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Infeção pelo vírus da imunodeficiência humana : uma causa potencialmente evitável de insuficiência cardíaca?

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Resumo:O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é responsável pela síndrome de imunodeficiência adquirida e por várias complicações orgânicas, sendo o coração um dos órgãos mais afetados. A miocardiopatia dilatada é uma das principais causas de insuficiência cardíaca em doentes com infeção crónica pelo VIH mas persistem dúvidas relativamente aos mecanismos envolvidos no seu desenvolvimento. Vários são possíveis, incluindo a miocardite viral pelo VIH, a infeção concomitante por vírus cardiotrópicos e mecanismos de autoimunidade. Lesões cardiovasculares em doentes VIH-positivos ocorrem quer quando não há adesão à terapêutica, quer nos diagnósticos tardios, quer ainda em doentes oriundos de países sem terapêutica antirretroviral disponível. Apresenta-se uma situação clínica que ilustra essa realidade. Uma doente de 45 anos, proveniente de Angola, desenvolveu insuficiência cardíaca grave, tendo sido também diagnosticada infeção pelo VIH. Confirmou-se a existência de miocardiopatia dilatada com disfunção biventricular. Após investigação etiológica detalhada concluiu-se que a infeção pelo VIH seria a etiologia mais provável para a lesão miocárdica. A confirmação só seria, no entanto, possível com a realização de biópsia endomiocárdica. O prognóstico para esta doente é adverso em consequência da grave disfunção cardíaca, das várias comorbilidades associadas (insuficiência renal, diabetes mellitus, anemia crónica e cirrose hepática), da baixa contagem de células CD4 e da fraca adesão à terapêutica. Estes vários fatores determinaram um agravamento progressivo do quadro clínico com hospitalizações sucessivas por descompensação da sua situação de insuficiência cardíaca crónica avançada. A situação clínica descrita reflete a realidade de vários países, nomeadamente do continente africano, que pela multiculturalidade, desigualdades sociais e de género e barreiras culturais/religiosas, contribuem para a epidemia associada à infeção pelo VIH.
Autores principais:Henriques, Susana Alexandra Afonso da Silva
Assunto:Vírus da imunodeficiência humana Miocardiopatia dilatada Insuficiência cardíaca Cardiologia
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é responsável pela síndrome de imunodeficiência adquirida e por várias complicações orgânicas, sendo o coração um dos órgãos mais afetados. A miocardiopatia dilatada é uma das principais causas de insuficiência cardíaca em doentes com infeção crónica pelo VIH mas persistem dúvidas relativamente aos mecanismos envolvidos no seu desenvolvimento. Vários são possíveis, incluindo a miocardite viral pelo VIH, a infeção concomitante por vírus cardiotrópicos e mecanismos de autoimunidade. Lesões cardiovasculares em doentes VIH-positivos ocorrem quer quando não há adesão à terapêutica, quer nos diagnósticos tardios, quer ainda em doentes oriundos de países sem terapêutica antirretroviral disponível. Apresenta-se uma situação clínica que ilustra essa realidade. Uma doente de 45 anos, proveniente de Angola, desenvolveu insuficiência cardíaca grave, tendo sido também diagnosticada infeção pelo VIH. Confirmou-se a existência de miocardiopatia dilatada com disfunção biventricular. Após investigação etiológica detalhada concluiu-se que a infeção pelo VIH seria a etiologia mais provável para a lesão miocárdica. A confirmação só seria, no entanto, possível com a realização de biópsia endomiocárdica. O prognóstico para esta doente é adverso em consequência da grave disfunção cardíaca, das várias comorbilidades associadas (insuficiência renal, diabetes mellitus, anemia crónica e cirrose hepática), da baixa contagem de células CD4 e da fraca adesão à terapêutica. Estes vários fatores determinaram um agravamento progressivo do quadro clínico com hospitalizações sucessivas por descompensação da sua situação de insuficiência cardíaca crónica avançada. A situação clínica descrita reflete a realidade de vários países, nomeadamente do continente africano, que pela multiculturalidade, desigualdades sociais e de género e barreiras culturais/religiosas, contribuem para a epidemia associada à infeção pelo VIH.