| Resumo: | O estado nutricional no período pré-concecional e durante a gravidez, são fatores determinantes no desenvolvimento e crescimento fetal, e por isso, a nutrição e a alimentação neste período são cruciais para otimizar não só a saúde materna, mas também assegurar as reservas necessárias ao desenvolvimento do feto, reduzir o risco de complicações neonatais e para o período pós-parto, tanto para a mãe como para a futura criança. Disfunções no estado nutricional (má nutrição, excesso de peso e obesidade) da mulher, desencadeadas ou agravadas pela gravidez, estão definitivamente associadas a desfechos deletérios para a saúde a longo prazo e a um maior risco de complicações maternas e perinatais, nomeadamente diabetes gestacional (DG), hipertensão arterial (HTA), pré-eclâmpsia, eclâmpsia, fenómenos tromboembólicos, infeções urinárias, parto-pré-termo, cesarianas, malformações fetais, macrossomia fetal, morte fetal, entre outras. Além de todas as complicações maternas e perinatais, tanto o ganho de peso ponderal excessivo, como o inferior ao recomendado, estão associados a maior risco de síndrome metabólica na infância e na idade adulta (1)(2). Felizmente, um acompanhamento precoce e rigoroso do nutricionista pode contribuir para uma gravidez sem complicações, na avaliação do estado nutricional e na adequação da evolução ponderal, bem como na correção e/ou orientação dos hábitos alimentares, que possam beneficiar a saúde da mãe, do recém-nascido após o parto, e da futura criança. É objetivo do presente trabalho relacionar a evolução ponderal, o estado nutricional, os parâmetros metabólicos (glicemia) e os hábitos alimentares das grávidas seguidas na consulta pré-natal do Centro Hospitalar Lisboa Norte - Hospital Santa Maria (CHLN-HSM), entre Outubro de 2020 e Janeiro de 2021, com as características clínicas do parto e do recém-nascido. Através do tratamento estatístico dos dados recolhidos foi possível perceber que, o índice de massa corporal prévio à gravidez tem uma relação significativa com o ganho de peso gestacional, com os valores de glicemia em jejum e com o peso do recém-nascido, estando o IMC pré-concecional superior a 25 associado a um risco 10,6 vezes superior de se verificar glicemia em jejum elevada e um maior peso no recém-nascido. Este estudo sugere que ter uma boa classificação de peso na preconceção pode revelar-se benéfico para um ganho de peso gestacional saudável e para um peso ao nascimento dentro de parâmetros recomendados que demonstrem melhores indicadores de saúde neonatal para a mãe e para o recém-nascido. |