| Resumo: | A hipertensão arterial sistémica é a principal afecção cardiovascular da espécie felina. Consiste numa elevação persistente da pressão arterial sistémica e evidencia uma forte associação com a doença renal crónica. Nesta última ocorre retenção de sódio e água, com consequente aumento do volume de fluído extracelular e do débito cardíaco, produzindo elevação da pressão arterial sistémica. Também, a activação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e outras alterações neuro-hormonais, comuns na doença renal crónica, são passíveis de induzir hipertensão arterial sistémica. Por sua vez, a hipertensão arterial sistémica promove a hipertensão e a hiperfiltração glomerulares, a proteinúria e a arteriosclerose, completando este ciclo vicioso através da auto-prepectuação da lesão renal. A prevalência significativa destas doenças, com particular destaque na população felina geriátrica, torna fundamental o diagnóstico precoce, a instituição de uma terapêutica específica e o controlo adequado das alterações secundárias, favorecendo assim, o prognóstico e melhorando a qualidade de vida dos animais afectados. No âmbito deste tema foi realizado um estudo, relativo a gatos, com diagnóstico prévio de doença renal crónica, dos quais 90% evidenciaram hipertensão arterial sistémica, determinada por método indirecto Doppler. O risco de lesão hipertensiva esteve presente em 90% dos indivíduos observados, dos quais 60% exibiram valores de pressão arterial sistólica superiores a 180 mm Hg. Também, cerca de 65% dos animais estudados revelaram alterações sugestivas de lesão hipertensiva. Os animais foram, ainda, divididos em três grupos, de acordo com um esquema terapêutico: Grupo A (n = 4) – besilato de amlodipina (Norvasc®, 0.625 mg/gato, p.o., q24h); Grupo B (n = 3) – benazepril (Fortekor® 5 mg, 0.25-0.5 mg/Kg, p.o., q12-24h); Grupo C (n = 13) – sem terapêutica instituída. No decurso do estudo clínico, os valores de pressão arterial sistólica diminuíram, nos três grupos, tendo sido registados os menores valores no Grupo C. Os dados obtidos não evidenciaram a superioridade da amlodipina, como fármaco anti-hipertensor único, nem do benazepril, para uma maior protecção renal. |