Publicação
Ecos do silêncio : para um estudo iconológico do fado
| Resumo: | Inscrito na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO) em 27 de Novembro de 2011, o Fado continua hoje a construir--se, em pleno século XXI. Desde a sua génese, no século XIX, foi capaz de cruzar influências poéticas, musicais, culturais e tecnológicas diversificadas, desenhando um trajecto de consagração nas mais diversas áreas, à margem dos discursos críticos que sobre o género se elaboraram, logo com a Geração de 70, e que se têm perpetuado no plano memorial, de modo mais ou menos visível até aos nossos dias, na exacta proporção da sua celebração popular. Internacionalizando-se na segunda metade do séc. XX, a sua notoriedade conferiu-lhe o protagonismo de imagem de marca, hoje em plena afirmação no circuito internacional da world music. Paradoxalmente, esta difusão parece tê-lo remetido também para um estatuto de menoridade artística, fruto quer de constrangimentos ideológicos, quer das contingências de um relativismo axiológico, aos quais a academia tardiamente respondeu. Entretecida no quadro de um diálogo estreito com a cidade, a história do Fado é também a história de todos aqueles que o recriaram nos domínios da criação plástica e nos legaram testemunhos plenos de valor memorial. Uma análise integrada da representação do Fado na arte portuguesa vem documentar o profundo enraizamento do Fado à escala nacional, bem como a transversalidade da sua representação, como objecto de fascínio e de inesgotável citação e recriação plástica por sucessivas gerações de artistas, no quadro de distintas disciplinas, motivações e constrangimentos estéticos, ideológicos ou simbólicos. À luz da representação visual do Fado, poderemos destrinçar o percurso de evolução e disseminação da canção urbana, desde a Lisboa oitocentista, passando pela sua institucionalização no primeiro quartel do século XX, até conquistar o protagonismo que lhe reconhecemos hoje, enquanto imagem de marca. Atentando nos programas culturais e artísticos que presidiram à criação das obras e sua fruição por sucessivas gerações, podemos contextualizar motivações e constrangimentos de ordem social, ideológica, simbólica, desvendar itinerários de resistência, acompanhar a fixação e estabilização de ícones e o seu tributo na construção simbólica de uma identidade imagética do Fado, na sua mais lata dimensão memorial. |
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| Autores principais: | Pereira, Sara de Melo Barata |
| Assunto: | Fado - História e crítica Fado - Na arte Teses de doutoramento - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Inscrito na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO) em 27 de Novembro de 2011, o Fado continua hoje a construir--se, em pleno século XXI. Desde a sua génese, no século XIX, foi capaz de cruzar influências poéticas, musicais, culturais e tecnológicas diversificadas, desenhando um trajecto de consagração nas mais diversas áreas, à margem dos discursos críticos que sobre o género se elaboraram, logo com a Geração de 70, e que se têm perpetuado no plano memorial, de modo mais ou menos visível até aos nossos dias, na exacta proporção da sua celebração popular. Internacionalizando-se na segunda metade do séc. XX, a sua notoriedade conferiu-lhe o protagonismo de imagem de marca, hoje em plena afirmação no circuito internacional da world music. Paradoxalmente, esta difusão parece tê-lo remetido também para um estatuto de menoridade artística, fruto quer de constrangimentos ideológicos, quer das contingências de um relativismo axiológico, aos quais a academia tardiamente respondeu. Entretecida no quadro de um diálogo estreito com a cidade, a história do Fado é também a história de todos aqueles que o recriaram nos domínios da criação plástica e nos legaram testemunhos plenos de valor memorial. Uma análise integrada da representação do Fado na arte portuguesa vem documentar o profundo enraizamento do Fado à escala nacional, bem como a transversalidade da sua representação, como objecto de fascínio e de inesgotável citação e recriação plástica por sucessivas gerações de artistas, no quadro de distintas disciplinas, motivações e constrangimentos estéticos, ideológicos ou simbólicos. À luz da representação visual do Fado, poderemos destrinçar o percurso de evolução e disseminação da canção urbana, desde a Lisboa oitocentista, passando pela sua institucionalização no primeiro quartel do século XX, até conquistar o protagonismo que lhe reconhecemos hoje, enquanto imagem de marca. Atentando nos programas culturais e artísticos que presidiram à criação das obras e sua fruição por sucessivas gerações, podemos contextualizar motivações e constrangimentos de ordem social, ideológica, simbólica, desvendar itinerários de resistência, acompanhar a fixação e estabilização de ícones e o seu tributo na construção simbólica de uma identidade imagética do Fado, na sua mais lata dimensão memorial. |
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