Publicação
Vulnerabilidade dos recursos marinhos dos Açores às alterações climáticas e proposta de medidas de adaptação
| Resumo: | As alterações climáticas são um dos principais factores responsáveis pelos impactos identificados nos ecossistemas e organismos marinhos, com consequências nas pescas. No arquipélago dos Açores, a pesca é um dos mais importantes sectores de actividade económica. Por este motivo, qualquer mudança nas condições ideais dos ecossistemas marinhos poderá trazer repercussões tanto a nível biológico como a nível socio-económico. As diferentes pressões nos ecossistemas (ex. sobrepesca, poluição ou destruição do habitat) têm causado o declínio das populações marinhas. As alterações climáticas são uma pressão adicional para as espécies marinhas, que poderão causar impactos graves na distribuição, abundância e fenologia dos peixes e de outras espécies marinhas. Existem poucos estudos que avaliam quais os impactos das alterações climáticas nos ecossistemas e organismos marinhos em regiões oceânicas e insulares. Este estudo é uma forma de preenchimento desta lacuna na região dos Açores. Teve como intuito a avaliação da vulnerabilidade dos recursos marinhos do arquipélago dos Açores, com principal foco nos recursos pesqueiros, e propor medidas de adaptação face às vulnerabilidades identificadas, contribuindo ainda para o desenvolvimento do Plano Regional para as Alterações Climáticas dos Açores. As avaliações de vulnerabilidade são um meio para a identificação de quais as espécies com maior risco perante as alterações climáticas previstas e permitem uma melhor gestão dos recursos marinhos e das pescas, providenciando a sua sustentabilidade a médio e longo prazo. Neste estudo foi utilizada uma abordagem com base nas condições ecofisiológicas e na exposição climática dos recursos marinhos. Para a avaliação da vulnerabilidade às alterações climáticas foi utilizada a metodologia de Morrinson et al. (2015), um índice com base na avaliação dos factores de vulnerabilidade, tendo em consideração dois componentes a sensibilidade e a exposição. A sensibilidade avalia como cada espécie responde às alterações climáticas (ex. complexidade da estratégia reprodutiva, taxa de crescimento populacional e sensibilidade à temperatura). A exposição avalia o grau de alteração climática a que cada espécie é submetida, dependendo da sua área de distribuição (ex. alterações na temperatura, salinidade ou produtividade primária). Esta metodologia assenta em três objectivos principais: 1) desenvolver um ranking de vulnerabilidade entre as espécies, 2) determinar os factores e atributos que causam vulnerabilidade e 3) identificar a qualidade e limitações dos dados disponíveis. Para a aplicação do índice de vulnerabilidade às alterações climáticas, realizou-se um workshop onde 14 especialistas avaliaram 18 espécies de peixes e invertebrados marinhos da região dos Açores, utilizando 12 atributos de sensibilidade e 5 factores de exposição. A selecção das espécies teve como base 2 critérios: incluir populações de diferentes componentes do ecossistema (grandes e pequenos pelágicos, batipelágicos, bentónicos, costeiros e oceânicos) e incluir espécies com importância económica para a região dos Açores. Em adição, no caso das populações bentónicas, foram consideradas diferentes comunidades agregadas em profundidade no ecossistema dos Açores. Com os resultados foi realizado um ranking de acordo com classe de vulnerabilidade e foram identificadas quais as espécies e populações que necessitam de medidas de gestão com maior urgência. Foram seleccionadas 17 medidas de adaptação às alterações climática que tiveram como base as vulnerabilidades identificadas para as espécies e grupos, considerando a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (APA, 2015) e foram ainda incluídas e adaptadas algumas das medidas de gestão dos planos de gestão da Região Autónoma dos Açores (RAA) às alterações climáticas para os recursos marinhos e/ou pesqueiros. Os cenários climáticos para os ecossistemas marinhos não se encontram adequados à escala dos Açores, esta foi uma das necessidades apontadas pelos especialistas. Serão necessários mais estudos para colmatar as incertezas dos impactos das alterações climáticas na RAA e ainda as lacunas no conhecimento identificadas, de modo a contribuir para o incremento do conhecimento científico sobre a vulnerabilidade dos recursos marinhos comerciais e não comerciais às alterações climáticas, para a redução dos impactos esperados e promover uma gestão sustentável dos recursos da RAA. |
|---|---|
| Autores principais: | Brito, Cristiana Alexandra Santos |
| Assunto: | Recursos Marinhos Pesca Açores Alterações Climáticas Vulnerabilidade Adaptação Teses de mestrado - 2017 |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As alterações climáticas são um dos principais factores responsáveis pelos impactos identificados nos ecossistemas e organismos marinhos, com consequências nas pescas. No arquipélago dos Açores, a pesca é um dos mais importantes sectores de actividade económica. Por este motivo, qualquer mudança nas condições ideais dos ecossistemas marinhos poderá trazer repercussões tanto a nível biológico como a nível socio-económico. As diferentes pressões nos ecossistemas (ex. sobrepesca, poluição ou destruição do habitat) têm causado o declínio das populações marinhas. As alterações climáticas são uma pressão adicional para as espécies marinhas, que poderão causar impactos graves na distribuição, abundância e fenologia dos peixes e de outras espécies marinhas. Existem poucos estudos que avaliam quais os impactos das alterações climáticas nos ecossistemas e organismos marinhos em regiões oceânicas e insulares. Este estudo é uma forma de preenchimento desta lacuna na região dos Açores. Teve como intuito a avaliação da vulnerabilidade dos recursos marinhos do arquipélago dos Açores, com principal foco nos recursos pesqueiros, e propor medidas de adaptação face às vulnerabilidades identificadas, contribuindo ainda para o desenvolvimento do Plano Regional para as Alterações Climáticas dos Açores. As avaliações de vulnerabilidade são um meio para a identificação de quais as espécies com maior risco perante as alterações climáticas previstas e permitem uma melhor gestão dos recursos marinhos e das pescas, providenciando a sua sustentabilidade a médio e longo prazo. Neste estudo foi utilizada uma abordagem com base nas condições ecofisiológicas e na exposição climática dos recursos marinhos. Para a avaliação da vulnerabilidade às alterações climáticas foi utilizada a metodologia de Morrinson et al. (2015), um índice com base na avaliação dos factores de vulnerabilidade, tendo em consideração dois componentes a sensibilidade e a exposição. A sensibilidade avalia como cada espécie responde às alterações climáticas (ex. complexidade da estratégia reprodutiva, taxa de crescimento populacional e sensibilidade à temperatura). A exposição avalia o grau de alteração climática a que cada espécie é submetida, dependendo da sua área de distribuição (ex. alterações na temperatura, salinidade ou produtividade primária). Esta metodologia assenta em três objectivos principais: 1) desenvolver um ranking de vulnerabilidade entre as espécies, 2) determinar os factores e atributos que causam vulnerabilidade e 3) identificar a qualidade e limitações dos dados disponíveis. Para a aplicação do índice de vulnerabilidade às alterações climáticas, realizou-se um workshop onde 14 especialistas avaliaram 18 espécies de peixes e invertebrados marinhos da região dos Açores, utilizando 12 atributos de sensibilidade e 5 factores de exposição. A selecção das espécies teve como base 2 critérios: incluir populações de diferentes componentes do ecossistema (grandes e pequenos pelágicos, batipelágicos, bentónicos, costeiros e oceânicos) e incluir espécies com importância económica para a região dos Açores. Em adição, no caso das populações bentónicas, foram consideradas diferentes comunidades agregadas em profundidade no ecossistema dos Açores. Com os resultados foi realizado um ranking de acordo com classe de vulnerabilidade e foram identificadas quais as espécies e populações que necessitam de medidas de gestão com maior urgência. Foram seleccionadas 17 medidas de adaptação às alterações climática que tiveram como base as vulnerabilidades identificadas para as espécies e grupos, considerando a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (APA, 2015) e foram ainda incluídas e adaptadas algumas das medidas de gestão dos planos de gestão da Região Autónoma dos Açores (RAA) às alterações climáticas para os recursos marinhos e/ou pesqueiros. Os cenários climáticos para os ecossistemas marinhos não se encontram adequados à escala dos Açores, esta foi uma das necessidades apontadas pelos especialistas. Serão necessários mais estudos para colmatar as incertezas dos impactos das alterações climáticas na RAA e ainda as lacunas no conhecimento identificadas, de modo a contribuir para o incremento do conhecimento científico sobre a vulnerabilidade dos recursos marinhos comerciais e não comerciais às alterações climáticas, para a redução dos impactos esperados e promover uma gestão sustentável dos recursos da RAA. |
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