Publicação
Projeto HiDia: análise de dados numa intervenção em saúde
| Resumo: | Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são a maior causa de morte em Portugal, com uma taxa de mortalidade das mais altas da Europa e do mundo, sendo a hipertensão um dos fatores de risco mais importantes destas doenças. Este fator de risco apresenta uma prevalência estimada de 42,2% em Portugal, e apesar da terapêutica existente e da toma regular da medicação anti-hipertensora (aHT) por parte dos doentes, apenas 28,6% dos hipertensos tratados têm a HTA controlada. É então necessária a criação de estratégias para a prevenção e controlo desta doença. Vários fatores como a complexidade da terapêutica prescrita, possíveis efeitos adversos, a natureza assintomática, crenças e conhecimentos sobre a hipertensão e o benefício não imediato da medicação contribuem para uma não adesão à terapêutica. Perante este cenário, o projeto HiDia surge com o intento de melhorar o conhecimento do doente sobre esta doença crónica, a adesão à terapêutica, e a comunicação do doente com o médico de família. Objetivos: Este trabalho resulta do projeto HiDia e pretende avaliar alguns dos factores em estudo que podem estar associados à problemática da adesão/não adesão à terapêutica, mais concretamente as práticas de monitorização da pressão arterial em hipertensos medicados. Esta abordagem tem como objetivos descrever o local de medição da PA mais usuais e a frequência da medição da PA, distinguir as características sócio-demográficas e clínicas de hipertensos medicados relativamente ao local e à frequência da medição e identificar os fatores associados a estas duas variáveis de interesse. Metodologia: Este estudo incide sobre dados da avaliação inicial do projeto HiDia, um estudo experimental que teve como objetivo avaliar o efeito de uma intervenção educacional e comportamental sobre a promoção do controlo da hipertensão arterial entre doentes seguidos nos cuidados de saúde primários, na região de Lisboa. Foram selecionados hipertensos não controlados de uma amostra de conveniência de Centros de Saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo. A avaliação inicial decorreu através de entrevista presencial com administração de questionários e registo de medições da PA. Os fatores relacionados com o doente foram avaliados através de um questionário específico, o qual inclui o Questionário da Perceção da Doença (B-IPQ), o Questionário de Crenças sobre a medicação (BMQ) e as escalas de Ansiedade e Depressão Hospitalar (HADs). Para a caracterização das práticas de monitorização da PA, foram recolhidas variáveis como o local e a frequência de medição da PA, no momento inicial do estudo (baseline). Foram ainda utilizados modelos de regressão logística para identificar os fatores associados às variáveis de interesse. O nível de significância utilizado foi de α = 0; 05. Resultados: Os valores de pressão arterial sistólica e diastólica médios obtidos na entrevista presencial inicial foram respetivamente 141,8 (±17,6) e 82,2 (±11,2). Do total de 255 participantes, 108 (42,5%) mostraram ter a PA controlada. Uma grande parte dos indivíduos, mais especificamente, 54,9% referiu medir a PA habitualmente em casa. No que respeita à frequência, 38,8% dos participantes indicaram medir a PA uma ou mais vezes por semana. A posse de dispositivo mostrou-se associada ao local de medição da PA (p≤0,05). Quanto à frequência de medição foram encontradas como variáveis independentes a posse de dispositivo, colesterol alto, PA controlada e a preocupação com a HTA (p≤0,05). Conclusões: Para a prevenção da HTA estão desenvolvidas diversas recomendações, sendo o uso da MPAC (Monitorização da Pressão Arterial em Casa) considerado complemento útil para as medições convencionais feitas em escritório. Neste estudo a maioria dos participantes realizavam as suas medições da PA em casa. A posse de dispositivo mostrou-se associada ao local de medição indicando ser essencial para a prática da MPAC. De acordo com a Sociedade Europeia da Hipertensão, a medição da PA é considerada adequada e frequente quando efetuada uma ou duas vezes por semana. Do total de participantes 38,8% indicaram medir a PA uma ou mais vezes por semana. Foram ainda identificadas variáveis relacionadas com a frequência de medição da PA pelo que deverão ser alvo de controlo por forma a promover o cumprimento das recomendações efetuadas pelos profissionais de saúde. |
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| Autores principais: | Pinto, Sónia Sofia de Jesus |
| Assunto: | Hipertensão PA MPAC Práticas de monitorização Regressão logística Teses de mestrado - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são a maior causa de morte em Portugal, com uma taxa de mortalidade das mais altas da Europa e do mundo, sendo a hipertensão um dos fatores de risco mais importantes destas doenças. Este fator de risco apresenta uma prevalência estimada de 42,2% em Portugal, e apesar da terapêutica existente e da toma regular da medicação anti-hipertensora (aHT) por parte dos doentes, apenas 28,6% dos hipertensos tratados têm a HTA controlada. É então necessária a criação de estratégias para a prevenção e controlo desta doença. Vários fatores como a complexidade da terapêutica prescrita, possíveis efeitos adversos, a natureza assintomática, crenças e conhecimentos sobre a hipertensão e o benefício não imediato da medicação contribuem para uma não adesão à terapêutica. Perante este cenário, o projeto HiDia surge com o intento de melhorar o conhecimento do doente sobre esta doença crónica, a adesão à terapêutica, e a comunicação do doente com o médico de família. Objetivos: Este trabalho resulta do projeto HiDia e pretende avaliar alguns dos factores em estudo que podem estar associados à problemática da adesão/não adesão à terapêutica, mais concretamente as práticas de monitorização da pressão arterial em hipertensos medicados. Esta abordagem tem como objetivos descrever o local de medição da PA mais usuais e a frequência da medição da PA, distinguir as características sócio-demográficas e clínicas de hipertensos medicados relativamente ao local e à frequência da medição e identificar os fatores associados a estas duas variáveis de interesse. Metodologia: Este estudo incide sobre dados da avaliação inicial do projeto HiDia, um estudo experimental que teve como objetivo avaliar o efeito de uma intervenção educacional e comportamental sobre a promoção do controlo da hipertensão arterial entre doentes seguidos nos cuidados de saúde primários, na região de Lisboa. Foram selecionados hipertensos não controlados de uma amostra de conveniência de Centros de Saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo. A avaliação inicial decorreu através de entrevista presencial com administração de questionários e registo de medições da PA. Os fatores relacionados com o doente foram avaliados através de um questionário específico, o qual inclui o Questionário da Perceção da Doença (B-IPQ), o Questionário de Crenças sobre a medicação (BMQ) e as escalas de Ansiedade e Depressão Hospitalar (HADs). Para a caracterização das práticas de monitorização da PA, foram recolhidas variáveis como o local e a frequência de medição da PA, no momento inicial do estudo (baseline). Foram ainda utilizados modelos de regressão logística para identificar os fatores associados às variáveis de interesse. O nível de significância utilizado foi de α = 0; 05. Resultados: Os valores de pressão arterial sistólica e diastólica médios obtidos na entrevista presencial inicial foram respetivamente 141,8 (±17,6) e 82,2 (±11,2). Do total de 255 participantes, 108 (42,5%) mostraram ter a PA controlada. Uma grande parte dos indivíduos, mais especificamente, 54,9% referiu medir a PA habitualmente em casa. No que respeita à frequência, 38,8% dos participantes indicaram medir a PA uma ou mais vezes por semana. A posse de dispositivo mostrou-se associada ao local de medição da PA (p≤0,05). Quanto à frequência de medição foram encontradas como variáveis independentes a posse de dispositivo, colesterol alto, PA controlada e a preocupação com a HTA (p≤0,05). Conclusões: Para a prevenção da HTA estão desenvolvidas diversas recomendações, sendo o uso da MPAC (Monitorização da Pressão Arterial em Casa) considerado complemento útil para as medições convencionais feitas em escritório. Neste estudo a maioria dos participantes realizavam as suas medições da PA em casa. A posse de dispositivo mostrou-se associada ao local de medição indicando ser essencial para a prática da MPAC. De acordo com a Sociedade Europeia da Hipertensão, a medição da PA é considerada adequada e frequente quando efetuada uma ou duas vezes por semana. Do total de participantes 38,8% indicaram medir a PA uma ou mais vezes por semana. Foram ainda identificadas variáveis relacionadas com a frequência de medição da PA pelo que deverão ser alvo de controlo por forma a promover o cumprimento das recomendações efetuadas pelos profissionais de saúde. |
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