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Evolução paleoambiental da margem estuarina do Tejo em Alcântara

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho foi elaborado para o desenvolvimento da tese: “Evolução paleoambiental da margem estuarina do Tejo, em Alcântara”, do Mestrado em Geologia do Ambiente, Riscos Geológicos e Ordenamento do Território. O trabalho tem como objetivo geral compreender a evolução paleoambiental da margem sob várias perspetivas, tendo em conta fatores naturais e a influência antrópica. Os objetivos específicos do trabalho são: • A caracterização paleoambiental e paleomorfológica na foz da ribeira de Alcântara e a sua evolução durante o Holocénico; • A identificação da influência antrópica na evolução natural da margem; • A identificação da ou das fontes de alimentação sedimentar. A margem estuarina do Tejo, no Município de Lisboa, foi ocupada pelas populações humanas desde cedo existindo evidências antrópicas de ocupação nas margens do estuário desde a Pré-história. A presença mais marcante foi, no entanto, a romana, com vestígios de ocupação em toda a margem estuarina compreendida no município de Lisboa. Em períodos recentes, e particularmente desde o séc. XVIII, a zona ribeirinha da cidade de Lisboa desenvolveu-se sobre aterros construídos sucessivamente na margem desde o séc. XVI, conquistando, deste modo, uma área útil ao estuário. Os sítios arqueológicos identificados até à data, na área de estudo, são, por este motivo, uma fonte de informação importante, não só do ponto de vista, cronológico, mas, também, da perspetiva do comportamento das populações e da sua interação com o estuário ao longo do tempo – como foi utlizada pela população? Será que a utilização antrópica da margem alterou as suas condições naturais e a sua evolução? Neste trabalho, apresenta-se uma caracterização da área de estudo e os resultados da análise da sondagem RRF20 (textura, matéria orgânica, CaCO3, teor de humidade, susceptibilidade magnética e química orgânica), recolhida em agosto de 2020 na obra do edifício 53-57 da Rua Rodrigues Faria em Alcântara. Também, a análise de amostras (sondagem #1 e 3 perfis) da obra do Loteamento 9 em Alcântara (textura, matéria orgânica, CaCO3 e teor de humidade), recolhidas em duas ocasiões. Na sondagem RRF20, foram identificadas quatro unidades sedimentares, em que a US1 corresponde a uma areia pouco vasosa, com baixo teor de matéria orgânica (entre 1,59 e 2,96%), com valores elevado de CaCO3 (entre 4,85 e 10,28%); a US2 corresponde a uma alternância entre areia pouco vasosa, vasa arenosa e areia vasosa, com um teor de matéria orgânica moderado a elevado (entre 3,04 e 8,69%), com valores moderados a elevados de CaCO3 (entre 2,7 e 10,16%), com a datação de uma amostra no período Romano (séc. IV); a US3 corresponde a uma alternância entre vasa arenosa, areia vasosa, areia pouco vasosa e areia, com um teor em matéria orgânica baixo (entre 0,93 e 5,61%), com valores baixos a elevados de CaCO3 (entre 2,98 e 19,69%); a US4 corresponde a uma alternância entre vasa pouco arenosa e vasa arenosa, com valores moderados a elevados no teor de matéria orgânica (entre 4,16 e 7,14%), com valores baixos para CaCO3 (entre 2,79 e 3,82%), com o topo da unidade a ser nos meados do séc. XIX, devido à construção de aterros. Na ALC LT9, foram identificadas quatro unidades sedimentares, em que a US1 corresponde a uma areia, com valores moderados a elevados de CaCO3 (entre 4,45 e 11,98%), devido às suas características, o conteúdo em matéria orgânica é praticamente nulo; a US2 corresponde a uma areia, com valores elevados para CaCO3 (entre 9,87 e 13,53%), com valores baixos para o teor em matéria orgânica (entre 0,39 e 1,97%); a US3 corresponde a uma alternância entre uma vasa arenosa, areia vasosa, areia pouco vasosa e areia, com baixos a moderados valores para o teor em matéria orgânica (entre 0,54 e 5%), com valores para CaCO3 moderados a elevados (entre 4,49 e 12,32%); a US4 corresponde a uma alternância entre vasa, vasa pouco arenosa, vasa arenosa, com valores moderados a elevados no teor em matéria orgânica (entre 6,48 e 30,62%), com valores baixos a elevados em CaCO3 (entre 1,6 e 7,85%, com um valor médio de 2,82%). A ocupação antrópica ao longo do tempo teve influência na evolução do sedimento ao longo das amostras da RRF20 e da ALC LT9, uma vez que produziram alterações morfológicas na zona de Alcântara. A base de cada é arenosa predominantemente, a zona intermédia é uma alternância entre areia e vasa, e o topo é vasoso, com variações no teor de humidade e CaCO3 ao longo das unidades. Isto, pois desde a canalização da ribeira de Alcântara, construção de aterros, a presença da caldeira de Alcântara, etc., vieram alterar as condições do meio (profundidade, posição/morfologia da linha de costa, etc.).
Autores principais:Rodrigues, Elias Miguel Trindade
Assunto:Estuário do Tejo Alcântara Paleoambiente Arqueologia Teses de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este trabalho foi elaborado para o desenvolvimento da tese: “Evolução paleoambiental da margem estuarina do Tejo, em Alcântara”, do Mestrado em Geologia do Ambiente, Riscos Geológicos e Ordenamento do Território. O trabalho tem como objetivo geral compreender a evolução paleoambiental da margem sob várias perspetivas, tendo em conta fatores naturais e a influência antrópica. Os objetivos específicos do trabalho são: • A caracterização paleoambiental e paleomorfológica na foz da ribeira de Alcântara e a sua evolução durante o Holocénico; • A identificação da influência antrópica na evolução natural da margem; • A identificação da ou das fontes de alimentação sedimentar. A margem estuarina do Tejo, no Município de Lisboa, foi ocupada pelas populações humanas desde cedo existindo evidências antrópicas de ocupação nas margens do estuário desde a Pré-história. A presença mais marcante foi, no entanto, a romana, com vestígios de ocupação em toda a margem estuarina compreendida no município de Lisboa. Em períodos recentes, e particularmente desde o séc. XVIII, a zona ribeirinha da cidade de Lisboa desenvolveu-se sobre aterros construídos sucessivamente na margem desde o séc. XVI, conquistando, deste modo, uma área útil ao estuário. Os sítios arqueológicos identificados até à data, na área de estudo, são, por este motivo, uma fonte de informação importante, não só do ponto de vista, cronológico, mas, também, da perspetiva do comportamento das populações e da sua interação com o estuário ao longo do tempo – como foi utlizada pela população? Será que a utilização antrópica da margem alterou as suas condições naturais e a sua evolução? Neste trabalho, apresenta-se uma caracterização da área de estudo e os resultados da análise da sondagem RRF20 (textura, matéria orgânica, CaCO3, teor de humidade, susceptibilidade magnética e química orgânica), recolhida em agosto de 2020 na obra do edifício 53-57 da Rua Rodrigues Faria em Alcântara. Também, a análise de amostras (sondagem #1 e 3 perfis) da obra do Loteamento 9 em Alcântara (textura, matéria orgânica, CaCO3 e teor de humidade), recolhidas em duas ocasiões. Na sondagem RRF20, foram identificadas quatro unidades sedimentares, em que a US1 corresponde a uma areia pouco vasosa, com baixo teor de matéria orgânica (entre 1,59 e 2,96%), com valores elevado de CaCO3 (entre 4,85 e 10,28%); a US2 corresponde a uma alternância entre areia pouco vasosa, vasa arenosa e areia vasosa, com um teor de matéria orgânica moderado a elevado (entre 3,04 e 8,69%), com valores moderados a elevados de CaCO3 (entre 2,7 e 10,16%), com a datação de uma amostra no período Romano (séc. IV); a US3 corresponde a uma alternância entre vasa arenosa, areia vasosa, areia pouco vasosa e areia, com um teor em matéria orgânica baixo (entre 0,93 e 5,61%), com valores baixos a elevados de CaCO3 (entre 2,98 e 19,69%); a US4 corresponde a uma alternância entre vasa pouco arenosa e vasa arenosa, com valores moderados a elevados no teor de matéria orgânica (entre 4,16 e 7,14%), com valores baixos para CaCO3 (entre 2,79 e 3,82%), com o topo da unidade a ser nos meados do séc. XIX, devido à construção de aterros. Na ALC LT9, foram identificadas quatro unidades sedimentares, em que a US1 corresponde a uma areia, com valores moderados a elevados de CaCO3 (entre 4,45 e 11,98%), devido às suas características, o conteúdo em matéria orgânica é praticamente nulo; a US2 corresponde a uma areia, com valores elevados para CaCO3 (entre 9,87 e 13,53%), com valores baixos para o teor em matéria orgânica (entre 0,39 e 1,97%); a US3 corresponde a uma alternância entre uma vasa arenosa, areia vasosa, areia pouco vasosa e areia, com baixos a moderados valores para o teor em matéria orgânica (entre 0,54 e 5%), com valores para CaCO3 moderados a elevados (entre 4,49 e 12,32%); a US4 corresponde a uma alternância entre vasa, vasa pouco arenosa, vasa arenosa, com valores moderados a elevados no teor em matéria orgânica (entre 6,48 e 30,62%), com valores baixos a elevados em CaCO3 (entre 1,6 e 7,85%, com um valor médio de 2,82%). A ocupação antrópica ao longo do tempo teve influência na evolução do sedimento ao longo das amostras da RRF20 e da ALC LT9, uma vez que produziram alterações morfológicas na zona de Alcântara. A base de cada é arenosa predominantemente, a zona intermédia é uma alternância entre areia e vasa, e o topo é vasoso, com variações no teor de humidade e CaCO3 ao longo das unidades. Isto, pois desde a canalização da ribeira de Alcântara, construção de aterros, a presença da caldeira de Alcântara, etc., vieram alterar as condições do meio (profundidade, posição/morfologia da linha de costa, etc.).