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A atitude de resposta no MMPI-2 : o underreport e a avaliação das perturbações da personalidade

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Resumo:O impacto do underreport de sintomas e dificuldades psicológicas na avaliação psicológica tem sido alvo de vários estudos, nomeadamente no âmbito do MMPI-2. No entanto, o interesse tem recaído sobretudo nas escalas clínicas e poucos examinaram em profundidade o impacto do underreport nas medidas de personalidade. Por outro lado, os critérios de identificação de underreport têm, não só variado entre investigações, como privilegiado escalas de validade consideradas isoladamente. Este estudo tem, assim, por objetivo considerar a potencialidade de novos indicadores de underreport e o seu impacto deste na avaliação das alterações da personalidade. Para tal, foram comparadas as respostas ao MMPI-2 de amostras de participantes avaliados em diferentes contextos nos quais são expectáveis atitudes de resposta bem diferenciadas: indivíduos em contexto de seleção profissional (N= 344) terão maior motivação para underreport, uma vez que revelar dificuldades psicológicas pode ter implicações diretas na vida laboral; indivíduos da comunidade e sem queixa clínica (N = 339) não terão motivação para se envolverem em underreport; e indivíduos com queixa clínica (N = 695) em que também não se espera uma motivação especifica para underreport, pois tal colocaria em risco a ajuda clínica. Os resultados indicam que os participantes da amostra organizacional têm resultados significativamente mais elevados nos indicadores de underreport que as restantes amostras. Paralelamente, os mesmos participantes apresentam valores significativamente mais baixos tanto nas medidas de personalidade como nas clínicas. Verifica-se ainda uma associação, de magnitude similar, dos indicadores de validade com os de perturbação da personalidade e de perturbação clínica. Tal sugere que as perturbações da personalidade serão tão passíveis de serem distorcidas por uma atitude de underreport como as clínicas. Adicionalmente, o conjunto de escalas LKS evidenciou-se como o indicador que melhor diferencia a amostra organizacional das restantes amostras e que indica prevalências de underreport próximas das reportadas na literatura, o que sugere ser o mais robusto indicador de underreport. Os resultados são discutidos tendo por referência dados empíricos atuais neste âmbito e a possibilidade de considerar tendências de underreport específicas, nomeadamente ao nível da desejabilidade social e da defensividade.
Autores principais:Reis, Pilar Sobral Farrajota Simões dos
Assunto:Avaliação psicológica Minnesota Multiphasic Personality Inventory-2 Perturbações da personalidade Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O impacto do underreport de sintomas e dificuldades psicológicas na avaliação psicológica tem sido alvo de vários estudos, nomeadamente no âmbito do MMPI-2. No entanto, o interesse tem recaído sobretudo nas escalas clínicas e poucos examinaram em profundidade o impacto do underreport nas medidas de personalidade. Por outro lado, os critérios de identificação de underreport têm, não só variado entre investigações, como privilegiado escalas de validade consideradas isoladamente. Este estudo tem, assim, por objetivo considerar a potencialidade de novos indicadores de underreport e o seu impacto deste na avaliação das alterações da personalidade. Para tal, foram comparadas as respostas ao MMPI-2 de amostras de participantes avaliados em diferentes contextos nos quais são expectáveis atitudes de resposta bem diferenciadas: indivíduos em contexto de seleção profissional (N= 344) terão maior motivação para underreport, uma vez que revelar dificuldades psicológicas pode ter implicações diretas na vida laboral; indivíduos da comunidade e sem queixa clínica (N = 339) não terão motivação para se envolverem em underreport; e indivíduos com queixa clínica (N = 695) em que também não se espera uma motivação especifica para underreport, pois tal colocaria em risco a ajuda clínica. Os resultados indicam que os participantes da amostra organizacional têm resultados significativamente mais elevados nos indicadores de underreport que as restantes amostras. Paralelamente, os mesmos participantes apresentam valores significativamente mais baixos tanto nas medidas de personalidade como nas clínicas. Verifica-se ainda uma associação, de magnitude similar, dos indicadores de validade com os de perturbação da personalidade e de perturbação clínica. Tal sugere que as perturbações da personalidade serão tão passíveis de serem distorcidas por uma atitude de underreport como as clínicas. Adicionalmente, o conjunto de escalas LKS evidenciou-se como o indicador que melhor diferencia a amostra organizacional das restantes amostras e que indica prevalências de underreport próximas das reportadas na literatura, o que sugere ser o mais robusto indicador de underreport. Os resultados são discutidos tendo por referência dados empíricos atuais neste âmbito e a possibilidade de considerar tendências de underreport específicas, nomeadamente ao nível da desejabilidade social e da defensividade.