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Imigração e cidades: geografias de metrópoles multi-étnicas: Lisboa e Washington D.C.

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Resumo:No seu livro Six Billion Plus, Bruce Newbold (2003) afirma que as migrações internacionais são uma das cinco forças demográficas que modelarão o mundo nas próximas décadas, conjuntamente com o crescimento da população nos continentes e sub-continentes menos desenvolvidos, declínio da população nos países mais ricos, difusão da epidemia do HIV/SIDA e crescentes vagas de refugiados e pessoas deslocadas. O fenómeno das migrações internacionais tem assumido proporções tais que a Organização Internacional das Migrações (OIM) afirma mesmo que dos quase 190 países soberanos existentes no mundo, nenhum está fora do alcance dos circuitos migratórios, pois são países emissores, receptores ou de passagem/trânsito, assumindo frequentemente várias destas condições em simultâneo (IOM/UN, 2003). Ainda recentemente Demetrios Papademetriou, especialista mundial em migrações, lembrou que à excepção da Coreia do Norte, todos os países do mundo estão envolvidos nas redes complexas que constituem os movimentos migratórios de nível mundial. Terá então ocorrido uma globalização das migrações? Isto é, um crescimento dos stocks, diversificação dos fluxos migratórios, com o surgimento de novos países emissores e de novos países receptores, e aumento do número de nações que são simultaneamente emissoras e receptoras? Ou “apenas” um aumento da importância das migrações internacionais no processo de globalização económica? […] A concretização deste estudo será desenvolvida em duas metrópoles consideradas por vários autores como duas novas cidades de imigração – Washington D.C. nos EUA e Lisboa em Portugal (Singer et. alli, 2001, Fonseca, 1999, Malheiros, 2001). São cidades que têm em comum o facto de serem capitais nacionais, o que pode constituir um importante elemento de atracção de imigrantes, pois como lembram Gaspar e Fonseca (no prelo) “em muitas situações, as cidades substituíram regiões e até países como pontos de referência”, mas que só muito recentemente despertaram para o fenómeno do acolhimento e recepção de cidadãos estrangeiros. Sendo Washington D.C. a capital da maior potência económica mundial, construída ao longo de dois séculos com base na imigração de milhões de pessoas, e Lisboa capital de um país com um longo passado colonial que durante séculos foi cabeça de um vasto império repartido pelos cinco continentes, será interessante compreender porque só nos últimos 20 anos estas urbes se tornaram atraentes para os cidadãos estrangeiros. Factores como a reestruturação económica conseguida através de investimentos em sectores de grande valor tecnológico que torna os mercados laborais mais atractivos para trabalhadores muito e pouco qualificados, intervenções político-militares em determinados países do mundo com consequentes vagas de refugiados ou a alteração da posição de um país no contexto das migrações internacionais por via do crescimento económico assumindo-se como um destino possível para trabalhadores migrantes, podem justificar o interesse recente dos imigrantes por cidades como Washington ou Lisboa. […]
Autores principais:Esteves, Alina
Assunto:Imigração Locais de acolhimento Metrópoles multi-étnicas
Ano:2004
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
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description No seu livro Six Billion Plus, Bruce Newbold (2003) afirma que as migrações internacionais são uma das cinco forças demográficas que modelarão o mundo nas próximas décadas, conjuntamente com o crescimento da população nos continentes e sub-continentes menos desenvolvidos, declínio da população nos países mais ricos, difusão da epidemia do HIV/SIDA e crescentes vagas de refugiados e pessoas deslocadas. O fenómeno das migrações internacionais tem assumido proporções tais que a Organização Internacional das Migrações (OIM) afirma mesmo que dos quase 190 países soberanos existentes no mundo, nenhum está fora do alcance dos circuitos migratórios, pois são países emissores, receptores ou de passagem/trânsito, assumindo frequentemente várias destas condições em simultâneo (IOM/UN, 2003). Ainda recentemente Demetrios Papademetriou, especialista mundial em migrações, lembrou que à excepção da Coreia do Norte, todos os países do mundo estão envolvidos nas redes complexas que constituem os movimentos migratórios de nível mundial. Terá então ocorrido uma globalização das migrações? Isto é, um crescimento dos stocks, diversificação dos fluxos migratórios, com o surgimento de novos países emissores e de novos países receptores, e aumento do número de nações que são simultaneamente emissoras e receptoras? Ou “apenas” um aumento da importância das migrações internacionais no processo de globalização económica? […] A concretização deste estudo será desenvolvida em duas metrópoles consideradas por vários autores como duas novas cidades de imigração – Washington D.C. nos EUA e Lisboa em Portugal (Singer et. alli, 2001, Fonseca, 1999, Malheiros, 2001). São cidades que têm em comum o facto de serem capitais nacionais, o que pode constituir um importante elemento de atracção de imigrantes, pois como lembram Gaspar e Fonseca (no prelo) “em muitas situações, as cidades substituíram regiões e até países como pontos de referência”, mas que só muito recentemente despertaram para o fenómeno do acolhimento e recepção de cidadãos estrangeiros. Sendo Washington D.C. a capital da maior potência económica mundial, construída ao longo de dois séculos com base na imigração de milhões de pessoas, e Lisboa capital de um país com um longo passado colonial que durante séculos foi cabeça de um vasto império repartido pelos cinco continentes, será interessante compreender porque só nos últimos 20 anos estas urbes se tornaram atraentes para os cidadãos estrangeiros. Factores como a reestruturação económica conseguida através de investimentos em sectores de grande valor tecnológico que torna os mercados laborais mais atractivos para trabalhadores muito e pouco qualificados, intervenções político-militares em determinados países do mundo com consequentes vagas de refugiados ou a alteração da posição de um país no contexto das migrações internacionais por via do crescimento económico assumindo-se como um destino possível para trabalhadores migrantes, podem justificar o interesse recente dos imigrantes por cidades como Washington ou Lisboa. […]
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