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Versão portuguesa da escala do medo da felicidade : primeiros estudos psicométricos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O foco nas emoções positivas e na felicidade dos indivíduos tem sido um alvo de recentes linhas de investigação em Psicologia. Vários estudos procuraram compreender como é que estas emoções positivas são experienciadas de forma negativa e, por vezes, evitadas. O presente estudo incidiu sobre um constructo proposto recentemente neste contexto científico, o medo da felicidade, definido como a crença de que a felicidade traz consequências negativas. Neste sentido, o objetivo principal desta investigação foi o de traduzir e contribuir para a validação da versão portuguesa da Escala do Medo da Felicidade. Os participantes foram 325 estudantes universitários entre os 18 e os 54 de idade divididos em duas amostras distintas, uma cujos dados foram recolhidos presencialmente (n=118) e outra cujos dados foram recolhidos online (n=205). Os resultados da análise fatorial exploratória e da análise fatorial confirmatória indicaram que a estrutura fatorial da escala era unidimensional, à semelhança do que tinha sido verificado nos estudos originais. Relativamente à fiabilidade, os valores de consistência interna avaliados através do alfa de Cronbach foram considerados bons. Quanto aos resultados relativos às diferenças entre grupos, não se verificaram diferenças de acordo com o sexo. Encontraram-se diferenças de acordo com o estatuto relacional: os participantes numa relação amorosa apresentaram menos medo da felicidade do que aqueles que não se encontravam numa relação. O medo da felicidade apresentou uma correlação negativa moderada com a satisfação com a vida, o afeto positivo e a esperança e uma correlação também moderada mas positiva com o afeto negativo. O medo da felicidade estava correlacionado negativamente com a idade. Finalmente, para atestar a validade preditiva da escala, verificou-se que o medo da felicidade, controlando variáveis sociodemográficas (idade, sexo, presença de relação amorosa atual) e psicossociais (afeto positivo, negativo e esperança) era um preditor significativo da satisfação com a vida. Em conclusão, a versão portuguesa da Escala do Medo da Felicidade apresentou boas qualidades psicométricas no presente estudo. A disponibilização desta escala no contexto português permitirá o desenvolvimento de investigação relevante para a compreensão da vivência da felicidade e permitirá que futuros estudos contribuam de forma significativa para a intervenção psicológica, em particular, para a prática clínica.
Autores principais:Pacheco, Daniela Areias
Assunto:Medo Felicidade Contexto cultural Análise factorial Teses de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O foco nas emoções positivas e na felicidade dos indivíduos tem sido um alvo de recentes linhas de investigação em Psicologia. Vários estudos procuraram compreender como é que estas emoções positivas são experienciadas de forma negativa e, por vezes, evitadas. O presente estudo incidiu sobre um constructo proposto recentemente neste contexto científico, o medo da felicidade, definido como a crença de que a felicidade traz consequências negativas. Neste sentido, o objetivo principal desta investigação foi o de traduzir e contribuir para a validação da versão portuguesa da Escala do Medo da Felicidade. Os participantes foram 325 estudantes universitários entre os 18 e os 54 de idade divididos em duas amostras distintas, uma cujos dados foram recolhidos presencialmente (n=118) e outra cujos dados foram recolhidos online (n=205). Os resultados da análise fatorial exploratória e da análise fatorial confirmatória indicaram que a estrutura fatorial da escala era unidimensional, à semelhança do que tinha sido verificado nos estudos originais. Relativamente à fiabilidade, os valores de consistência interna avaliados através do alfa de Cronbach foram considerados bons. Quanto aos resultados relativos às diferenças entre grupos, não se verificaram diferenças de acordo com o sexo. Encontraram-se diferenças de acordo com o estatuto relacional: os participantes numa relação amorosa apresentaram menos medo da felicidade do que aqueles que não se encontravam numa relação. O medo da felicidade apresentou uma correlação negativa moderada com a satisfação com a vida, o afeto positivo e a esperança e uma correlação também moderada mas positiva com o afeto negativo. O medo da felicidade estava correlacionado negativamente com a idade. Finalmente, para atestar a validade preditiva da escala, verificou-se que o medo da felicidade, controlando variáveis sociodemográficas (idade, sexo, presença de relação amorosa atual) e psicossociais (afeto positivo, negativo e esperança) era um preditor significativo da satisfação com a vida. Em conclusão, a versão portuguesa da Escala do Medo da Felicidade apresentou boas qualidades psicométricas no presente estudo. A disponibilização desta escala no contexto português permitirá o desenvolvimento de investigação relevante para a compreensão da vivência da felicidade e permitirá que futuros estudos contribuam de forma significativa para a intervenção psicológica, em particular, para a prática clínica.