| Resumo: | A educação de alunos categorizados como apresentando necessidades educativas especiais sofreu grandes alterações no decorrer do século passado, nas sociedades ocidentais. Em 1994, com a declaração de Salamanca (UNESCO, 1994) a educação inclusiva passou a ser o modelo educativo que melhor se adaptava a estes alunos, e em particular aos alunos cegos, que representam um pequeno grupo dentro deste conjunto. Trata-se de um modelo no qual a escola regular acolhe estes alunos, procurando derrubar as barreiras que se colocam à sua participação e sucesso na aprendizagem (Bénard da Costa, 2006). É um modelo que olha para a diferença como característica de todos os indivíduos e um elemento que contribui para a riqueza e diversidade das turmas e da sociedade (César, 2003). A construção de cenários de educação formal mais inclusivos que promovam, em particular, o acesso às ferramentas culturais da Matemática é um tema que continua a ser de grande importância. Sabemos que as interacções sociais que os alunos cegos estabelecem na sala de aula podem desempenhar um papel importante na configuração desse acesso (Batista, 2005; Ochaíta, 1993). Esta investigação consiste num estudo de caso intrínseco (Stake, 2000) de natureza qualitativa/interpretativa (van der Maren, 1996), de um aluno cego, com 17 anos de idade, do 12.° ano de escolaridade, que revela sucesso académico a Matemática-A, disciplina que frequenta numa escola secundária da zona da grande Lisboa. Procuramos perceber de que forma este aluno constrói o seu acesso às ferramentas culturais da Matemática. No estudo participam ainda a professora de Matemática, a Professora dos Apoios Educativos e os colegas de turma. Os materiais foram recolhidos através da observação participante de um conjunto de aulas de 90 minutos de Matemática-A, entrevistas e documentos. Os resultados apresentam um conjunto de categorias que procura caracterizar as interacções sociais que ocorrem entre a professora de Matemática e o aluno, bem como uma análise de como estas interacções sociais, o papel da professora de Matemática e o papel da Professora dos Apoios Educativos contribuem para a promoção da inclusão deste aluno. Analisámos, finalmente, o contributo destes elementos na configuração de um cenário de educação formal que permitisse o acesso ao sucesso académico por parte deste aluno. |