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Quadro anatomo-histopatológico e diagnóstico molecular da doença hemorrágica viral em coelho-bravo

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Resumo:O vírus da doença hemorrágica dos coelhos de tipo 2 (RHDV2) foi detetado em Portugal pela primeira vez, em 2012, e encontra-se atualmente disseminado em todo o território nacional incluindo Madeira, Açores e Berlengas. O papel ecológico e económico do coelho-bravo, aliado à sua importância para os níveis tróficos superiores, levou a que o Governo Português ativasse em 2017 um plano para controlo desta doença (Despacho 4757/2017 de 31 de Maio). Este trabalho teve como objetivo estabelecer padrões de lesão histopatológica nos principais órgãos afetados (fígado, pulmão, baço, duodeno, coração, entre outros) durante a infeção por RHDV2 e relacioná-los com os padrões de distribuição de cargas virais (medidos através dos valores de Cq obtidos por RT-qPCR) em sete matrizes (fígado, baço, duodeno, fezes, rim, pulmão e ventrículo esquerdo). Todos os coelhos-bravos investigados (n=49), foram obtidos no âmbito deste estudo, durante suspeitas de surtos de DHV, sendo oriundos de vários locais. No grupo dos animais não vacinados, o diagnóstico virológico e histopatológico raramente suscitou dúvidas e não foram encontradas lesões macro e microscópicas diferentes entre os coelhos jovens e os animais adultos. No entanto foi observada uma diminuição significativa das cargas virais nos órgãos dos animais vacinados para RHDV2 quando comparados com os animais não vacinados, tal como já descrito na literatura. Em alguns animais vacinados, foi difícil detetar o vírus por métodos moleculares apesar da presença de graves lesões histopatológicas compatíveis com DHV. No caso dos animais vacinados, a valores de Cq tendencialmente maiores, correspondeu uma menor prevalência do padrão lesional hepático mais grave. Contrariamente, nos animais não vacinados, foram encontrados valores de Cq tendencialmente mais baixos no fígado (maiores cargas virais), correspondendo a um padrão lesional mais grave. Os dados obtidos indicam também que o fígado não é o órgão de eleição para diagnóstico de RHDV2 em animais vacinados, já que o pulmão foi a matriz onde o vírus foi mais detetado. Curiosamente, o ventrículo esquerdo apresentou-se como a matriz com maior percentagem de positividade em todos os grupos pelo que a pertinência da sua utilização sistemática no diagnóstico molecular, deve ser investigada. Foi ainda realizada a pesquisa de RHDV2 em outras espécies simpátricas: lebre ibérica (n=2), toirão (n=1), texugo (n=1), sacarrabos (n=1), roedores (n=18), pardalcomum (n=1), insetos (n> 2568) e ixodídeos (n=28)). Foi detetado RNA viral no pulmão de um toirão, no fígado e ventrículo esquerdo de uma lebre, nas fezes do pardal comum, e em 3 famílias de insetos (Ceratopogonidae, Staphylinidae e Simuliidae). Este trabalho trouxe novos dados para a compreensão da interface patogenia-diagnóstico e para a compreensão da eco-epidemiologia da DHV
Autores principais:Santos, Fábio Alexandre Abade dos
Assunto:RHDV2 coelho-bravo Oryctolagus cuniculus wild rabbit
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa

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