| Resumo: | Localizada na faixa costeira da região Oeste da zona Centro de Portugal Continental, mais concretamente nos concelhos de Peniche e Óbidos, a área de estudo, designada por sistema aquífero da Lagoa de Óbidos na primeira inventariação e caraterização dos sistemas aquíferos de Portugal Continental publicada em 1997, perdeu essa classificação na edição de 2000 e constitui atualmente uma área com potencial hidrogeológico integrada na massa de água subterrânea Orla Ocidental Indiferenciado das Bacias das Ribeiras do Oeste. Tendo em conta a informação de base existente atualmente, pretendeu-se com este trabalho aprofundar o conhecimento hidrogeológico e averiguar a eventual recuperação da classificação como sistema aquífero, levando à sua definição como massa de água subterrânea. Para tal, foi efetuado um inventário hidrogeológico e várias campanhas de campo para a recolha de amostras de água subterrânea com vista à realização de análises físico-químicas e isotópicas, medição de níveis e análise das caraterísticas litológicas das formações geológicas. A área de estudo constitui um aquífero poroso, predominantemente confinado a semi-confinado, onde os grés do Cretácico inferior assumem-se como a principal formação aquífera. As caraterísticas litológicas desta formação conferem a natureza multicamada ao aquífero. A recarga faz-se através da infiltração direta da precipitação e pela drenância das areias de duna, que cobrem áreas consideráveis da formação cretácica, enquanto o escoamento é efetuado em direção ao mar e à Lagoa de Óbidos. A água subterrânea, saturada em quartzo e por vezes em calcedónia, o que sugere a circulação nos grés do Cretácico inferior, apresenta um grau de mineralização geralmente médio e pH inferior a 7, predominando o cloreto e o bicarbonato como aniões, enquanto nos catiões prevalece o sódio e, por vezes, o magnésio e/ou cálcio. Foram ainda detetadas concentrações anómalas em alguns iões que evidenciam a existência de contaminação antropogénica, principalmente na zona SW da área de estudo. Apesar de ter uma baixa transmissividade e condutividade hidráulica, a área de estudo apresenta em alguns casos valores superiores a algumas massas de água subterrâneas da Orla Ocidental constituídas total ou parcialmente pelos grés do Cretácico inferior, nomeadamente no que respeita a: número total de captações, número de captações destinadas ao abastecimento público, densidade de captações por km2, taxa de exploração e recursos renováveis anuais. Verifica-se assim que a área de estudo reúne todas as condições que permitam recuperar a sua classificação como sistema aquífero ou, de acordo com as orientações da Diretiva Quadro da Água, corresponder a uma massa de água subterrânea. |