necessidade de reduzir essa mesma actividade para minimizar o risco de predação por parte das aves. Desta forma, a compreensão dos ritmos de actividade dos invertebrados à superfície do sedimento e dos principais factores que a determinam, tem implicações para a interpretação do comportamento de alimentação das aves. Estudos anteriores demonstraram que a intensidade da actividade superficial dos invertebrados depende da fase do ciclo da maré, da temperatura, da penetrabilidade e também das condições de inundação do sedimento. Contudo, pouco se sabe acerca do modo como a sua actividade varia entre o dia e a noite e particularmente de que forma as condições de iluminação natural (lua) e artificial (iluminação pública) influenciam esses padrões. Os estuários estão historicamente associados a todo o tipo de actividade antropogénica, sendo as suas áreas periféricas locais extensivamente urbanizados. A exposição à iluminação artificial a que os habitats estuarinos adjacentes estão sujeitos durante a noite tem sido um dos impactos ambientais mais expressivos do último século e com tendência para aumentar. São conhecidos alguns efeitos que a iluminação artificial tem sobre o comportamento alimentar de algumas espécies de aves limícolas, no qual estas beneficiam de melhores condições de visibilidade e detectabilidade das suas presas. Porém, desconhece-se em grande parte se os invertebrados também respondem a diferenças nas fontes e intensidade de luz e até que ponto podem alterar o comportamento em resposta a variações no risco de predação. Com este estudo pretendeu-se comparar a actividade superficial do bivalve Scrobicularia plana e do poliqueta Hediste diversicolor em diferentes condições de iluminação natural e artificial. Assim, através da utilização de câmaras de vídeo, foi registada a actividade destas duas espécies durante a baixa-mar diurna e nocturna em condições de Lua nova e de Lua cheia, e numa área contígua a terreno urbanizado exposta à iluminação artificial e numa outra contígua a terreno desprovido de qualquer fonte de iluminação artificial, no estuário do Tejo, Portugal. Verificou-se que o bivalve S. plana e o poliqueta H. diversicolor tendem a apresentar maior actividade superficial durante a baixa-mar diurna e na zona não iluminada, sendo que a actividade superficial a nível temporal tende a ser mais acentuada do que a nível espacial. Os resultados observados neste estudo, não foram suficientemente consistentes para sustentar que a actividade superficial dos invertebrados S. plana e H. diversicolor tenha sido influenciada pela iluminação natural (lua) ou artificial.
Autores principais:Moura, João Miguel Carreiras de Serra e
Assunto:Macro-invertebrados bentónicos Actividade superficial Aves limícolas Área intertidal Iluminação artificial e natural Teses de mestrado - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa

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