| Resumo: | Problemas de saúde mental, como a ansiedade e a depressão, têm sido reportados frequentemente nos últimos anos nos estudantes de Medicina Veterinária. No entanto, poucos estudos se têm debruçado sobre o burnout nesta população específica. Esta tese inclui dois estudos que contribuíram para o aumento do conhecimento em relação à saúde mental dos estudantes de Medicina Veterinária em Portugal. Para o efeito foi realizado um inquérito aos alunos dos seis mestrados integrados de Medicina Veterinária em Portugal, entre os dias 29 de abril de 2020 e 20 de maio de 2020. Foram obtidas 415 respostas (16,6%). O primeiro estudo tinha como objetivos: estimar a prevalência de burnout nos estudantes de Medicina Veterinária, com recurso ao Maslach Burnout Inventory – Student Survey; identificar diferenças nas três dimensões do burnout (exaustão emocional, descrença e eficácia profissional) entre anos letivos; identificar os fatores académicos e demográficos que influenciam o burnout; identificar os fatores de stresse significativos para o burnout em cada ano letivo. Este estudo demonstrou uma prevalência moderada de burnout (29,9%). Adicionalmente, 44,3% dos estudantes tinham um nível elevado de exaustão emocional, 56,6% de descrença, e 74,2% um nível baixo de eficácia profissional. Na análise multivariada, os fatores associados com o burnout foram considerar que se tem uma média curricular fraca e não recomendar o curso de Medicina Veterinária. O segundo estudo tinha como objetivos: avaliar a prevalência de ansiedade durante a pandemia COVID-19; analisar os fatores de risco e protetores da ansiedade durante a pandemia; e avaliar a influência do ensino online na ansiedade dos estudantes. Dos 415 estudantes, apenas 15,4% não tinham sintomas de ansiedade, enquanto a proporção de estudantes com ansiedade ligeira foi de 39,5%, moderada de 21,4% e grave de 23,6%. Na análise multivariada, ser do género masculino e estudar na universidade de Lisboa foram fatores protetores para a ansiedade. Dormir pior, o stresse associado ao confinamento e aos conflitos familiares foram fatores de risco para a ansiedade. A maioria dos estudantes de Medicina Veterinária (77%) estavam satisfeitos com o ensino online. A adaptação da universidade ao ensino online e o tempo passado em aulas online estavam significativamente associados com a ansiedade. Na análise multivariada, considerar a adaptação da universidade ao ensino online como má ou péssima foram fatores de risco para a ansiedade. Este estudo demonstra que é urgente criar medidas de apoio aos estudantes em burnout (ou em risco de sofrer de burnout) assim como investir em medidas preventivas. |