Publicação
Caracterização de uma coorte pediátrica com diagnóstico de infeção VIH nos últimos 10 anos num hospital terciário
| Resumo: | Introdução: Atualmente, a principal via de transmissão da infeção por VIH na criança é a transmissão mãe-filho (TMF), tendo-se assistido, nas últimas décadas, à sua redução significativa a nível mundial. Portugal, apesar de acompanhar esta tendência, continua a receber crianças com diagnóstico de infeção, à semelhança do registado num dos principais hospitais portugueses, sendo premente desmistificar a sua etiologia. Objetivo: Caracterizar uma coorte pediátrica com infeção por VIH. Métodos: Estudo observacional retrospetivo que inclui crianças com <18 anos ao diagnóstico, que iniciaram acompanhamento nos últimos 10 anos (2012-2021), na Unidade de Infeciologia e Imunodeficiências (UII) de um hospital português de nível 3. Distribuíram-se em três grupos (via TMF, sanguínea e sexual), para análise das características do vírus, demografia, epidemiologia, clínica, estudo analítico, terapêutica, seguimento e situação social. Resultados: Registaram-se 32 novos casos, 6 com diagnóstico prévio e 26 à data de admissão. Maioritariamente (68,8%) imigrantes. TMF (71,9%) foi a via mais frequente, com gravidezes incorretamente vigiadas, sem cumprimento da profilaxia e com diagnósticos tardios. Sete (21,9%) apresentaram-se com doenças definidoras de SIDA. Das 3 crianças infetadas por via sanguínea nenhuma era portuguesa. Três adolescentes foram infetados por via sexual. A mediana de tempo para atingir carga viral indetetável foi 5 meses. À data da última consulta, 25 (78,1%) apresentavam carga viral indetetável, 13 (40,6%) tinham modificado o esquema terapêutico, 19 (59,4%) mantinham seguimento na UII. Conclusão: Grande parte dos casos são crianças oriundas de países com elevada prevalência de infeção e onde há dificuldade constante na implementação das medidas preventivas. As crianças provenientes destes países deverão ser rastreadas no primeiro contacto com os serviços de saúde. O seguimento deve focar-se na adesão à terapêutica, promovendo um desenvolvimento adequado e prevenção de infeções oportunistas. |
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| Autores principais: | Duarte, Teresa Ullan Mendes Bartolomé |
| Assunto: | Infeção por VIH Crianças Transmissão mãe-filho Profilaxia Terapêutica antirretroviral Pediatria |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: Atualmente, a principal via de transmissão da infeção por VIH na criança é a transmissão mãe-filho (TMF), tendo-se assistido, nas últimas décadas, à sua redução significativa a nível mundial. Portugal, apesar de acompanhar esta tendência, continua a receber crianças com diagnóstico de infeção, à semelhança do registado num dos principais hospitais portugueses, sendo premente desmistificar a sua etiologia. Objetivo: Caracterizar uma coorte pediátrica com infeção por VIH. Métodos: Estudo observacional retrospetivo que inclui crianças com <18 anos ao diagnóstico, que iniciaram acompanhamento nos últimos 10 anos (2012-2021), na Unidade de Infeciologia e Imunodeficiências (UII) de um hospital português de nível 3. Distribuíram-se em três grupos (via TMF, sanguínea e sexual), para análise das características do vírus, demografia, epidemiologia, clínica, estudo analítico, terapêutica, seguimento e situação social. Resultados: Registaram-se 32 novos casos, 6 com diagnóstico prévio e 26 à data de admissão. Maioritariamente (68,8%) imigrantes. TMF (71,9%) foi a via mais frequente, com gravidezes incorretamente vigiadas, sem cumprimento da profilaxia e com diagnósticos tardios. Sete (21,9%) apresentaram-se com doenças definidoras de SIDA. Das 3 crianças infetadas por via sanguínea nenhuma era portuguesa. Três adolescentes foram infetados por via sexual. A mediana de tempo para atingir carga viral indetetável foi 5 meses. À data da última consulta, 25 (78,1%) apresentavam carga viral indetetável, 13 (40,6%) tinham modificado o esquema terapêutico, 19 (59,4%) mantinham seguimento na UII. Conclusão: Grande parte dos casos são crianças oriundas de países com elevada prevalência de infeção e onde há dificuldade constante na implementação das medidas preventivas. As crianças provenientes destes países deverão ser rastreadas no primeiro contacto com os serviços de saúde. O seguimento deve focar-se na adesão à terapêutica, promovendo um desenvolvimento adequado e prevenção de infeções oportunistas. |
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