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Desenvolvimento de metodologias analíticas para a identificação de esteroides anabolizantes androgénicos em matrizes forenses

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os esteroides anabolizantes androgénicos (EAA) são derivados sintéticos que mimetizam o efeito da testosterona, permitindo aos atletas ganhar níveis mais elevados de massa muscular. Em Portugal, a Polícia Judiciária (PJ) e o Laboratório de Análise de Dopagem (LAD) são as duas entidades responsáveis pelo controlo destas substâncias, em amostras apreendidas e biológicas, respetivamente. No entanto, a deteção do abuso destas substâncias em amostras biológicas apresenta um desafio adicional, dado que alguns anabolizantes são também biossintetizados. O presente trabalho assenta na identificação de EAA em amostras apreendidas (comprimidos e soluções oleosas) e biológicas (urina). Neste âmbito, os principais objetivos deste estudo foram identificar EAA em material apreendido em Portugal, por Cromatografia em Fase Gasosa Acoplada à Espectrometria de Massa (GC-MS), bem como otimizar a metodologia de preparação de amostra. Avaliar, ainda, a adequabilidade da Espetrometria de Massa de Ressonância Ciclotrónica de Ião com Transformada de Fourier (FT-ICR-MS), capaz de determinar a estrutura isotópica fina de uma molécula, na deteção do consumo de EAA, através da medição da razão isotópica 13C/ 12C. Primeiramente, foram analisadas 51 amostras suspeitas de conter EAA, com o intuito de identificar os possíveis anabolizantes presentes. Constatou-se que 75% das amostras apresentavam uma composição distinta da declarada no rótulo, tendo sido identificados 17 EAA distintos. Ainda, em 45% das amostras não se verificou a presença de quaisquer anabolizantes. Relativamente à otimização da metodologia de preparação de amostra, constatou-se que a mistura de solventes clorofórmio/metanol (1:1) apresentava a maior afinidade com os analitos sob estudo. No FT-ICR-MS, foi inicialmente conduzido um estudo de reprodutibilidade dos dados, com recurso a uma mistura de quatro esteroides, verificando-se variações moderadas nos valores de δ 13C obtidos. Seguidamente, procurou otimizar-se alguns parâmetros intrínsecos à instrumentação com uma solução padrão de testosterona, obtendo-se uma menor variabilidade dos valores de δ 13C a mais baixa resolução do aparelho, contudo suficiente para uma completa separação dos isotopólogos da molécula. Finalmente, realizou-se uma análise comparativa da razão de isótopos estáveis de carbono de compostos padrão com e sem enriquecimento em 13C, verificando que os valores de δ13C calculados se encontravam distribuídos em intervalos distintos, sem ocorrer sobreposição. Como tal, o FT-ICR-MS apresenta-se como uma ferramenta promissora na distinção de esteroides biossintetizados daqueles de origem sintética.
Autores principais:Oliveira, Ana Sofia Vieira dos Reis Ferreira de
Assunto:Esteroide anabolizante androgénico (EAA) Doping Cromatografia em Fase Gasosa Acoplada à Espectrometria de Massa (GC-MS) Espetrometria de Massa de Ressonância Ciclotrónica de Ião com Transformada de Fourier (FT- ICR- MS) Razão isotópica 13C/12C Teses de mestrado - 2024
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os esteroides anabolizantes androgénicos (EAA) são derivados sintéticos que mimetizam o efeito da testosterona, permitindo aos atletas ganhar níveis mais elevados de massa muscular. Em Portugal, a Polícia Judiciária (PJ) e o Laboratório de Análise de Dopagem (LAD) são as duas entidades responsáveis pelo controlo destas substâncias, em amostras apreendidas e biológicas, respetivamente. No entanto, a deteção do abuso destas substâncias em amostras biológicas apresenta um desafio adicional, dado que alguns anabolizantes são também biossintetizados. O presente trabalho assenta na identificação de EAA em amostras apreendidas (comprimidos e soluções oleosas) e biológicas (urina). Neste âmbito, os principais objetivos deste estudo foram identificar EAA em material apreendido em Portugal, por Cromatografia em Fase Gasosa Acoplada à Espectrometria de Massa (GC-MS), bem como otimizar a metodologia de preparação de amostra. Avaliar, ainda, a adequabilidade da Espetrometria de Massa de Ressonância Ciclotrónica de Ião com Transformada de Fourier (FT-ICR-MS), capaz de determinar a estrutura isotópica fina de uma molécula, na deteção do consumo de EAA, através da medição da razão isotópica 13C/ 12C. Primeiramente, foram analisadas 51 amostras suspeitas de conter EAA, com o intuito de identificar os possíveis anabolizantes presentes. Constatou-se que 75% das amostras apresentavam uma composição distinta da declarada no rótulo, tendo sido identificados 17 EAA distintos. Ainda, em 45% das amostras não se verificou a presença de quaisquer anabolizantes. Relativamente à otimização da metodologia de preparação de amostra, constatou-se que a mistura de solventes clorofórmio/metanol (1:1) apresentava a maior afinidade com os analitos sob estudo. No FT-ICR-MS, foi inicialmente conduzido um estudo de reprodutibilidade dos dados, com recurso a uma mistura de quatro esteroides, verificando-se variações moderadas nos valores de δ 13C obtidos. Seguidamente, procurou otimizar-se alguns parâmetros intrínsecos à instrumentação com uma solução padrão de testosterona, obtendo-se uma menor variabilidade dos valores de δ 13C a mais baixa resolução do aparelho, contudo suficiente para uma completa separação dos isotopólogos da molécula. Finalmente, realizou-se uma análise comparativa da razão de isótopos estáveis de carbono de compostos padrão com e sem enriquecimento em 13C, verificando que os valores de δ13C calculados se encontravam distribuídos em intervalos distintos, sem ocorrer sobreposição. Como tal, o FT-ICR-MS apresenta-se como uma ferramenta promissora na distinção de esteroides biossintetizados daqueles de origem sintética.