| Resumo: | Introdução: Apesar da melhoria do suporte de órgão oferecido a doentes críticos, a Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda (ARDS) continua a estar associada a elevada mortalidade. Porém, continuam a não existir marcadores que possam prever prognóstico ou subgrupos claros de doentes que permitam modular o tipo de terapêutica efetuada. Dados recentes têm associado o fenótipo hiperinflamatório a pior prognóstico. Torna-se assim essencial desenvolver novos modelos de prognóstico em contexto de ARDS. A Proteína C-Reativa (PCR) é um marcador de inflamação medido diariamente na prática clínica. Objetivos: Foi objetivo deste trabalho estabelecer a utilidade de medições de PCR nos primeiros dias de ARDS e a sua relação com prognóstico. Pretendia-se ainda identificar, noutros marcadores avaliados diariamente, uma possível relação com prognóstico. Métodos: Realizou-se um estudo retrospetivo de doentes com ARDS moderado a grave, tratados na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santa Maria. Foram colhidos dados demográficos, laboratoriais e de parâmetros ventilatórios. Foi efetuada uma análise descritiva, assim como de regressão logística para identificação de eventuais fatores relacionados com prognóstico. Resultados: Foram incluídos 201 doentes na análise, dos quais 38.8% tinham ARDS grave. O valor médio da PCR nos 3 primeiros dias não diferiu entre os 3 dias, nem se relacionou com a mortalidade, embora existisse uma tendência, estatisticamente não significativa, para os doentes que morreram terem valores mais elevados. Adicionalmente, foram criados 3 grupos diferentes de acordo com a cinética da PCR nas primeiras 48 horas (aumento, diminuição ou valor estável), sendo que nenhuma das cinéticas se relacionava com a mortalidade. De forma significativa, o rácio entre PCR/albumina no primeiro dia de ARDS relacionou-se diretamente com a mortalidade hospitalar (odds ratio de 1.03, P=0.04), mesmo quando ajustado para a gravidade e etiologia. Dos restantes parâmetros clínicos e laboratoriais avaliados nenhum se relacionou com a mortalidade. Conclusões: Neste estudo retrospetivo de doentes com ARDS, o ratio PCR/albumina no primeiro dia de internamento foi a única variável que se relacionou com a mortalidade. Embora seja um marcador de fácil aplicabilidade, a sua utilização deverá ser validada noutras coortes de doentes. |